Flor do Cerrado

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Todo fim de ano é fim de
mundo e todo fim de
mundo
É tudo que já está no ar,
tudo que já está
Todo ano é bom todo
mundo é fim, você tem
amor em mim?

Todo mundo sabe e você
sabe que a cidade vai
sumir por debaixo do
mar
É a cidade que vai
avançar, e não o mar,
você não vê
Mas trago uma flor do
cerrado pra você
Mas da próxima vez que
eu for a Brasília
Eu trago uma flor do
cerrado pra você
Mas da próxima vez que
eu for a Brasília
Eu trago uma flor do
cerrado pra você

Tem que ter um jeito e
vai dar certo e Zé me diz
Que ninguém vai
precisar morrer para ser
Para tudo ser eu você

Todo fim de mundo é
fim de nada é
madrugada
E ninguém tem mesmo
nada a perder
Eu quero ver, olho pra
você, tudo vai nascer
Mas da próxima vez que
eu for a Brasília
Eu trago uma flor do
cerrado pra você

Caetano Veloso
Poema transcrito do encarte “Brasília – a capital de todos os sons”
Correio Braziliense, 21/04/2013

POEMA DO AMOR SEM EXAGERO

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Eu não te quero aqui por muitos anos
Nem por muitos meses ou semanas,
Nem mesmo desejo que passes no meu leito
As horas extensas de uma noite.
Para que tanto Corpo!
Mais ficaria contente se me desses
Por instantes apenas e bastantes
A nudez longínqua de pérola
Do teu corpo de nuvem.
 
Joaquim Cardozo, poeta pernambucano. Foi o engenheiro
calculista dos principais palácios de Brasília.

O Cerrado mais uma vez

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Cai o risco no chão
e certa flora,
desenhada por um gnomo,
louco,
expele a última experiência,
descontrolada,
com a geometria dos fractais.
 
Florescem os campos gerais. Na trégua
Entre iguais e desiguais.
 
Vives como eu. E torto
e arqueado, com o velho esforço
de sobreviver do árido no Cerrado.

Paulo Bertran, poeta goiano, natural de Anápolis.
Poema transcrito do livro “Sertão do Campo Aberto”

Lá no morro

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(…) Comunidade unida é um pote de ouro
Vou lá no morro
De Ceilândia a Planaltina, é frevo de novo
“92 cor de sangue”, “pá”, uns banco de couro
Com os olhos vermelhos igual a nota da escola
E quem entende sim, eu quero ser assim
Calça de lim não é pra mim
Bem pior do que aparenta
Eu sei o que meu boné representa
Tudonosso, tudo bem
No morro o samba trinca
E o céu brilha também (…)

Rapper Japão
Poema transcrito do Correio Braziliense
“Diversões&Arte”, 4/7/2010

Bela, bela

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Bela, bela
Minha cidade
Tem palácios tem favelas
sobra comida nos banquetes
E aos famintos sempre é dado
o vazio das panelas.
Bela, fria, bela, fria
pelas ruas, plenas tardes
nas varandas, nas butiques
tem madames, tem vadias
nas cirandas dos meninos
tiroteios, gritaria.
Bela, bela neobabel
Capital da esperança
Tem malucos, tem mendigos
Matadores de crianças
(manhãs, noites e pontes)
quem espera nunca alcança
o ritual da bonança.
Triste, bela, fria, triste
Ilha de serpentes e sequelas
De norte a sul do avião
Feira de falcatruas
Festival de dedo em riste
Maltratada, maltrapilha
Brasília observa e resiste
A tela do sol na cara dela
A cara dela na tela do sol

Ivan Monteiro, poeta brasiliense
Poema transcrito da coluna “Tantas Palavras”, Correio Braziliense de 11/07/2012

Recordando o poeta Muralha

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Vou recordar desse poeta
Que deixou grande lembrança
Do meu amigo Muralha
A gente fala e não cansa
Deixando aqui na Ceilândia
Seus versos como herança

Na Ceilândia a sua história
É relembrada isto porque
A poesia “C.E.I.Land”
Ele veio a escrever
Ficou gravada numa parede
Para todo mundo ver

Na Casa da Memória Viva
Ela está bem divulgada
Exposta na BiblioCei
Pelo amigo e camarada
Que do Poeta Muralha
Tem a memória preservada (…)

Na Memória Viva da Ceilândia
O poeta sentiu saudade
Pois recebeu um grande prêmio
Que lhe deu felicidade
Foi o Troféu Caixa D’água
Monumento dessa cidade

Relembrar do nosso amigo
Isso muito me convém
Queria mesmo que o Muralha
Estivesse aqui, porém
Jesus foi que o levou
Pro seu convívio no além

Joaquim Nóbrega, poeta brasiliense
Poema transcrito da coluna “Tanta Palavras”, Correio Braziliense  28/08/2012

Geometria

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Geometria
                         A Rubem Valetim

A vida
se complica
em cada passo

podemos
dizer
assim:

agimos
com compasso
abrindo horizontes

em círculos
A geometria
da vida

não caminha
em linha reta
a não ser

que queira
apenas ligar:
berço e sepultura.

Heitor Humberto de Andrade, poeta baiano.
Poema transcrito do livro “Nas grades do tempo”
André Quicé Editor

A casa faz silencio outra vez

Nada de abraços que demoram
entre partidas
ternuras trêmulas
e despedidas que nunca terminam

A casa faz silêncio

Sei pelo arrumado da cama
no lado em que já ninguém deita

Sei pelo café
passado às pressas
açucarado mal humorado e frio
no esquecimento
da xícara sobre a mesa

toda a vida
toda a vida
alisando o descascadinho da louça

a casa
essa manhã
todo silêncio.

Elzita Lima, poetisa goiana
Post Blog da El

 

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BRASÍLIA

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BRASÍLIA

A letra trêmula
na carta da mãe
marca outro mês
neste calendário estóico.
A cidade continua,
ilustríssima desconhecida,
como todas as cidades são.
Em maior ou menor
grau de integridade,.
Mas é diferente:
aqui desaprendi a chorar.
A sensação de não ter casa
faz a gente criar casulo dentro de si.
Ver beija-flor onde só tem solidão.
Beija-flor lembra a mãe
A mãe é a tradução da saudade.
Antes de dormir,
penso em voltar mais uma vez.
Avalio perdas e danos.
Fico.
Com ambos.

Post poetisa Paola Daniella da Fonseca Rodrigues
Poema transcrito da coletânea “Concurso Nacional de Poesias”

 

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APONTAMENTOS PARA UMA POÉTICA CANDANGA

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APONTAMENTOS PARA UMA POÉTICA CANDANGA

Esqueça o adjetivo brasiliense.
É algo mais inventado que a própria cidade.
Não considere nada que seja mais
artificial que Brasília. É parte do inexistente.

O céu em Brasília: o Corcovado no Rio.
O concreto de Brasília: o ferro de Itabira.

O avião não decola em seu próprio céu.
Tesourinhas: uma ideia, uma estética
apoética.

Bebe Behr. Planta Marx. Pensa nos ladrilhos de Bulcão,
somente então, rima. O apostolado de Athos.
Niemeyer não morreu.

(entrequadras nas entrelinhas)

Brasília só é possível de óculos escuros.
O branco ofuscante, o fogo invernal.

Há de se tomar cuidado com o nome
Brasília. É traiçoeiro: Sugere
coisas demais, a rima tosca, a ilha,
a agudeza de um acento, o feminino de um país.
Brasília é um homem que trocou de sexo.
Sem gênero, sui generis.

Post poeta Matheus Gregório Vinhal e Silva
Poema transcrito da coletânea “Concurso Nacional de Poesias”

 

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A FOGUEIRA DO DIVINO

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A FOGUEIRA DO DIVINO

BANDEIRA BANDEIRINHA
VIRA FLOR E PASSARINHO
NA FOGUEIRA DE MENINO
DE BALÃO DE VENTO QUENTE

SOBE FLOR
CHOVE
FLOR DE IPÊ DE PASSARINHO
DE BALÃO E DE FOGUEIRA
BRINCADEIRA DE MENINO

CHOVE FLOR DE PASSARINHO
DE MENINA E DE MENINO
NA FOLIA DO DIVINO

BALÃO VIRA PASSARINHO
NA FOGUEIRA PAPEL FLOR
SOBE QUENTE DISTRAÍDA
CONCENTRADO CATADOR

SOBE SOBE
VOA VOA
VAI NAS MÃOS DO MEU AMOR

NA FOLIA DE MENINO
A FOGUEIRA E O BALÃO
O VENTO QUENTANDO A MADEIRA
EM NOITE DE SÃO JOÃO

TEM MISSA DE VIOLA TOCADA
NA SALA DA CASA O ALTAR
OS SANTOS E JESUS CRISTO
MULHER COM BANDEIRA A ORAR

E VIOLEIRO PÕE VERSO
E CORO RESPONDE A ORAÇÃO
É REZA E É FESTA NA CASA
O DIVINO DÁ SUA BENÇÃO

E FLOR PULA FOGUEIRA
ENFEITA E VIRA BALÃO
LEVANTA VOO CRISPADO
E TORNA A CAIR NA MÃO

SE SENTA SE COME SE BEBE
ALEGRIA NA NOITE DE REZA
CATIRA DANÇA PRO POVO
SE ORA SE BRINCA SE FESTA.

Bic Prado (Fabiane Prado Silveira), poetisa brasiliense.
Poema transcrito do livro “Poema de um livro verde”
Coleção Oi Poema

 

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BRASÍLIA – Um poema da vida real

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     BRASÍLIA – Um poema da vida real

Oh Brasília! Dos mandos e desmandos: minha paixão!
Eu conheço os seus cinquenta anos, cinquenta…
Antes, quando você engatinhava, eu já te amava!
No último período de sua gestação eu sonhava
E, na meninice de interior, tudo acompanhava…
Na solidão do cerrado descampado havia esperança
Recordo o furor das chuvas de 1957, cinquenta e sete…
Que destelhava nossas poucas casas de madeira e papelão
Próximas do riachinho os pais encontravam suas telhas
E rápido as recolocavam em seu lugar
Num inesquecível mutirão de amizade.
Eu me lembro…
As visitas aos parentes na Vila Amaury:
Alegria em meio à poeira e lama
O Lago nascia…e expulsava o povo
Os anos juvenis do primário
No Grupo Escolar Júlia Kubitschek
Onde a criançada pioneira experimentou
A temida Admissão! Vestibularzinho que marcou.
A Cidade Livre com o seu comércio e o padre Roque
A Vila do IAPI, o Zoológico que empregou meu pai:
Antonio Rodrigues da Cunha cuidou anos da “Néli”
Como esquecer tantas emoções?!…
Oh Brasília! Você foi o poema
Que eu mais amei escrever!
A W3 começando: lugar dos ricos…
Tinham conforto e “Bonanza” na televisão
Novidade que prendia
De todos a atenção!
O esqueleto do Congresso atraia multidão
Mistério para uma criança que não entendia
Tanta imensidão!
No caminho do Grupo, o Posto Texaco, grandão!
O horror daquele ônibus retorcido, abandonado
Um monstro lá no mato, correria… que medo!
A Igrejinha no morro…o Alto-falante que todos ouviam!
Quem viveu aquele tempo sabe o que estou falando.
São tantas recordações…o poeirão dos caminhões, o SAPES,
A temida GEB, a Candangolândia, as Dez Mais,
O Parque do Guará, o Botão Queimado, o psiu-psiu para as mulheres…
E o que dizer da mudança para a casinha da NOVACAP?
Dia de celebração! Festa na vizinhança: saudades.
Oh Brasília amada! Nós crescemos juntas
Você esplendorosa e veloz, eu curiosa e anônima
Contigo homenageio os pioneiros com a honra que lhes é devida
Parabéns pelo seu cinquentenário e agradeço por essas lembranças
Minha querida Brasília! Foi amor à primeira vista: Linda!

Post Domingas Batista, poetisa mineira, natural de Unaí.

 

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SOL DE BRASILIA

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SOL DE BRASILIA

O nascer do sol de Brasília
É a coisa mais linda que se pode ver
Curtir o céu de Brasília
Têm uma magia no entardecer.

Pela janela do quarto
Entre as cortinas eu posso notar
O raio de sol que me aquece
E mesmo acordado ele me faz sonhar.

É no Parque da cidade
Que meus devaneios tendem aflorar
Vejo pessoas bonitas
Que não se limitam em se preservar.

O cerrado é uma característica
Que se faz natural no planalto central
As cidades são corpos celestes
Chamadas satélites da Capital.

Os dias são sempre agitados
Se torna noticia qualquer decisão
Nos palácios ou no parlamento
Bate sempre mais forte cada coração.

Brasília não tem montanha
E os brasilienses vivem sem mar
Quando chove na quadra impar
O sol ardente se vê na quadra par.

Os carros param nas faixas
Os barcos velejam no Paranoá
Os surfistas até pegam ondas
As mulheres mais lindas estão neste lugar.

Post Rubens Lima, poeta natural de Queimados, RJ.
www.rubenspoeta.com

 

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VOCÊ SABE O QUE É SER CANDANGO????

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VOCÊ SABE O QUE É
SER CANDANGO????

. É ter acompanhado o nascimento,
a infância, a adolescência e a adultez
de uma cidade chamada BRASÍLIA!
. É morar em uma cidade projetada,
construída e fundada por Niemeyer,
Lúcio Costa, Juscelino Kubitschek
e Israel Pinheiro.
. É morar nas asas de um Avião.
. É adotar Brasília como moradia.
. É nascer no Planalto Central.
. É ter um lindo amanhecer…
. É ver o mais bonito por-do-sol…
. É conviver com a pluralidade cultural.
. É poder desfrutar dos mais
variados cardápios regionais.


UM BOM CANDANGO…

. Tem fé em DEUS!
É sobretudo hospitaleiro,
alegre, inteligente, criativo, romântico,
saudosista, amigo e solidário, tem
espírito jovem, pratica esportes,
entre outros, joga voleibol, pilota kart,
é poeta e amante das letras.

O BOM CANDANGO SABE DIZER…

"Uai", "ô xente",
"mãinha", "Bah", "tchê","ora, ora",
"au revoir", "pois, pois", "good by", "oi",
"solong", "arriverdetti", "E ié?",
"adios", "adeus", "sayonara’,
"inté", "bonjour", "lorel", "vexado",
"trem bão"… e muito mais!

SER CANDANGO É…

. Não esquecer sua terra natal!
Conviver com vários sotaques.
. Aprender com culturas variadas.
. Gostar de dançar.
. Aguentar o clima seco do Planalto.
. Apreciar as flores secas do Cerrado.
. Apreciar os pardais em revoada.
. Ouvir apaixonada (o) o canto das cigarras.
. Passear de barco e surfar em Lago artificial.
. Ter um mar também artificial
com ondas movimentadas.
. Ter um luar privilegiado.
. Ter um rico artesanato.
. Ter um Cinturão Verde inigualável.
. Dirigir em trânsito organizado.
. Passear no Eixão entre Flamboyants,
Quaresmeiras, Buritis e Ipês floridos.
. Ser… além de tudo, um ser humano maravilhoso!
. E… como eu, ter vindo da minha
querida Parnaíba/PI, com marido e filhos e ter adotado
esta cidade maravilhosa como morada!


(Em tempo: CANDANGO: Aquele que veio de várias regiões do Brasil
(o nordestino, o mineiro, o goiano, etc.) e trabalhou na construção da
Capital do Brasil: BRASÍLIA.)


Post Yara Nazaré, poetisa natural de Paranaíba, Piauí

 

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Mesma mineira em Brasília

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Mesma mineira em Brasília
 
No cimento duro, de aço e de cimento,
Brasília, enxertou-se, e guarda vivo,
esse poroso quase carnal da alvenaria
da casa de fazenda do Brasil antigo.
Com os palácios daqui (casas-grandes)
por isso a presença dela assim combina:
dela, que guarda no corpo o receptivo
e o absorvimento de alpendre de Minas.
 
                                 *
 
Aqui, as horizontais descampinadas
farão o que os alpendres remansos,
alargando espaçoso o tempo do homem
de tempo atravancado e sem quandos.
Mas ela já veio com a calma que virá
ao homem daqui, hoje ainda apurado:
em seu tempo amplo de tempo, de Minas,
onde os alpendres espaçosos, de largo.
 
João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, natural de Recife.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 

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Operação Marajó, com o Brasil Excessivo e o Lago Paranoá

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Operação Marajó, com o Brasil
Excessivo e o Lago Paranoá

 
I
 
A necessária insolvência da emoção.
Débitos e Créditos.
Grandiosa falência do futuroso barão.
Varão adunco com um rasgão no abdômen.
Meio metro de tripas – que fim tiveram?
Noites longas, o corpo a ser aberto.
A incisão exata do cirurgião goiano.
Anestesia deliciosa: prazer do corpo sem corpo.
Quem sabe se o último prazer não é o de morrer?
E seria então a alma a usar o corpo?
 
Rio Paracauarí. Soures, nome lusitano.
Planeta água.
A boca amanhecia adocicada, tudo doce e perfumado,
quase insuportavelmente.
Floresta anestesia. A companheira de mergulho diz:
– “Defesas são para usar, ou não tem porquê”.
Baía de Guajará. O ferry boat atraca na praia
do fundador de Belém do Pará.
Que faço aqui na nação almiscarada?
 
II
 
Corro voando para a capitania do meu domicílio,
ancorada no Paranoá.
O Brasil é excessivo.
 
Esse janelão dando para o Lago Norte
é o que me fascina e constrange.
Não move mais deslocar umbrais,
a completude se impõe.
 
III
 
Vale talvez deslocar espaços.
Queria te encontrar, quem sabe, na Uberabinha legítima,
quem sabe, na Santana do Parnaíba,
quem sabe Paris – onde até hoje nos parimos.
Vale, minha agente sedutora,
a anarquia da sedução estrondando sinos
e a discrição com que rebimbam no folgado
Palácio do Planalto.
Onde os sons mudados repinicam, nheim?
 
Paulo Bertran, poeta goiano
Poema transcrito do livro “Sertão do Campo Aberto”


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