A Forma e o Símbolo

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Por Marcus de Lontra Costa
Joaquim Cardozo fez os cálculos das colunas de Niemeyer

Joaquim Cardozo fez os cálculos das colunas de Niemeyer (Foto de 1960)
Mais de cinquenta anos após a sua inauguração, Brasília ainda desperta reações de todo tipo nos seus visitantes, do horror ao encantamento, provocando elogios generosos e críticas virulentas, justificando a célebre sentença de Oscar Niemeyer sobre a cidade: “Você pode gostar ou não de Brasília, mas jamais terá visto coisa parecida”. Essa diferença, essa especificidade da imensidão que integra formas e volumes de forte impacto simétrico e organizado faz de cada habitante da cidade um ser especial, alguém que convive diariamente com o impacto da clareza do método e da ousadia da criação estética.

 

Arquivo Público

Foto: Arquivo Público do DF.

Até a construção de Brasília a referência visual brasileira era essencialmente geográfica. A forte simbologia da arquitetura de Brasília criou uma iconografia que identifica todo o país. Qualquer criança brasileira identifica e repete as principais formas arquitetônicas da cidade; todos nós nos reconhecemos nesses elementos arquitetônicos de forte conteúdo simbólico. O modernismo, em Brasília, estabelece tensões interessantes entre o espírito construtivo e a provocação surrealista; a atmosfera metafísica da Praça dos Três Poderes comunica-se com as paisagens de De Chirico, a forma orgânica estabelece instigantes diálogos com Matisse e Jean Arp, a evidência simbólica dessas formas parece convidar à apropriação, ready-mades a nosso dispor, delicioso banquete duchampiano a ser consumido por designers, artistas plásticos, estudantes e a todos os interessados na ação e na pesquisa estética. O vinho, essencial em qualquer refeição completa, é o afeto…

 

Em Brasília, criança, eu aprendi que é brincar de pique com a chuva, levava buquês de flores secas para a minha mãe, colecionei cristais de rocha que se não me renderam a riqueza que esperava, proporcionaram-me fortuna maior: viver a vida como um garimpeiro, sempre a descobrir a beleza no cascalho da vida cotidiana. Eu vi uma cidade nascer da terra vermelha do cerrado, como um jardim. Por isso, ainda hoje, olho os edifícios de Niemeyer como árvores e os painéis do Bulcão como flores, ao mesmo tempo em que entendo o paisagismo do Burle Marx como uma bela arquitetura, tudo muito bem organizado nas linhas e canais do Dr. Lucio, urbanista e agricultor. Essa bela fazenda é, ao mesmo tempo, uma metrópole contemporânea que exige propostas e soluções adequadas ao mundo pós-industrial em que vivemos. O desafio consiste em preservar o espírito original da construção da cidade, essencial para sedimentação cultural de seus grupos humanos e, ao mesmo tempo, incentivar o surgimento de novas propostas que incorporem em seu discurso estético, as tecnologias e conceitos contemporâneos identificadores da cidade com o mundo dos dias atuais.

Arquivo Público do DF

Foto: Arquivo Público do DF.
Eu adoro Brasília. Uma cidade é muito mais do que um movimento artístico, um plano diretor de urbanização ou mesmo uma arquitetura. Uma cidade é o local onde vivemos a nossa vidinha, onde trabalhamos, amamos, criamos nossos filhos, alimentamos nossos sonhos. Quando chego à cidade, o céu continua lindo, a cidade ajardinada, a arquitetura deslumbrante e arrojada. Vejo o prédio do Congresso e sonho com o dia em que seus ocupantes sejam dignos de sua arquitetura; entro na Catedral, converto-me imediatamente, rezo para Burle Marx e para Dr. Lucio, beijo a alma de Athos e acaricio o corpo frágil de Oscar – Brasileiros ilustres que dedicaram seu talento e a sua inteligência a essa cidade. Os problemas, enormes, de Brasília, dizem respeito ao mundo contemporâneo, às suas incertezas, suas desigualdades e devem ser enfrentados com boa dose de audácia e de ternura, comprometidos com o passado sem temer superá-lo. Eu sonho com uma grande praça no marco zero da cidade, ocupada pela população, os carros em túneis subterrâneos ligando a asa sul e a asa norte, liberando a paisagem, e uma construção de três andares, em escala adequada, reunindo acervos de diversos museus brasileiros e formando um amplo e diversificado painel da nossa formação artística e cultural. Nesse momento, então, Brasília encontrará a sua verdadeira vocação: mais do que uma cidade administrativa, a nova Capital foi – e sempre será – uma extraordinária intervenção artística criada por uma linda geração de artistas brasileiros. Enquanto isso, eu atravesso o lago e fico olhando de longe, em silêncio, a cidade da minha infância. Um menino de bicicleta passa por mim, sorri, eu retribuo, a paisagem se torna um espelho e a vida continua.

Texto publicado no álbum “50 anos de Arquitetura”, Editora Anual e Sistema Fecomércio – SENAC.

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

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Tom Jobim e Vinicius de Moraes no Catetinho, em Brasília

O texto de Antônio Carlos Jobim

Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios. Horizonte: 360 graus. No fundo do “Catetinho” há um capão de árvores altas por onde passa um córrego de água boa e fria. Seguindo-se a água sai-se num campo onde fui muitas vezes escutar o pio das perdizes. Sillêncio nos campos claros, batidos de sol. De repente, de perto, como um grito, veio o piado do macho chamando a fêmea. Silêncio. E de longe chega a resposta. É uma conversa que parece vir do fundo dos tempos. Aqueles dois pontos de som escondidos no capim se procuram, aproximam-se, encontram-se e cantam juntos. Uma nuvem passa e sua sombra corre pelos campos. O vento faz ondas nos penachos do capim: dourado, verde, dourado…

Neste ambiente foi composto “O Planalto Deserto”. A música começa com duas

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Newsflash 2

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Yesterday all servers in the U.S. went out on strike in a bid to get more RAM and better CPUs. A spokes person said that the need for better RAM was due to some fool increasing the front-side bus speed. In future, busses will be told to slow down in residential motherboards.

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Newsflash 3

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Aoccdrnig to a rscheearch at an Elingsh uinervtisy, it deosn’t mttaer in waht oredr the ltteers in a wrod are, the olny iprmoetnt tihng is taht frist and lsat ltteer is at the rghit pclae. The rset can be a toatl mses and you can sitll raed it wouthit porbelm. Tihs is bcuseae we do not raed ervey lteter by itslef but the wrod as a wlohe.

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Welcome to Joomla!

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If you’ve read anything at all about Content Management Systems (CMS), you’ll probably know at least three things: CMS are the most exciting way to do business, CMS can be really, I mean really, complicated and lastly Portals are absolutely, outrageously, often unaffordably expensive.

Joomla! is set to change all that … Joomla! is different from the normal models for portal software. For a start, it’s not complicated. Joomla! has been developed for the masses. It’s licensed under the GNU/GPL license, easy to install and administer and reliable. Joomla! doesn’t even require the user or administrator of the system to know HTML to operate it once it’s up and running.

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Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …