Capital federal

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Capital federal
 
finda a tarde em pássaros e presságios
cenário desolado de árvores retorcidas
corre a vida pela solidão dos cerrados
planalto místico rico em ritos e oráculos
 
terra nova alvo de sonhos antigos
mitos galopam pela vastidão do nada
as gralhas gritam na secura e susto
enquanto tratores revolvem a terra
expondo tesouros e cadáveres
pequenas raízes em fraturas nodosas
 
arde a noite em combustão espontânea
ilumina-se a ilha por vegetais em chama
enquanto não se cumprem
os sonhos das profecias.
 
Guido Heleno, poeta goiano, natural de Anápolis.
"Poemas para Brasília’, de Joanyr de Oliveira

 


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