CANTO EM LOUVOR DA POESIA

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CANTO EM LOUVOR DA POESIA

Quero a poesia em essência
abrindo as asas incólumes.
Boêmia perdida ou tísica,
quero a poesia liberta,
viva ou morta, amo a poesia.
 
Poesia lançada ao vento
quero em todos os sentidos.
Despida de forma e cor,
Repudiada, incompreendida,
quero a poesia sem nome,
feita de dramas humanos.
 
Quero ouvir na sua vor
o canto dos oprimidos:
usinas estradas campos,
quero a palavra do povo
transfigurada num poema.
 
Que o meu canto sobrenade
ondas revoltas do mar
e alcance todos os portos
e beije todas as praias.
Quero a poesia sem pátria,
banida pobre extenuada,
a poesia dos proscritos,
negra ou branca, amo a poesia.
 
Quero a palavra fluente,
viva e inquieta como o sangue.
Pura ou impura eu reclamo
a poesia do momento,
filtrada exata constante.
 
Domingos Carvalho da Silva, poeta natural de São Paulo.
"Rosa Extinta",  Clube de Poesia de São Paulo

 


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