CANTO DE ESPERA

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CANTO DE ESPERA
(A matéria do tempo é transfeita em memória.)

Na cinza do cerrado, o frêmito discreto
do alvor de lua, a urdir a magia ilusória
de um vago mundo irreal, mais íntimo e secreto.
 
Os vôos de tucano, à luz do céu inquieto.
Na bandeja de verde, o marco feito História.
Em gestos fraternais –  a dádiva do afeto.
O lourejo da acácia, a esplender sua glória.
 
É coroa de espinho a catedral acesa,
ou, se ao cimento fere um sonho de beleza,
nave estranha, a luzir, presa ao cais de outra Era.
 
Os pássaros da noite. O gramado. Os meninos.
E os buritis da várzea abrindo os dedos finos
onde o silêncio antigo era um canto de espera.
 
Waldemar Lopes

 


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