CANTO-CHÃO PARA ESTA CIDADE

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CANTO-CHÃO PARA ESTA CIDADE
 
Amar tuas asas
não é amar tuas máfias.
 
Amar teus ilustres
não é amar teus muros.
 
Amar teus trevos
não é amar tuas trevas.
 
Amar tua torre
não é amar teus horrores
 
Amar o Plano
não é amar tuas fomes.
 
Amar o aeroporto
não é amar os lobos.
 
Amar tua lira
não é amar tua mentira.
 
Amar o lago
não é amar as fraudes.
 
Amar tua seiva
não é amar os preconceitos.
 
Amar a arquitetura
não é amar luxo e luxúria.
 
Amar o equilíbrio
não é amar as perfídias.
 
Amar teus palácios
não é amar falácias.
 
Amar tuas crianças
não é amar tuas manhas.
 
Amar tuas estrelas
não é amar tuas pobrezas.
 
Amar as Satélites
não é amar o tédio.
 
Amar o Eixo
não é amar o Rei.
 
Amar teu clima
não é amar teus crimes.
 
Amar este marcos
não é amar peculatos.
 
Amar teus tribunos
não é amar teus impunes.
 
Amar teus rios
não é amar teus sofismas.
 
Amar teus juízes
Não é amar teus iníquos.
 
Amar teu sono
não é amar teu sânie.
 
Amar teus discursos
não é amar tuas dúvidas.
 
Amar catedral
não é amar Baal.
 
Amar o Parlamento
não é amar prolegômenos.
 
Amar teu estilo
não é amar teus ídolos.
 
Amar teus projetos
não é amar teus projéteis.
 
Amar teu nome
não é amar tuas sombras.
 
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, nasceu em Aimorés.
Reproduzido do livro “Casulos do Silêncio”

 


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