CANTIGA DE AMOR PARA UMA CIDADE

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CANTIGA DE AMOR
PARA UMA CIDADE

 
Há que te veja nave de aço, avião
mas eu te vejo ave de pluma,
asas abertas sobre o chão.
 
Há quem te veja futurista e avançada
mas eu recolho em ti a paisagem rural
lá de onde eu vim:
fazenda iluminada.
 
E quem declara guerra a teu concreto armado
nunca sentiu a paz do teu concreto desarmado.
Há quem te veja exata, fria, diurna e burocrática
mas te conheço é gata noturna, quente, sensual – enigmática.
 
Há quem te gostaria só Plano Piloto, teu lado nobre,
mas eu também te encontro na periferia, teu lado pobre.
Há quem só te reconheça nos cartões postais
mas eu te vejo inteira, planaltina,
cercada de gamas, guarás e taguatingas.
 
Aos que só te querem grande – Patrimônio Mundial,
egoisticamente te declaro patrimônio meu, exclusivo:
                        Brasília minha
e, no meu bem-querer diminutivo, Brasilinha.
 
Marcus Vinícius Carvalho Garcia
Poema indicado para Menção Honrosa
Concurso Nacional de Poesia “Brasília: 50 anos”  



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