CANTIGA DA BAIXA UMIDADE

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

CANTIGA DA BAIXA UMIDADE

O mato estala nos campos de setembro
onde a vida perde o viço
e o mundo é palha.

Tudo é fumo no horizonte desses campos
lavados ao calor que avança em ondas.

O peito dói, e se esfarela
como o barro calcinado nas queimadas.

Uma angústia se instala sem aviso.
Todo gesto é lento.
Até o silêncio agride.

Derrotado à fornalha dos cerrados,
o frágil coração nem mais bombeia.
O sangue vira pó dentro da veia.

Nesta umidade baixa e relativa,
qualquer canto de sereia me cativa,
qualquer ponta de cigarro me incendeia

“Toda poesia é semente. Nenhum verso vira pó. Todo verso vira pólem”
Transcrito da news-letter de Paulo José Cunha

 


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