CANÇÃO (DISPERSA) ÀS MAGIAS DO LAGO

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

CANÇÃO (DISPERSA)
ÀS MAGIAS DO LAGO

 
As palmas levitam brandas
olhar que escoa reflexos:
o lago vazante muda
enflora vãos sortilégios.
 
O espanto aos tropéis adere
de patas e unhas domésticas
nada inaugura tragédias
em latitudes amenas.
 
Investem vozes polidas
pelo tênue quotidiano:
sirenas uivos bramidos
dos solilóquios desterram.
 
O espelho do asfalto mira
seu grave rosto nas águas:
porém murmúrios de mel
alisam a espinha do lago.
 
As córneas das persianas
em cerco ao manto das sombras
vêem a brisa na epiderme
que é igual líquidas escamas.
 
Invernosos desamores
são polvos de um sujo ar.
Incompatíveis e inúteis
em nós não navegarão.
 
E antiamores crepitantes
são lontras e asfixiam
seu próprio corpo sem bússola
nos cernes de nosso dia.
 
Flui insondável o tesouro:
frutifica as brancas horas
e os ramos que harmonizamos
com as fontes que estão em nós.
 
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, nasceu em Aimorés.
"Poetas Novos do Brasil", 1969

 


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