Caminhada de domingo

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Caminhada de domingo
  
Ando
Meio panda
Quase um pato
Sol na cabeça
Pés no asfalto
Pelo domingo lerdo e chato
Clamando tanto pelo inusitado
Algo como um gato caindo do telhado
O telhado desabando sobre o gato
 
Na aragem seca do planalto
Vejo, sem pejo
A nua princesa a dançar o ventre
Beijo seus seios de pêssego
Salivo as uvas de seus beijos
Respiro o odor tamarindo
De seu sexo de róseo mistério
 
Meio tonto
Quase tombo
Tropeço nos escombros dos meus sonhos
O Sol se põe em gema por trás da catedral
O sangue das nuvens dá cor ao meu olhar
A olhar
O ar
 
Guido Heleno, poeta goiano, natural de Anápolis.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira

 


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