BSB-DF

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BSB-DF
 
 
 
1
 
O poeta é homem
             &
      caminha
 
a cidade
pista de suicídio –
BSB

começa    aqui
do pó      &
do poema   agora

2
 
das satélites ao centro ( ?
das decisões
(da solidão
que cinde, mortal em geo
GRAFIAS
do homem que caminha
-secreto carregado de disparos
aos culhões da época-)
a distância é fato comum
espaço
que se avança
(constrói & cons
pira-se  )
:embora bloqueado:

3

o preço da passagem
caiba no caminhar
& no poema
– artefato arrevezo
arremessado
ante o presente
            (e o que não passa
a dor diária da cidade)
a cara a quem calado
:custe o trans
caro a quem trabalhe
cidadão&poeta&operário

4


 começa aqui
o caminhar
&
a cidade
até o limite em que desaba
seu napalm-esp
aço
(álgebra cartorial gráfica )
contra corpos que em febre
&
soco-salários
fundaram em púrpuro
sua est
ética:
raras

5

aqui
-fraudados-
onde o preço é lei
dita
dura
lógica de esp(I)a(na)das
começam o homem & seu poema
emaranhados

 
6

esta cidade: seus rumores
manhãs
sibilinas
(cigarras-galas
neblina seca
navalhando os lábios  )
quando o excesso é paz
-tragicalmas-
sob as cornetas da ordem
&
manobras diárias

7

tardes
( pseudo,
claras
alucinatórias
– horas inexatas –
névoa cósmica destilando lágrimas
sangue sal
picando
ante-salas

8

noites
desço
nexas
in
g(r)atas
quando ser & estar parte
o coração
oscila
não se sabe onde
em que lu
(g
ares

9

n’esta cidade
hã, hem ?
(cilada sibilábica)
cemitério alado
em que me encontro
vôo
(exíguo
zigzag)
a esmo exilado a mais

10

esta cidade língua iluminada
lambelambendo
meu sexo
(o néctar dos vocábulos)
palavras
-solidão rigor W-4-
trans
)traídas
tornadas
entre desejos
(aflição anexa ao sarro gozo igual)
e o f’ato incomum de amar
pate
ta/tica
mente
esta cidade (sendo a vida esbulho
atropelo & porão
ferida exposta
sin’
ais

11

sendo a vida merda
amarga turbulen-
ta
plural
&

na garganta
(grito dissonante)
contramão
cego punhal

12

sendo a vida
n’ave
à deriva
pesadelos perambulam plataformas
passarelas
pilotis
a vida a mas/
turbar-se em banheiros
calabouços
&
b’l’ares
entre gol’p’es neg(óci   atas
expedientes
(PÉS PFs?)
protocolares

 
13

masturbam a vida em bancos
&
autarquias
&
quartéis
(sonâmbulos & agramáticos)
no espaço público das taras
mater rodoviária
-puta baldia
reduto
anti-praça
diva escancarada
– canal –
a tudo extremo na cidade
SUb ‘URBA
n ‘ess’a
:barra:

14

esta cidade: descalça
– sem calçadas –
do que foi-infância & fábula
elaborada a contrario
brasilalvísceras !
inversa ao passado
esta cidade – pública ? – pluri (am
putada
equilibrada a pontapés
em contragolpes
esta cidade lâmina & lodal
danger dissimu disse
minada
em contra-ordens & sentenças & cláusulas

 
15

esta cidade
(alçapão)
côncova & concentrada
contra o câncer do que é luta
labuta
classe
abocanhada em lances & conchavos
esta cidad’ela in’civil
bandeiras
&
fa(r)das

16

esta CidaD
ELA
doi
di

na
– sutilinútil –
est    ILHA
i l h a ç a d a
esta cidade   mu
/sa
seu
C
( i  )
ALADA
– dita
inter –
bela & fera
enca(r)petada

17

esta cidade: aurora
adiada
hidra democéfala
esfingefada
(exu-xangrilá)
esta pací(f)vica cidade
d
a’r’ma(r)   a
g

18

esta diab
cidad
? hermét(r)ica?
avassala’
do(u)ra
da
lucífera
esta c’idade:cães patente
esfaimados
incivil
assombro
sonhada

19

que se passa (nos plenários
corredores
entrequadras
nos b/l
ares ?
do que passou se passa
– e há de vir ? –
nesta cidade – tudo
torta
em linhas ângulos reta
arquivistas
cortesãos
coronéis
? que se passa ?
(mortos rangem os eixos do presente)
outroragora
nesta
t
u
m
b
acidade
fantasmas afugentando alvoradas
m’ais ?

20

o sono dos senhores
da cidade
entre blocos
superquadras
o sono da cidade   (seus sonhares
se
con/
cretos
– alçamirados –
nesta paisagem azul-represa
( escafandristas zumbis surpreendente peixa )
o sonho da cidade: suas armas c’aladas

21

o sono da cidade
e seus senhores
(ruídos do nada
visões
sideral
nas águas do lago
iluminadas)
nesta cidade asas
de morcego cauda de
m
co   eta
r n
astronave
lunar
avariada

22

dormem
ana cristinas lídia
na paz ?
nesta cidade sem ruas
setores
WW
quadras
lar & lápide
em que me aqueço
(esquecido
nome
ao
léu
ninguémalguém
a caminho)
sereias bafejam
sibilam
( seu canto
-in
feliz-)
em meus ouvidos

23

dormem ana cristinas lídia
dormir desfaz
esta cidade
(charada polissílaba que desato)
sonho avesso
onde me vejo
em que em encontro
(embora não me caiba)
cabisbaixo enlouquescente
encalacrado.

24

nesta cidade sem
becos
sem saída
cap’b’ela
ana cristinas lídia
concreto eterno
(z’urro
confetes ferem-me a pele)
jazigo
a céu
aberto
onde lotar a dor
(o medo espalhado
a esmo)
n(d)esta cidade clara
&
secretíssima ?

25

esta cidade
com
CRETA
(seus pulsares ministáurios
p’f ‘avores)
contra a qual avanço
dançando
(blasfemo
musamausoléu
embalsamado)
poeira rubra laminando a alma

26

nesta cidadeelláasssttica
(a olho nu
inabitável)
transplante plástico
em que me deixo (acho ?
ir
vir
vendo perigo
a mil
(superfície fáustica
fundo-fátuo)
ao acaso
(medusado)
s’urdo
inclaro
esta meada sêmen anticanto
fio
umbilical
extraviário

27

instalado
– pirata –
em ângulos domados
(entre palácios
pilatos
vassalos)
sob os véus do presente
te(r)ço
excluso
exa
(us)
to –
elevo este salmo
autóp(oe
sia)
 disparo
ao coração
da
(r
dos
raros
lançados aos céus
incêndiovasto

28

assim
quando a cidade é inexata
re’pousando
núbil
nua
no planalto
(além-mapas)
o homem a caminho
cidadão imaginário
-emissário sem mensagem-
cruza a si mesmo numa via multi
intransviária
&
insustentável
em palavras (enfim que sempre cegam)
:aqui não bastem sigam
neguem
esta ci (la
da
de   imagens
&
– de nada.
 
Eclison  Tito

 
Bsb, 1979-81/BH, 1991-2003
Transcrito de “Abstrata Brasília Concreta”
De W. Hermuche


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