BRASÍLIA – Um poema da vida real

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     BRASÍLIA – Um poema da vida real

Oh Brasília! Dos mandos e desmandos: minha paixão!
Eu conheço os seus cinquenta anos, cinquenta…
Antes, quando você engatinhava, eu já te amava!
No último período de sua gestação eu sonhava
E, na meninice de interior, tudo acompanhava…
Na solidão do cerrado descampado havia esperança
Recordo o furor das chuvas de 1957, cinquenta e sete…
Que destelhava nossas poucas casas de madeira e papelão
Próximas do riachinho os pais encontravam suas telhas
E rápido as recolocavam em seu lugar
Num inesquecível mutirão de amizade.
Eu me lembro…
As visitas aos parentes na Vila Amaury:
Alegria em meio à poeira e lama
O Lago nascia…e expulsava o povo
Os anos juvenis do primário
No Grupo Escolar Júlia Kubitschek
Onde a criançada pioneira experimentou
A temida Admissão! Vestibularzinho que marcou.
A Cidade Livre com o seu comércio e o padre Roque
A Vila do IAPI, o Zoológico que empregou meu pai:
Antonio Rodrigues da Cunha cuidou anos da “Néli”
Como esquecer tantas emoções?!…
Oh Brasília! Você foi o poema
Que eu mais amei escrever!
A W3 começando: lugar dos ricos…
Tinham conforto e “Bonanza” na televisão
Novidade que prendia
De todos a atenção!
O esqueleto do Congresso atraia multidão
Mistério para uma criança que não entendia
Tanta imensidão!
No caminho do Grupo, o Posto Texaco, grandão!
O horror daquele ônibus retorcido, abandonado
Um monstro lá no mato, correria… que medo!
A Igrejinha no morro…o Alto-falante que todos ouviam!
Quem viveu aquele tempo sabe o que estou falando.
São tantas recordações…o poeirão dos caminhões, o SAPES,
A temida GEB, a Candangolândia, as Dez Mais,
O Parque do Guará, o Botão Queimado, o psiu-psiu para as mulheres…
E o que dizer da mudança para a casinha da NOVACAP?
Dia de celebração! Festa na vizinhança: saudades.
Oh Brasília amada! Nós crescemos juntas
Você esplendorosa e veloz, eu curiosa e anônima
Contigo homenageio os pioneiros com a honra que lhes é devida
Parabéns pelo seu cinquentenário e agradeço por essas lembranças
Minha querida Brasília! Foi amor à primeira vista: Linda!

Post Domingas Batista, poetisa mineira, natural de Unaí.

 


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