Brasília para os íntimos

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Brasília para os íntimos

no princípio, era o pó, no meio, era o pó
no fim do dia, era o pó, vermelho e fino
próprio a ingressar nos poros só a ver
se assim engrossava o
sangue de João Pedro Manoel
Tenório, Chico Chica Sebastião Sebastiana
Joana Maria Pedro João
que são partículas pouco mais
que pó a se moverem em
meio ao cerrado
no princípio era o pó
no meio é o pó, no fim é o pó,
vermelho a dar coragem junto com
o feijão jabá farinha pirão
no almoço é o pó na janta é o pó na cama é o pó
na cidade livre é o pó, na vila planalto é o pó
no canteiro de obras do palácio é o pó
vermelho a tingir o suor do
meio dia a cobrir o frio da
madrugada a penetrar sorrateiro
pelas frestas do barracão
não estranha, pois, que se
precise dissolver tanto pó
na mais líquida cachaça
nos bares que vão brotando
entre o pó e o pó
no fim o pó, no meio o pó, no princípio o pó
vermelho

João Bosco Bezerra Bonfim, poeta cearense, nasceu em Novo Oriente.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


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