BRASÍLIA – OUTUBRO DE 1959

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – OUTUBRO DE 1959

 

 

 

 

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Declaração presidencial – No discurso que profere perante a Conferência dos Governadores dos Estados da Bacia Paraná-Uruguai, em São Paulo, o presidente Juscelino Kubitschek refere-se a Brasília da seguinte forma:

“Não é meu propósito referir-me agora a todas as obras promovidas pelo meu Governo, e bem numerosas são elas, na região em apreço, pois são bem conhecidas dos ilustres Governadores, que tão diligentes e zelosos se tem mostrado no seu indispensável concurso à administração central, visando à sua normal execução. Lembro apenas, de passagem, as grandes rodovias-tronco pavimentadas que, de São Paulo, atingirão nossa extrema fronteira meridional, oferecendo a possibilidade de escoamento rápido à produção agrícola e industrial de consideráveis áreas do Vale; a majestosa ponte sobre o rio Paraná, com a finalidade de estreitar nossas relações de amizade e incrementar o intercâmbio comercial com o Paraguai; a construção, já em fase adiantada, da grande central elétrica de Cachoeira Dourada, que contribuirá para o fornecimento de energia à parte setentrional da Bacia, zona em que a carência de eletricidade se faz tanto mais sensível quanto recrescem dia a dia as suas exigências de progresso. É que, junto ao ponto mesmo em que começam a correr as águas que afluem para este Vale, no próprio divisor entre as grandes Bacias potamográficas do Brasil, a Amazônia, a do São Francisco e a do Paraná-Uruguai, se ergue agora Brasília, a nossa grande Capital da Esperança, como a cognominou André Malraux, e que já se prepara para constituir a 21 de abril próximo a sede dos Poderes da República, levando para o próprio centro geográfico do País o centro das decisões políticas da Nação, na materialização desse ideal longamente nutrido e esperado pelas gerações brasileiras de que algo de concreto e definitivo se devia fazer para cimentar, no futuro, a indestrutível unidade da Pátria, que não poderá continuar a ver relegadas à condição de deserto as áreas verdadeiramente continentais do Centro, do Norte e do Oeste. Estou seguro de que a construção de Brasília representará, para toda a Bacia Paraná-Uruguai, como para a Bacia Amazônica e a Bacia do São Francisco, uma nova era de Trabalho, ação, progresso, riqueza, cultura e civilização.”

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Rodovia Belém-Brasília – O superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia envia ao presidente Juscelino Kubitschek o seguinte telegrama:

“Tenho a honra de comunicar a V.Excia, que delegações ao XI Congresso Internacional de Estradas de Rodagem, integradas de ministros dos transportes e de pavimentação da URSS, assessorados de professores catedráticos da Escola Politécnica daquela Nação e respectivo interprete; vice-ministro das comunicações da Polônia e diretores do Instituto de Pesquisas técnicas e de estradas do mesmo país; vice-ministro de transportes da Rumânia, assessorado por diretores dos Institutos de Pesquisas e de estradas e professor da Escola Politécnica do mesmo país; ministro dos transportes, ministro de construções e arquitetura da Bulgária; vice-diretor geral de transportes da Tchecoslováquia e professor da Escola Politécnica do mesmo país, percorreram em minha companhia 260 quilômetros da Rodovia Belém-Brasília. Na qualidade de maiores autoridades no assunto em seus países, externaram opinião entusiasmada sobre a Transbrasiliana, particularmente o trecho da floresta equatorial, considerando-se uma das obras de maior importância do governo de V.Excia. À chegada a Belém, ofereci um jantar aos delegados dos países referidos, durante o qual renovaram suas impressões sobre a Rodovia Belém-Brasília, manifestando, ainda, agradecimento pela gentileza com que tem sido tratados em nosso país.”

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Ministro Antoine Pinay – Em Brasília, o presidente Juscelino Kubitschek recebe, no aeroporto, o senhor Antoine Pinay, Ministro das Finanças da França, para uma visita às obras da futura capital.

Logo ao chegar ao Palácio da Alvorada, o ministro Antoine Pinay fala à imprensa e dá a seguinte impressão sobre Brasília:

“Em 1957, quando o presidente Juscelino Kubitschek me falou do plano de construção da nova capital e me mostrou os elementos estudados, confesso que fiquei perplexo.

Mas hoje, diante da realidade que vi, não tenho como me exprimir, pois, de fato, me sinto humilhado. De qualquer forma, no entanto, estou muito admirado da audácia e do arrojo do Presidente Juscelino Kubitschek e das qualidades surpreendentes de realizador deste estadista brasileiro. Sei que é bastante cedo para fazer o julgamento da cidade como um conjunto, mas, de qualquer forma quero afirmar desde já pelo que se vê do traçado de suas avenidas e grandes artérias que ela será não só a capital mais moderna, como provavelmente a mais bela do mundo.”

Logo a seguir, o presidente Juscelino Kubitschek convida o ministro Antoine Pinay a visitar as dependências do Palácio da Alvorada, começando pela Biblioteca. Poucos minutos após é servido o almoço em homenagem ao estadista francês.

Ao fim do almoço, o presidente Juscelino Kubitschek oferece ao ministro Pinay um exemplar autografado do livro “Brasil, Capital Brasília”, do escritor brasileiro Oswaldo Orico.

Encerrada esta parte do programa, o presidente Juscelino Kubitschek convida o ministro das Finanças da França para verificar o andamento da construção em uma viagem de helicóptero.

Nessa ocasião, o senhor Antonie Pinay diz ao Presidente da República que esta era a primeira vez em que tomava assento em um helicóptero.

Depois de percorrer a parte da Praça dos Três Poderes, a Cidade Bandeirante, os grandes conjuntos residenciais e os prédios públicos, o presidente Juscelino Kubitschek ruma para o aeroporto com o seu ilustre convidado. Acompanha o presidente na viagem de helicóptero, o Embaixador da França e o Sr. Israel Pinheiro. Às 15:30h, no avião presidencial, o ministro deixa Brasília com destino ao Rio de Janeiro.

Ferreira de Castro – Toma parte no almoço oferecido pelo presidente Juscelino Kubitschek ao Ministro Antoine Pinay, o escritor português Ferreira de Castro que, a propósito de Brasília, assim fala aos jornalistas:

“Um dos momentos mais originais e romanescos da minha vida foi ver hoje nascer Brasília dentre as nuvens da cabine do avião que nos conduzia. Era um espetáculo surpreendente em que o sonho se fundia em realidade. Considero Brasília, depois de vê-la, um prodígio do gênio brasileiro e estou convencido de que do ponto de vista estético ela virá a exercer grande influência em muitos outros países.

Considero que o presidente Juscelino Kubitschek está realizando obra que não só honra o Brasil, mas a humanidade inteira, pois ela nos prova as possibilidades deste imenso e generoso país. O Palácio da Alvorada, que agora tenho a honra de visitar e percorrer, é uma obra-prima da arte moderna brasileira já tão conhecido no mundo como um templo célebre da era medieval. Em sua frente, encontrei uma sobriedade de linhas que se casa com a sua singeleza interna, com um bom gosto sem precedentes.”

Antes de embarcar para o Rio o romancista luso faz questão de abraçar o presidente Juscelino Kubitschek e agradecer-lhe as homenagens que recebeu do Chefe do Governo do Brasil. Ao apertar a mão do presidente, diz Ferreira de Castro:

“Volto encantado com o presidente, o homem e a obra.”

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Universidade Mackenzie – O presidente Juscelino Kubitschek, antes de comparecer, em São Paulo, ao banquete oferecido pela classe médica, atendendo ao convite dos professores e alunos da Faculdade de Urbanismo da Universidade Mackenzie, visita esse estabelecimento de ensino superior, onde é recepcionado com entusiasmo. Ao saudar o Presidente da República, o presidente do diretório acadêmico da Faculdade de Urbanismo dá ciência ao Chefe do Governo de que os formandos de 1959 naquele ramo de arquitetura colariam grau em Brasília, numa demonstração de apoio à soberba realização que já é a nova Capital do país. O presidente Juscelino Kubitschek agradece a homenagem e declara que se sentia feliz com a manifestação de aplauso dada pelos futuros urbanistas a uma das maiores iniciativas a que se vinha consagrando sua administração.

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"Brasilien baut Brasília" - No Palácio das Laranjeiras, o presidente Juscelino Kubitschek recebe o álbum "Brasilien baut Brasília" – "Brasil constrói Brasília", que reproduz aspectos da Exposição Internacional de Arquitetura (Interbau) realizada em Berlim, em 1957, na qual foram apresentados pela primeira vez ao público europeu os planos urbanísticos e arquitetônicos da Nova Capital Brasileira.

Faz a entrega ao Chefe do Governo a escultora Mary Vieira, brasileira que vive e trabalha em Zurique e que se encontra há uma semana no Rio. Foi ela quem, juntamente com o seu marido, professor Carlo Belloli di Seriate, organizou e paginou o volume, editado por uma companhia industrial suiça. A concepção plástica do volume chama a atenção para a integração dos componentes estéticos num todo – ideal de Brasília – e propõe essa mesma integração entre os elementos do livro, através da imagem fotográfica e do equilíbrio da composição gráfica, material e cor.

Nas 110 páginas do volume, impresso em papel acetinado, com capa em aluminio, as imagens do pavilhão brasileiro na Interbau de Berlim contam como se tentou demonstrar, através de uma arquitetura racional e expositiva, o plano de Lúcio Costa e a obra de Oscar Niemeyer. Da leitura dos textos e comentários essencialmente históricos verifica-se também a repercussão que teve sobre o público a apresentação das construções erguidas na Nova Capital. Dos 10 volumes impressos, um foi ofertado ao presidente da República, dois a Lucio Costa e um ao Museu de Brasília.

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Grupo de Trabalho – Volta a reunir-se o Grupo de Trabalho de Brasília, tratando inicialmente de preparativos para proporcionar a ida a Brasília de servidores a serem transferidos. À reunião estarão presentes todos os representantes dos Ministérios e das Forças Armadas, tendo sido lidos ofícios encaminhados aos Institutos e Caixas e à administração da Novacap, referentes às datas em que deverão ser entregues os apartamentos destinados aos servidores.

Trata-se também de assuntos relativos à apresentação da relação dos funcionários a serem transferidos, bem como à substituição dos que estiverem impossibilitados para a mudança.

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Livro de Moisés Gicovate – Lança-se no Rio de Janeiro o livro "Brasília – Uma realização em marcha", do escritor Moisés Gicovate. A obra, que traz ilustrações de Storni, abrange uma introdução, um estudo sobre o nascimento das capitais, retrospecto histórico, geopolítica da localização das cidades e informes diversos e completos sobre Brasília. Merece menção especial o capítulo "Em busca do Tempo Perdido", no qual demonstra o autor que Brasília, colocada no centro da convergência do País, significa a recuperação do tempo perdido e determinará a dinamização do progresso nacional, corrigindo os pontos de estrangulamento de nossa economia e permitindo encontrar solução para os problemas brasileiros, dentro das nossas realidades em três dimensões: tempo, espaço e profundidade.

Rede Mineira de Viação – A imprensa anuncia que a Rede Mineira de Viação está recebendo 33 mil toneladas de trilhos novos, importados do Japão, destinados à remodelação de 443 kms de linha, visando ao transporte regular de cargas para Brasília.

Esses trilhos estão sendo colocados no trecho Garças de Minas-Belo Horizonte (221 kms) e entre os km 603 e 825 (22 km) da linha Tronco, permitindo a tração diesel-elétrica na linha de Angra dos Reis a Goiandira e na linha de Garças à capital mineira, em toda a sua extensão.

Para completar esse equipamento, a RMV está recebendo mais 20 mil toneladas de trilhos novos cedidos pela Novacap, suficientes para a substituição de cerca de 270 km de linha e que serão colocados a partir do Km 825, em direção a Goiandira, no acesso a Brasília.

Além de facilitar o escoamento das safras produzidas no Triângulo Mineiro para atendimento do consumo da futura capital, esse programa se integra aos estudos formulados pelo Grupo de Trabalho do DASP, em cooperação com a Rede Ferroviária Federal, que incluem a RMV nas áreas por onde se efetuará regularmente o transporte de cargas para Brasília.

27
Governador de Córdoba – Visitando Brasília, a convite do presidente Juscelino Kubitschek, o senhor Arturo Zanichelli, governador do Estado argentino de Córdoba, assim se manifesta sobre a futura Capital:

"Faço questão de, inicialmente, ressaltar que falarei de Brasília como um homem do interior argentino. Em minha pátria, também lutamos há um século pela interiorização da nossa capital. De tudo que vi em Brasília volto mais convencido da necessidade de medidas como esta em países de extensões muito grandes como o Brasil e a Argentina. Considero Brasília a obra mais importante dos últimos tempos na América do Sul, fruto da inteligência e da audácia do homem brasileiro. A mim, particularmente, parece que a nova capital virá solucionar o problema de áreas ainda por ocupar, como o Oeste brasileiro. Tenho a impressão de que Brasília se caracteriza como um grande centro de turismo, o maior desta parte do continente. Neste particular, sou dos que pensam que o turismo deverá pagar, em grande parte, as despesas com a sua feitura. Quando desembarquei aqui já sabia que não iria encontrar o Brasil como um grande pássaro dormindo, cujas asas se voltavam para o Atlântico. Encontrei um gigante desperto, cuja cabeça é São Paulo, tendo por coração Brasília e por alma o Rio de Janeiro. Tive dois contactos com o Presidente Juscelino Kubitschek e guardo a melhor impressão de sua rapidez e agilidade, própria dos políticos de nossa época. Somente um homem desse teor seria capaz de realizar uma obra arrojada como Brasília."

Fonte: Diário de Brasília, 1959. Serviço de Documentação da Presidência da República.


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