Brasília – Abril de 1960

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

BRASÍLIA – ABRIL DE 1960

 

 

Sexta-feira, 1 de abril de 1960

Hospital Distrital – Anuncia-se que será a seguinte a distribuição de médicos pelos diversos serviços do Hospital Distrital de Brasília:

Enfermarias (90 leitos): Cirurgia, 40; Obstetricia, 20; Clínica Média 20; Pediatria, 10.

Serviço de Emergência – Pronto Socorro Hospitalar – Serviço Domiciliar de Urgência. Ambulatório – Serviços auxiliares de diagnóstico e tratamento. Relação de especialidade:

Cirurgia, 6; Urologia, 1; Traumatologia, 2; Oftalmologia, 1; Otorrinolaringologia, 1; Clínica Média, 2; Cardiologia, 3; Pediatria, 3; Nutrologia, 1; Obstetrícia, 4; Laboratório Clínico, 1; Banco de Sangue, 2; Anatomia Patológica, 1; Anestesia, 4; Neuro-cirurgião, 1; Dentistas, 4.

Total de médicos, 33; total de dentistas, 4.

 

E.F. Goiás – Comentam os jornais haver crescido de importância o papel que cabe à Estrada de Ferro Goiás com a transferência da nova capital para Brasília: é não somente a principal ferrovia de interligação do Planalto Central, mas ainda a única via de acesso ferroviário até Anápolis para quem procede de São Paulo, pela Mogiana, e de Minas, pela Rede Mineira.

A receita total de transportes arrecadada pela E.F. Goiás, em 1959, foi de Cr$ 179.267.448.70, que representa quase o dobro da cifra obtida no ano anterior de Cr$ 90.048.333,00.

Entre carros e vagões carregados, a Goiás efetuou 47.672 viagens em 1957, 63.100 em 1958 e 66.296 em 1959. Em 1957, a estrada não possuía nenhuma locomotiva Diesel-elétrica, havendo, hoje, em tráfego, 12 unidades.

No decurso desses três anos, houve aumentos crescentes nos transportes de bagagens, animais e mercadorias em geral.

Foram substituídos, de 1957 até dezembro de 1959, 101.860 dormentes e reespaçados 46.859, para atender aos serviços de substituição de trilhos e empedramento.

 

 

Sábado, 2 de abril de 1960

Comando Naval – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, o Comando Naval de Brasília. Por outro decreto é excluída da jurisdição do Primeiro Distrito Naval a área compreendia pela futura Capital Federal e delimitada pela Lei número 2.874, de 19 de setembro de 1956.

Serviço telefônico – A imprensa anuncia que, na data da transferência da Capital para Brasília, no próximo dia 21, Brasília contará com um mínimo de 60 canais telefônicos, em pleno funcionamento, para suas comunicações com o país e o mundo. Presentemente, apenas 12 canais estão sendo utilizados, mas o equipamento para a ampliação do importante serviço acaba de ser ali desembarcado – transportado por via aérea – perfazendo o seu volume um total de 6 mil quilos, segundo informações prestadas por um porta-voz da NOVACAP. A ampliação de que agora se cuida é a primeira etapa do plano de instalação dos canais do empreendimento. Os equipamentos adquiridos são o que de mais moderno existe nesse campo, permitindo perfeita fonia com os locais com que se fizer ligação direta.

 

Domingo, 3 de abril de 1960

 

Almoço no Catetinho – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek oferece um almoço, no Catetinho, aos operários pioneiros da construção da nova Capital do Brasil, oportunidade em que manifesta seu agradecimento a quantos contribuíram, nos primeiros dias, para o início da construção de Brasília.

Relatório da NOVACAP – A Assembléia da NOVACAP aprova o Relatório apresentado pelo Presidente da Companhia a respeito dos trabalhos realizados em 1959.

 

Segunda-feira, 4 de abril de 1960

Partida de funcionários – Pela manhã, partem do Rio de Janeiro para Brasília, de ônibus, os primeiros sessenta funcionários federais que decidiram seguir para Brasília por estrada de rodagem, de acordo com o plano organizado para a ida do pessoal pelo Grupo de Trabalho de Brasília. Dois ônibus são usados, da empresa que venceu a concorrência pública aberta para a prestação desse tipo de serviço.

Visando organizar um roteiro prático e de interesse para os servidores, a empresa vencedora decidiu colocar técnicos e especialistas em viagens em determinados pontos do itinerário para estudá-los devidamente. Dessa forma foi estabelecida a escala de paradas e o modo de feitura da viagem. Uma experiência foi feita neste sentido no início do m6es passado, embora de caráter turístico, com onze dias de duração. Todos os fundamentos para conforto e comodidade dos passageiros destas viagens foram tomados, de modo a assegurar-se aos servidores públicos que viajarão por rodovia pleno conhecimento da rota que obedecerão.

De acordo com o roteiro organizado pela empresa vencedora da concorrência e aprovado pelo Grupo de Trabalho de Brasília, o itinerário será feito por Minas Gerais, com passagem em Juiz de Fora e Belo Horizonte. Na capital mineira os servidores deverão jantar e dormir, aproveitado a manhã do dia seguinte para uma volta aos pontos pitorescos da cidade, incluindo-se a Pampulha. A seguir, rimarão para Paracatu, passando antes por Três Marias, onde poderão verificar o ritmo acelerado de construção daquela que será a quinta barragem do mundo dentro de poucos meses. Em Paracatu, os funcionários jantarão e dormirão, seguindo para Brasília, passando por Goiânia e Anápolis. Em vários pontos da viagem os servidores serão saudados pelos prefeitos das cidades do percurso e receberão homenagens das populações dos mesmos. Na nova capital brasileira, os funcionários serão recebidos pelo pessoal do Grupo de Trabalho, que os levará às suas futuras residências, de acordo com o programa já organizado.

 

Terça-feira, 5 de abril de 1960

 

Iluminação – À noite, inicia-se em Brasília a colocação de lâmpadas ao longo do Eixo Rodoviário, numa extensão de quase 4 quilômetros. A tarefa será concluída no espaço de poucas horas. De acordo com informes colhidos junto ao Departamento de Viação e Obras Públicas da NOVACAP, vai ser agora atacado o trabalho de posteamento e instalação de luz elétricas nas Avenidas Monumental, W-3 e outras vias da nova metrópole.

Preparativos finais – Com a aproximação da data de transferência da Capital da República, Brasília está vivendo seus dias de mais febril atividade. Grupos de operários se revezam dia e noite, para que o trabalho não sogra a menor interrupção, e igual operosidade se observa em todos os demais setores responsáveis pela conclusão do gigantesco empreendimento. Intensificou-se, ao mesmo tempo, o movimento do aeroporto, da estação rodoviária e das estradas, com a afluência de milhares e milhares de pessoas, e, em conseqüência, as ruas da cidade apresentam uma agitação desusada, que se reflete principalmente nas casas comerciais.

Fogos de artifício – As festas de 21 de abril, em Brasília, deverão oferecer espetáculos de rara beleza. Sabe-se através da Comissão Organizadora dos Festejos da mudança, que Portugal e aHolanda colaborarão para o maior brilhantismo do programa, contribuindo com fogos de artifício especialmente fabricados para a ocasião. Aquele primeiro país enviará 10 milhões em fogos, não se conhecendo ainda o montante da oferta holandesa. Assim, as primeiras horas do dia 21, em Brasília, serão assinaladas, por um dos maiores espetáculos pirotécnicos já vistos no mundo.

 

 

Quarta-feira, 6 de abril de 1960

 

Funcionários federais – Chegam a Brasília os primeiros sessenta funcionários federais, que deixaram o Rio de Janeiro na manhã de 4 do corrente. Como se tratou de viagem pioneira, a imprensa procurou conhecer a reação dos integrantes do grupo, que viajaram em dois ônibus modernos, da empresa vencedora da concorrência pública no Grupo de Trabalho de Brasília. Todo o roteiro anunciado foi seguido à risca e o tempo ajudou em muito aos funcionários na observação dos locais pelos quais passaram, sobressaindo o entusiasmo que experimentaram ao ver as obras gigantescas da barragem de Três Marias. Como grande parte do grupo não conhecesse ainda Belo Horizonte, a empresa proporcionou à caravana um passeio aos seus pontos pitorescos com amplas explicações por parte dos guias especializados. À chegada dos funcionários, o pessoal do Grupo de Trabalho, na nova Capital, tomou todas as providências relacionadas com suas acomodações e aparte de alimentação.

Uma particularidade que merece ser salientada é a relativa aos veículos usados, ônibus de fabricação brasileira, que se mostraram resistentes e capazes de proporcionar o máximo conforto. Os servidores puderam também observar grande parte do interior mineiro, com suas velhas cidades, como o caso de Paracatu, que ressurge por força do espírito dinâmico que Brasília imprimiu em todo o país. A empresa transportadora de funcionários federais para Brasília explicou que o sucesso da viagem pioneira está ocasionando invulgar interesse dos demais grupos que deverão seguir nos próximos dias a fim de iniciar seus trabalhos na nova sede do Governo brasileiro. Na próxima semana, outro grupo deverá seguir para o Planalto, de acordo com o plano de ação do Grupo de Trabalho de Brasília.

 

Tapete Verde – Já iniciou em Brasília a preparação do tapete verde que cobrirá toda a zona urbana da nova Capital. Em algumas áreas, realiza-se o trabalho de terraplanagem e preparação da terra para o plantio imediato de grama, enquanto se ultima esse plantio nas áreas que constituirão os jardins das casas da FCP. Os habitantes de Brasília poderão ter os seus jardins particulares, neles plantando o que lhes aprouver, sendo-lhes proibido apenas erguer cercas ou muros divisionários, para que a cidade ofereça a impressão de ser "formada por um só jardim".

VASP – A Viação Aérea São Paulo inaugura sua nova linha São Paulo – Brasília – Fortaleza, operada com aviões tipo "Viscount".

 

Quinta-feira, 7 de abril de 1960

 

Comércio goiano – O Presidente da Associação Comercial de Goiás, Senhor José de Aquino Porto, revela à imprensa que a construção de Brasília já está influindo poderosamente para o progresso do comércio no Estado, citando, a propósito, que o imposto de vendas e consignações obteve, até agora, um aumento de 50 por cento. Inúmeras firmas novas estão se instalando em território goiano, enquanto as empresas já estabelecidas no Estado vem ampliando seus negócios, a fim de atenderem ao aumento da demanda. Com a efetivação da transferência da Capital – acentua – é de se esperar que a situação do comércio se torne ainda mais satisfatória.

Rodovia Fortaleza-Brasília – A Comissão de Povoamento dos Eixos Rodoviários, em reunião no Ministério da Viação e Obras Públicas, decide encaminhar à consideração superior um projeto de desapropriação, amigável ou judicial, de uma faixa de 10 km ao longo da rodovia Fortaleza-Brasília e daquelas que atravessam os vales úmidos do Estado do Maranhão, BR-21 e BR-24, como medida de primeira urgência para povoamento das áreas devolutas.

O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas e o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem fornecerão as plantas necessárias à caracterização, no decreto, das faixas que serão desapropriadas. Se as faixas alcançarem terrenos de propriedade dos Estados, outros decretos serão assinados excluindo-as. As mesmas medidas serão tomadas em relação às áreas já cultivadas.

Comunicações telegráficas – Em seu gabinete, o Ministro da Viação e Obras Públicas informa que o propósito do Governo é facilitar aos jornais, emissoras de rádio e correspondentes telegráficos amais rápida comunicação entre Brasília e o resto do país e do mundo. Tudo se vem fazendo no sentido de que as condições técnicas indispensáveis estejam asseguradas até a data da mudança da Capital, ou mesmo antes.

Sexta-feira, 8 de abril de 1960

Ministério da Marinha – O Almirante de Esquadra Mattoso Maia, Ministro da Marinha, reúne em seu gabinete a imprensa carioca, a que concede uma entrevista coletiva sobre a mudança do seu Ministério para a nova Capital brasileira, declarando inicialmente que a sua pasta e o órgão de administração pública que menos complicações terá com a mudança, isso porque a sua razão de ser é aEsquadra, que, logicamente, não será transferida de seus órgãos de apoio: bases navais, arsenais, depósitos, centros de abastecimento e de reparo especializado, de instrução, escola de aprendizes, de formação de oficiais, etc.

Depois de tecer outras considerações, o titular da Armada fez questão de frisar: seguidamente temos ouvido uma pergunta: "A Marinha vai para Brasília fazer o que?". Ora, nem a Marinha, nem o Exército e a Aeronáutica irão integralmente, como se fosse um todo. São instituições que exercem suas atividades em todo o país, atingindo as mais distantes regiões. No caso especial da Marinha, possuímos a Esquadra, que por sua própria natureza é móvel. Normalmente fica ela sediada no Rio. Entretanto, a qualquer momento sua sede poderá ser alterada, como aliás ocorreu na última guerra, quando desmembrada: duas forças-tarefas, a Força Naval do Nordeste e a Força Naval do Sul, a primeira com a quase totalidade dos navios, sediada em Recife, e a segunda com poucas unidades que permaneceram no Rio.

Prossegue o Ministro da Marinha:

Para Brasília irá apenas a alta administração naval, constituída pelo Ministro e órgãos de sua assessoria direta, isto é, o Estado Maior da Armada, Secretaria Geral da Marinha, as Diretorias Gerais e os Conselhos Consultivos. Inicialmente seguirá o Gabinete Ministerial, que, a 21 de abril, deverá estar instalado e funcionando na nova Capital.

Levará, acentua o Almirante Mattoso Maia, 24 funcionários, além do pessoal militar, permanecendo no Rio apenas 14 funcionários e alguns militares, para procederem à remessa do material que forçosamente tenha de ficar aqui para não haver solução de continuidade com a transferência do Ministro. Até o dia 17 do corrente a mudança estará feita.

O titular da pasta da Marinha passa, a seguir, a outro aspecto de sua entrevista:

Para o Gabinete ministerial e, posteriormente, para o conjunto administrativo que funcionará no novo Distrito Federal, estão sendo criados os serviços de apoio, dos quais o principal é a Estação Rádio Brasília, ligada à rede de comunicações da Marinha. Todos os serviços ficarão sediados em confortável terreno denominado "Vila Naval", onde já se encontram aquartelados fuzileiros navais enviados há mais de 3 meses. O grupamento de fuzileiros lá existente constitui o núcleo do futuro Destacamento de Fuzileiros Navais de Brasília. Todos os serviços – transporte, militar, de suprimentos, de guarda e polícia, médico-hospitalar, de comunicações e outros, – ficarão subordinados ao recém-criado Comando Naval de Brasília. Como se sabe, o território nacional está dividido em 6 Distritos Navais. O primeiro, com sede no Rio, abrange o Distrito Federal, o Estado do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Esse Distrito continuará sediado no Rio, perdendo a área do novo Distrito Federal, que ficará independente, diretamente subordinado ao Estado Maior da Armada, à semelhança dos seis Distritos Navais. Dessa forma, ficarão duas autoridades navais, ambas diretamente subordinadas ao EMA, o Primeiro Distrito Naval, comando territorial e operativo da defesa da orla marítima, e Comando em Chefe da Esquadra, comando operativo de todas as nossas forças navais de alto mar.

Finalmente sua entrevista, informa o ministro da Marinha:

Depois do dia 21 de abril serão transferidos o Secretário Geral da Marinha, o Estado Maior da Armada, a Diretoria do Pessoal, as Diretorias de Intendência, Aeronáutica, Engenharia, Comando Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Diretorias de Armamento, Saúde, Portos e Costas, Inspetoria Geral, Eletrônica e de Hidrografia e Navegação. Os conselhos de Promoções e o Almirantado serão transferidos quando a maior parte de seus membros já estiverem servindo em Brasília.

 

Sábado, 9 de abril de 1960

 

Eixo Rodoviário – Desenvolvem-se em ritmo acelerado os trabalhos de construção do Eixo Rodoviário, tudo indicando que estarão concluídos a 21 de abril, a não ser que sobrevenham chuvas, prejudicando a secagem do concreto dos trevos e das passagens de nível. Quanto à iluminação do Eixo, acredita-se que, na pior das hipóteses, estará pronta em grande extensão da importante via, na data da inauguração da nova capital.

Ajardinamento – Com a aproximação de 21 de abril, data da transferência da Capital da República, Brasília está vivendo seus dias de mais intensa atividade. Assim é que, enquanto se realizam, noite e dia, os retoques finais nos prédios destinados a receber o funcionalismo federal, centenas de operários, em atividade também ininterrupta, revezam-se na faina de ultimar os canteiros de grama ao longo do eixo rodoviário e o calçamento e ajardinamento no setor a cargo da Fundação da Casa Popular. Na asa sul desse mesmo setor, novas habitações estão sendo construídas, sendo de se observar que o seu estilo difere do de todas as erguidas anteriormente pela Fundação e que essas novas residências dispõem de maior área.

Ministério da Guerra – O Ministro da Guerra, marechal Odylio Denis, aprova o seguinte programa organizado para a participação do Exército Nacional nas solenidades de inauguração de Brasília:

a) Batalhão de Guardas, que fará as Guardas de Honra, no aeroporto, por ocasião da chegada do Legado Pontifício; na Praça dos Três Poderes, por ocasião do hasteamento da Bandeira; na instalação do Congresso Nacional e na chegada do Presidente da República para o desfile militar. Tomará parte, ainda, na referida parada, a ser realizada no dia 21, às 16:30 horas, precedendo o desfile dos operários da NOVACAP;

b) Contingente de 50 cadetes da AMAM, que representará o Exército nas várias solenidades e também formará no desfile;

c) Contingente de 90 alunos do CPOR-RJ, que comporá a guarnição de uma bateria de Artilharia, encarregada das salvas por ocasião da chegada do Legado Pontifício, da instalação do Congresso e da chegada do Presidente da República, participando ainda da parada, com um contingente de Infantaria, na cerimônia de hasteamento da Bandeira na Praça dos Três Poderes;

d) Contingente do Batalhão da Polícia do Exército, com 6 oficiais, 17 motocicletas e 40 soldados especialistas de trânsito, que fornecerá os batedores pra o carro presidencial e auxiliará o policiamentoa cargo da chefia da Polícia de Brasília;

e) Contingente de 80 "Dragões da Independência" para a Guarda de Honra no Palácio dos Despachos por ocasião da recepção oferecida pelo Presidente e cooperação no Festival de Brasília do dia23;

f) Bateria de Projetores de Artilharia de Costa, com missões específicas em várias solenidades de 20 e 21 e no Festival de Brasília;

g) Contingente de 205 atletas da Artilharia de Costa com missões no Festival de Brasília.

 

Domingo, 10 de abril de 1960

 

Obras dos Institutos – Aceleram-se os trabalhos de construção dos grupos de edifícios dos Institutos da Previdência Social, ainda não inaugurados. Pelo andamento das obras, tudo faz prever que serão todos inaugurados próximos, completando-se desse modo a primeira fase do plano de construções estabelecido pelos órgãos constituintes da Previdência Social para Brasília.

IAPB - Estão praticamente concluídas as 76 unidades residenciais que o Instituto dos Bancários está construindo para seus associados em Brasília. A inscrição de interessados na locação já foi encerrada.

Fundação da Casa Popular – Pioneira em Brasília na construção de residências, a Fundação da Casa Popular inaugurou na nova Capital seus conjuntos há dois anos, estando todos ocupados. Agora, com a aproximação da inauguração na nova Capital, a F.C.P. decidiu realizar pintura nova em todas as casas de seus conjuntos.

Ao mesmo tempo, a F.C.P. está ajardinando todas as áreas devolutas de seus conjuntos.

Banco do Brasil – Na próxima semana estará concluída a colocação de vigésima quarta laje do Edifício do Banco do Brasil, que, uma vez terminado, será um dos mais importantes da nova Capital. Trabalhar-se ativamente na construção da futura sede de nosso principal estabelecimento de crédito, tendo-se batido um verdadeiro recorde de tempo, pois as obras foram iniciadas há apenas 90 dias. No dia 21 entrarão em funcionamento todo o subsolo e dois pavimentos do edifício, destinados, na primeira fase de transferência, às atividades da administração do Banco. Além de seu edifício-sede, o Banco do Brasil já adquiriu duas lojas do grupo da Caixa Econômica, a fim de instalar sua primeira agência no perímetro urbano de Brasília. A inauguração da agência está incluída no programa de festividades do dia 21.

Cardeal Cerejeira – Em Lisboa, embarca no Vera Cruz para o Rio de Janeiro, o Cardeal Cerejeira, Legado Pontifício à inauguração de Brasília, que presta as seguintes declarações à imprensa:

"Ao partir como Legado de sua Santidade para a inauguração de Brasília, quero dirigir ao Brasil as minha saudações mais fervorosas.

Nasceu o Brasil pela mão de Portugal. Para contarem a própria história, Portugal e Brasil terão de repetir muitas páginas comuns que Camões não conheceu. Se as soubera, já foi dito que elas fariam o cântico undécimo do Lusíadas.

Não há coração de português que não tenha dentro de si sempre viva a imagem do Brasil. É certo que o Brasil começou há muito a descrever por si próprio a grandiosa história do seu destino e aimagem maior do Brasil, que é já tão grande – é a imagem do Brasil do futuro.

A inauguração de Brasília é como que a aurora deste Brasil. Para bem apreciar, é preciso considerá-la com olhos proféticos como os do ilustre Presidente da Nação Brasileira.

Sua Santidade o Papa João XXIII escolheu o Cardeal Patriarca de Lisboa para representar a Sua Augusta pessoa nesta solene inauguração, um ato de arrojada esperança para o Brasil e para o Mundo. Esta escolha quer-me parecer que traduz uma intenção: com o Legado vai ao Brasil Portugal.

O Santo Padre, quando fala, diz só palavras de verdade, de esperança e de amor. Nesta embaixada de benção ao Brasil novo quer pronunciá-las em português. Esta é a língua em que Portugal e Brasil se entendem. E a um senhor Cardeal brasileiro, irmão pela púrpura, pelo caráter episcopal e pelo fraternal afeto, ouvi lembrar que foi a língua que Nossa Senhora falou em Fátima falando para o mundo. Por isso eu fui escolhido. E nenhuma missão me podia ser mais grata. Deus guarde o Brasil".

 

Segunda-feira, 11 de abril de 1960

 

Transporte de funcionários – De acordo com o que foi estabelecido entre a empresa transportadora de pessoal civil por terra e o Setor de Transportes do Grupo de Trabalho de Brasília, a ida de pessoal

federal por ônibus será feita, até o fim do corrente ano, sempre às segundas-feiras, em número de unidades que se fizerem necessárias, dada a escala de partida do funcionalismo. Acreditam os elementos do GT de Brasília e o diretor-presidente da empresa transportadora que a média semanal será de sessenta e nove funcionários. Procurando dar ao pessoal o máximo de conforto, a empresa colocará mo circuito seus ônibus especiais, com bares e toilettes, poltronas reclináveis e privativas. Uma unidade de transporte deste tipo ficará em exposição por mais alguns dias no pátio do Ministério da Educação e da Cultura, de acordo com as informações recebidas pela reportagem. Nessas viagens, os funcionários verão três metas do Governo: Brasília, a indústria automobilística e as modernas ferrovias. Dado o conforto que os ônibus oferecem, os responsáveis pelo GT disseram à imprensa que o interesse de utilizá-los na transferência para o Planalto Central aumentou muito na última semana, crescendo o número de candidatos.

 

Festa de inauguração – Elementos da NOVACAP informam que não faltarão acomodações em Brasília para aqueles que a visitarem durante as festividades de inauguração. Com essa finalidade, aquela Companhia providenciou junto à Caixa Econômica e a uma construtora as casas necessárias para abrigar os visitantes, adaptando-as de modo a poderem acomodar um número considerável de pessoas. As 40 residências já preparadas, que passaram a ser denominadas "casas de hóspedes" – proporcionando hospedagem gratuita a 650 pessoas.

Ajardinamento – O trabalho de preparação do tapete verde de Brasília já está bastante adiantado. A plantação de grama cobre, até o momento, uma área de cerca de um milhão de quadrados, a maior parte da qual compreendida na zona habitada, cujo plantio deverá estar concluído na data da inauguração da nova Capital. Nas demais zonas, a tarefa será realizada após as festividades.

Abastecimento – A imprensa assinala que não constituirá problema o abastecimento de Brasília em 21 de abril corrente. O comércio varejista preparou-se convenientemente para fazer face ao aumento da procura, podendo já agora observar-se ma fartura extraordinária dos mais variados produtos alimentícios, particularmente de ovos, verduras, legumes, arroz, feijão, farinha, açúcar e café. O leite sobra nos entrepostos e a carne é encontrada em quantidades consideráveis no mercado. Dezenas de caminhões procedentes do interior goiano e de outros Estados chegam diariamente aBrasília trazendo carregamento de gêneros, inclusive de frutas e produtos de horticultura. Por sua vez, as granjas-modelo da nova Capital oferecerão valiosa contribuição, através de seus postos de venda.

Caneta simbólica – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe, no Palácio das Laranjeiras, o Senhor José Aquino Porto, Presidente da Associação Comercial de Goiás, e o Senhor Lídio Lunardi, Presidente da Confederação Nacional da Indústria, que, em nome das classes produtoras, lhe ofertam a caneta com que será assinado o primeiro ato oficial na nova Capital. O Presidente acolhe esse gesto com o maior interesse, comprometendo-se a fazer a assinatura do primeiro ato que marcará sua presença na nova Capital do país com aquela dádiva. A caneta terá uma incrustação em esmeralda simbolizando a epopéia dos bandeirantes e, também, a condição de médico do Presidente Juscelino Kubitschek.

Câmara Municipal do Rio de Janeiro – Ao ser homenageado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que lhe concede o título de Cidadão Benemérito, conferindo igual honraria à Senhora Sarah Kubitschek, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso de agradecimento, em que assinala numerosos pontos ligados à mudança da Capital a serem efetuadas no Rio de Janeiro.

 

 

Supremo Tribunal Federal – Os Ministros Barros Barreto, Presidente, e Nelson Hungria e Afrânio Costa, membros do Supremo Tribunal Federal, chegam a Brasília, para uma visita de inspeção às obras do Palácio da Justiça, cujas instalações devem estar concluídas até o próximo dia 21, data da mudança da capital. Os magistrados viajam em avião especial e são recebidos no aeroporto pelo Senhor Filinto Maia, Diretor Executivo do Grupo de Trabalho de Brasília. Na visita às obras, os Ministros são também acompanhados pelo Sr. Filinto Maia, que lhes presta todas as informações sobre o andamento dos trabalhos.

 

Leilão de lotes – No leilão de lotes comerciais-residenciais realizado em Brasília, o segundo promovido pela NOVACAP, 32 lotes leiloados renderam 94 milhões de cruzeiros, sendo a média de venda de 2 milhões e 950 mil cruzeiros por lote de 5 metros de frente por 40 de fundos. Lotes que há um ano eram vendidos a 250 mil cruzeiros foram arrematados, no leilão de agora, por somas superiores a3 milhões de cruzeiros, o que dá a medida exata do interesse que Brasília está despertando em todo o país, pois numerosos compradores vieram especialmente para esse leilão de todos os quadrantes do território nacional, sobretudo do Rio de Janeiro e de São Paulo. Agora, a NOVACAP está estudando o lançamento dos 700 lotes comerciais-residenciais na zona norte do Plano Piloto, ou, como se diz popularmente, dos lotes da asa norte do gigantesco avião que o traçado do urbanista Lúcio Costa sugere ao observador. Todos esses lotes serão vendidos em leilão – novo método adotado pela NOVACAP no sentido de evitar a intervenção de elementos especuladores na venda das terras de Brasília. A renda total dos lotes do Plano-Piloto está calculada em cerca de 30 bilhões de cruzeiros, enquanto o custo total das obras da cidade deverá oscilar entre 17 e 18 bilhões de cruzeiros, fato que confirma a assertiva de que Brasília é uma obra autofinanciável, que nada custará ao Governo da União.

 

Terça-feira, 12 de abril de 1960

Funcionalismo - É cada vez mais intenso o fluxo de servidores públicos transferidos para Brasília. Até este momento, 260 funcionários do Poder Executivo, com seus dependentes, totalizando 680 pessoas, já se encontram instalados na nova Capital da República. Também ali se encontram 46 funcionários da Câmara dos Deputados, com suas famílias. Vários Deputados já vieram a Brasília e receberam as chaves dos seus apartamentos. O Grupo de Trabalho incumbido da mudança da Capital Federal tem dado a mais completa assistência a todos os servidores que chegam a Brasília, recepcionando-os e encaminhando-os às residências previamente designadas. Durante os dias necessários à adaptação dos funcionários e suas famílias, o referido Grupo de Trabalho coordena as atividades dos funcionários recém-chegados, indicando-lhes preços de mercadorias, armazéns onde devem adquirir e outras utilidades e ainda fornecendo a todos transporte em ônibus, sobretudo aos que desejam utilizar-se dos restaurantes dos Institutos de Previdência Social.

Setor sanitário – No dia 21 do corrente, Brasília terá todos os serviços públicos em pleno funcionamento, inclusive no setor da saúde. O Hospital Distrital, cujas obras se encontram adiantadíssimas, será parcialmente inaugurado com 90 leitos, apresentando todos os serviços clínicos, cirúrgicos e de urgência inteiramente aparelhados. Para atender aos milhares de visitantes esperados nos próximos dias, toda a rede médico-hospitalar já existente funcionará em perfeito entrosamento com o Hospital Distrital, sob a orientação do Conselho Médico de Brasília. Numerosos postos de emergência serão instalados em diferentes pontos da cidade, inclusive nas rodovias de acesso à Nova Capital. Os socorros de urgência serão assegurados por 12 ambulâncias das mais modernas.

 

Lotes rurais – Divulga a NOVACAP que os futuros ocupantes dos lotes rurais receberão assistência de unidades sócio-econômicas, integradas por escolas, postos médicos, serviços de revenda de materiais agrícolas e de informações técnicas, além de outros. Prevê-se que cerca de 800 granjas, localizadas no cinturão verde de Brasília, serão distribuídas antes do dia 21 deste mês.

 

Conselho Nacional de Economia – O Senhor Edgard Teixeira Leite, presidente do Conselho Nacional de Economia, designa os Conselheiros Humberto Bastos e Pereira Diniz para estudarem todas as providências de ordem financeira e administrativa relativas à transferência desse órgão constitucional para Brasília.

 

Supremo Tribunal Federal – Reunido em sessão extraordinária de tribunal pleno, o Supremo Tribunal Federal, sob a presidência do Ministro Barros Barreto, presentes os Ministros Luiz Gallotti, Ary Franco, Ribeiro da Costa, Nelson Hungria, Lafayette de Andrada, Villas Boas, Rocha Lagoa, Cândido Motta Filho, Hahnemann Guimarães e Gonçalves de Oliveira, estando presente o Procurador-Geral da República, Se. Carlos Medeiros Silva, decide favoravelmente em torno da mudança da alta corte para Brasília, na data fixada, 21 do corrente.

 

 

Votam o Presidente Barros Barreto, e os Ministros Luiz Gallotti, Ribeiro da Costa e Ary Franco. Fica deliberado que haverá mais uma sessão plena extraordinária, já convocada anteriormente, voltando o Tribunal a reunir-se em sessão solene para a inauguração, em Brasília, entrando após em recesso, até que possa funcionar normalmente.

Ministério da Agricultura – Ao noticiar a próxima partida para Brasília dos elementos do Gabinete do Ministro da Agricultura, a imprensa assinala que o Ministério, há mais de dois anos, possui serviços em Brasília, realizando importantes atividades nos setores de fomento da produção animal e vegetal e, ainda, no setor florestal, tendo aplicado mais de cem milhões. Estão plantados mais de 600 hectares nas duas fazendas do Ministério e, na terceira, 600 mil mudas florestais. Uma enorme gleba, de 11.500 hectares, foi recentemente entregue ao Ministério da Agricultura, que ali instalará vários outros serviços, tendo sido aprovado o plano de aplicação de 126 milhões de cruzeiros.

 

Ministério da Viação e Obras Públicas – O Ministro da Viação designa os funcionários de seu Gabinete que deverão partir em breves dias para Brasília. O Ministro Ernani do Amaral Peixoto, acompanhado de sua família, viajará no próximo dia 16, de avião.

Ministério da Saúde – Parte para Brasília, em ônibus, o primeiro grupo de funcionários do Ministério da Saúde, contingente de cúpula.

De acordo com o plano traçado, até o dia 17, trinta funcionários do Ministério da Saúde estarão em Brasília, contando-se com parte do pessoal do Gabinete, do Departamento da Administração, do Departamento Nacional de Endemias Rurais e de Serviço Nacional de Tuberculose. De acordo com o esquema de trabalho traçado pelo DASP, o Ministério da Saúde será o primeiro a ser instalado na nova Capital.

Cassiano Ricardo – O poeta e escritor Cassiano Ricardo, membro da Academia Brasileira de Letras, em companhia do editor Diaules Riedel, no Palácio das Laranjeiras, em visita ao Presidente Juscelino Kubitschek, entrega ao Chefe do Governo brasileiro um exemplar especial do poema de sua autoria "Toada pra se ir a Brasília". Trata-se de uma edição artística. e o poema será publicado no primeiro número do jornal Correio Brasiliense, que iniciará sua circulação no dia 21 de abril, na futura Capital do País.

 

 

Quarta-feira, 13 de abril de 1960

Instalação em Brasília – A imprensa assinala que o Grupo de Trabalho de Brasília, órgão encarregado da mudança de funcionários e serviços para a nova Capital, continua a executar todas as medidas indispensáveis ao pleno cumprimento de sua alta missão, encontrando a melhor compreensão e boa vontade por parte das demais autoridades e dos servidores transferidos nas últimas semanas. Até o dia 11 do corrente, já se achavam instalados em Brasília, definitivamente, cerca de 700 servidores, acompanhados de suas famílias.

Além dos funcionários do Executivo, principalmente os que serviam no Palácio do Catete, já se encontram também instalados definitivamente na nova Capital numerosos parlamentares. Segundo apurou a reportagem, até o dia 11 do corrente 14 deputados receberam do Grupo de Trabalho as chaves das suas novas residências. Entre eles, podemos citar os deputados Adalberto do Vale, Aloísio Ferreira, Croacy de Oliveira, Moreira da Rocha, Carlos Luz, Emival Caiado, João Abdala, Sílvio Braga, Unirio Machado, Corrêa da Costa, Batista Ramos, Martins Rodrigues, Nelson Omegna, Pinheiro Chagas e Miguel Bahury. O primeiro Deputado a instalar-se definitivamente em Brasília foi o Sr. Breno da Silveira, da bancada carioca e que já reside na superquadra do IAPETC, com sua família.

O Grupo de Trabalho de Brasília instalado no andar térreo do bloco 7 da Esplanada dos Ministérios, além de dirigir a mudança total, constitui-se também num centro de informações para localização e acomodações dos funcionários, ali trabalhando uma equipe de servidores requisitados de diversos órgãos da administração pública, aos quais incumbe receber no aeroporto os funcionários transferidos, transportá-los ao centro, proporcionando-lhes repouso num bloco especialmente preparado, alimentação nas várias cantinas de Instituto e fornecendo-lhes ainda detalhes da vida no novo ambiente. Cria, assim, o Grupo de Trabalho de Brasília uma frente de simpatia e entusiasmo para os que foram transferidos para a nova Capital, no desempenho de suas missões.

 

Polícia – A organização policial de Brasília, que se prepara com o máximo de cuidado, deverá equipara-se às mais perfeitas do mundo, segundo informações do Chefe de Polícia dessa cidade, General Osmar Soares Dutra. Entre outras inovações a serem introduzidas nesse organismo, a mais importante se relaciona com a criação da Polícia Rural, nos moldes da Polícia Montada canadense, com a finalidade não só de zelar pela segurança da zona rural da nova Capital da República, como de prestar auxílio aos agricultores. Caberá à Polícia Rural de Brasília, especialmente treinada e composta de elementos selecionados, oferecer conselhos com relação a questões agrícolas, prestar pequenos socorros médicos, transportar correspondência entre as granjas e a zona rural, além de outras importantes atribuições, como proteger as matas, impedindo sua devastação. Para a concretização de tais planos, deverá ser fundada em breve uma Academia de Polícia, na qual o corpo policial receberá esmerado treinamento. Pensa o General Osmar Dutra, também, na construção de uma Penitenciária Agrícola, para reabilitação de condenados.

 

Supremo Tribunal Federal – O Gabinete da Presidência do Supremo Tribunal Federal divulga a seguinte nota: "O Correio da Manhã", na edição de ontem, referindo-se a um voto proferido pelo Senhor Excelentíssimo Ministro Luiz Gallotti, transcreveu a seguinte parte do referido pronunciamento:

"Compreendo – declarou ontem, altivo e digno, o Ministro Luiz Gallotti – que os que já receberam vultoso dinheiro, a título de despesas de viagem, estejam tolhidos, depois disso, para decidir livremente se vão ou não. Algumas já me confessaram essa dificuldade irresistível, embora reconheçam que ainda não existem condições normais para a mudança."

Convém esclarecer, a fim de evitar interpretações infiéis, que o Senhor Ministro acrescentou, em período seguinte:

"Mas nós, membros do Poder Judiciário, que nada recebemos, ainda estamos moralmente livres para decidir, não sem falar nas garantias especialíssimas da independência que a Constituição nos concede".

Organização Administrativa do novo Distrito Federal – O Presidente Juscelino Kubistchek sanciona a lei do Congresso Nacional relativa à administração do novo Distrito Federal, vetando expressões contidas em seus artigos 50, 53 e 54. A lei tomará o número 3.751, de 13 de abril de 1960.

Parque de Material em Brasília – O Presidente Juscelino Kubistchek assina o Decreto 48-111, de 13 de abril de 1960, dispondo sobre o Parque de Material de Brasília.

Posto Fiscal Aduaneiro – Pelo Decreto 117, de 13 de abril de 1960 o Presidente Juscelino Kubistchek estabelece em Brasília um Posto Fiscal Aduaneiro.

 

 

Sexta-feira, 15 de abril de 1960

Rodovia Uberlândia-Uberaba-Brasília – O Presidente Juscelino Kubistchek determina ao Diretor Geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem que inicie imediatamente as obras de construção da nova rodovia Uberlândia-Brasília através do traçado já aprovado. O trecho integra parte da BR-106 que liga São Paulo a Brasília e a determinação do Presidente da República é feita em atendimento a um memorial das classes produtoras do Triângulo Mineiro entregue ao Chefe do Governo.

Serviços de utilidade pública – o Engenheiro Moacyr Gomes de Souza, Diretor-Executivo da NOVACAP, sob cuja responsabilidade funcionam os Serviços de Força e Luz, Água e Esgotos, Telefones Urbanos e Interurbanos e Viação e Obras Públicas, concede à Agência Nacional entrevista sobre os serviços de utilidade pública em Brasília.

A propósito dos trabalhos realizados pelo Serviço de Força e Luz, revela que foram executadas redes aéreas no total de 83 mil metros; redes de condutos subterrâneos e dutos, no total de 370 mil metros; foram instalados transformadores em número de 96, usando 37 mil KWA. Há duas usinas elétricas em funcionamento: a de Caralas, com 500 HP, e a de Cachoeira Dourada, fornecendo 18.500 HP. Ha uma usina elétrica em construção, que é a do Paranoá, em 27.000 HP, a qual deverá ficar pronta no fim deste ano ou em janeiro próximo. Independente dessas usinas elétricas, aNOVACAP adquiriu duas turbinas a gás, com um total de 15 mil HP, e mais uma unidade composta de três grupos, num total de 3.700 HP. Essas duas usinas a gás e a unidade termelétrica funcionarão em Brasília em casos de emergência. Com isso, a cidade estará perfeitamente abastecida, até a conclusão da segunda etapa da Cachoeira Dourada, que fornecerá o total de 120 mil HP.

 

Quanto ao problema de água e esgotos, Brasília disporá de um os mais modernos sistemas de tratamento e distribuição de água. A captação será feita através de cinco mananciais, de modo a permitir o abastecimento normal a todos os pontos. O Córrego do Torto oferece vazão de 1.400 litros por segundo, ou sejam, 1 milhão e 200 mil metros cúbicos em 24 horas, para o que estão sendo instalados 2 condutos elétricos, de 2 mil cavalos-vapor para cada um e com capacidade para 700 litros de vazão por segundo para abastecimento dos setores norte e sul do Plano Piloto. Essa captação é feita em uma barragem de 252 metros de comprimento e 8 de altura, por meio de bombas, através de uma adutora de 1 metro de diâmetro e 9 quilômetros de extensão. A água captada é mandada para o reservatório já concluído, com capacidade para 60 milhões de litros. O abastecimento da cidade foi estudado na base de 400 litros por segundo, o que é mais do que suficiente, dado que no Rio de Janeiro o abastecimento é da ordem de 180 litros por segundo. A água será tratada por moderna aparelhagem importada da França.

Até agora já foram construídos 178.674 metros de rede de esgotos e 23.873 metros de rede de águas pluviais.

Quanto aos telefones urbanos e interurbanos, a NOVACAP ja construiu em Brasília uma rede subterrânea definitiva de 224 mil metros de dutos singelos e uma rede aérea já em funcionamento de 120 mil metros. A rede telefônica sul, em sua primeira etapa, contará com 5 mil linhas e 12 mil telefones, cuja inauguração será amanhã. O serviço interurbano, em ondas curtas, com dois canais, já foi inaugurado e está em funcionamento. O serviço interurbano de micro-ondas será também inaugurado amanhã, com 34 canais, e ligará Brasília com Uberlândia, Araguari, Uberaba, Araxá, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. O equipamento de ondas curtas estabelece circuito direto com Recife, Salvador e Porto Alegre.

Quanto às obras do Departamento de Viação e Obras Públicas, divulgam-se os seguintes detalhes: foram construídos 108 pontes, viadutos e passagens subterrâneas, com o comprimento total de 3.760 metros, numa área de 46.710 metros quadrados. Na implantação do Plano Piloto e nas estradas já pavimentadas, foram escavados, até hoje, 31.222.900 metros cúbicos de materiais. Brasília – diz o Engenheiro Moacyr Gomes de Souza – tem realmente uma área pavimentada muito grande, com avenidas extraordinariamente grandes. A área pavimentada é bem superior à de Belo Horizonte, uma vez e meia mais do que a Capital de Minas. Durante toda a execução do serviço, foi necessária a construção de 217 quilômetros de estrada de ferro e 367 quilômetros de estradas provisórias para garantir o abastecimento de início.

Na construção da cidade foram batidos vários recordes, inclusive em matéria de pavimentação. O serviço de instalação de micro-ondas, realizado em 4 meses, constituiu um dos recordes. Também houve recordes na construção de pontes: há várias pontes aqui, de concreto, de 35 a 40 metros, construídas em vinte e poucos dias. O Engenheiro Gomes de Souza diz ainda que ali existe realmente o espírito de Brasília, que é o entusiasmo de todos que estão trabalhando nas obras, responsável por esses recordes nacionais e talvez internacionais.

 

Sábado, 16 de abril de 1960

Loba romana – Em carta dirigida ao Embaixador Aluizio Napoleão de Freitas Rêgo, Chefe do Cerimonial da Presidência da República, o Senhor Carlo Enrico Giglioni, Encarregado de Negócios da Itália, informa que o Governador de Roma entregará ao Embaixador do Brasil na Itália, destinada a Brasília, uma loba romana de bronze.

Supremo Tribunal Federal – Iniciando os preparativos para a instalação solene do Supremo Tribunal Federal em Brasília, às 9h30m de 21 de abril, seguirá para a Nova Capital na próxima quarta-feira, dia 20, o Presidente, Ministro Barros Barreto, que viajará em companhia do seu oficial do Gabinete, Sr. Ruy Machado de Brito. Amanhã, domingo, seguirá para Brasília, o Secretário Geral da Presidência da República, Sr. Ismael Cavalcanti.

Após a sessão solene de instalação em Brasília, o Supremo Tribunal Federal permanecerá em recesso, até que se iniciem seus trabalhos de julgamentos.

Tribunal Federal de Recursos – A Presidência do Tribunal informa à imprensa que, em sessão realizada na última quarta-feira, dia 13, ficou deliberado o seguinte: a) ter sido realizada, naquele dia, aúltima sessão do Tribunal no Rio de Janeiro; b) o Tribunal está em recesso, não correndo prazos de qualquer natureza, nem havendo tramitação alguma, até a transferência integral e reinício dos trabalhos em Brasília; c) os funcionários continuarão com o regime normal, tratando e auxiliando a movimentação para a mudança, com as atribuições determinadas pelo Presidente, Ministro Afrânio Antônio da Costa.

A sessão solene de instalação do Tribunal Federal de Recursos, em Brasília, será realizada às 10h30m, do próximo dia 22.

 

Domingo, 17 de abril de 1960

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A rodovia Belo Horizonte-Brasília (BR-7), com extensão de 747 quilômetros, todos pavimentados, é hoje oficialmente inaugurada, embora tenha sido entregue ao tráfego público desde 31 de janeiro último, quando foi percorrida pela Coluna da Caravana de Integração Nacional que partiu do Rio de Janeiro.

Nas suas obras foram aplicados 4 bilhões e 700 milhões de cruzeiros pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, responsável por 556 km da rodovia.

A construção da BR-7 decorreu da Lei número 3.273, de 1º de outubro de 1957, que fixou para 21 de abril de 1960 a transferência da Capital da República para Brasília e incluiu a ligação rodoviária entre a antiga e a nova Capital, através de Belo Horizonte, no plano federal de rodoviação.

O traçado espontâneo para essa via terrestre impôs o aproveitamento do trecho Rio de Janeiro-Belo Horizonte, que constitui uma estrada federal, a BR-3, já inteiramente concluída e pavimentada.

A BR-7 compreende, do ponto de vista de sua execução, três trechos distintos:

1) do km zero ao km 134, entre Belo Horizonte e a localidade de Lajes do Jacaré, forma a Rodovia Estadual MG-1, construída e pavimentada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais;

 

2) da Lagoa do Jacaré (km 134) à divisa do novo Município Federal (km 700) – trecho de 566 km – foi construída e pavimentada pelo D.N.E.R;

 

3) do km 700 ao km 747, trecho inteiramente situado no polígno do novo Município e que atinge o centro de Brasília, foi executado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP).

 

Diante do exíguo prazo de que se dispunha para concluir a BR-7 antes de 21 de abril, foi natural que se aproveitasse o trecho de 134 km da Rodovia MG-1, construído pelo Governo de Minas em direção ao norte do Estado.

Desta forma, transferiu-se o ponto de partida da BR-7 para Lagoa do Jacaré, uma vez que isto implicava, de outra parte, em incorporar à nova rodovia uma das zonas mais prósperas de Minas Gerais, altamente industrializada, e onde se encontram Pedro Leopoldo, Matozinhos, Sete Lagoas e Paraopeba.

 

Esse aproveitamento é justificado, ainda, pelo fato de ser mínimo o alongamento do traçado entre Belo Horizonte, Lagoa do Jacaré e Três Marias em relação à diretriz ideal que une os pontos extremos desse subtrecho, notando-se que a passagem da estrada a jusante da Barragem de Três Marias é condição obrigada do traçado.

De Lagoa do Jacaré em direção a Brasília, a diretriz da BR-7 foi fixada com passagens em Felixlândia, Três Marias, Canoeiros, João Pinheiro e Paracatu, em Minas Gerais, fazendo-se a transposição do rio São Francisco a três quilômetros a jusante da barragem em construção pela CEMIG. Em seguida, a estrada transpõe o rio São Marcos e entra no Estado de Goiás, passando em Cristalina e nas vizinhanças de Luziânia, para atingir finalmente o novo Distrito Federal.

O trecho de 566 quilômetros construído pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem atravessa em oitenta por cento, aproximadamente, do seu traçado, região levemente ondulada ou mesmo plana, que constitui os chamados cerrados do Oeste mineiro.

Ainda assim, 21 milhões de metros cúbicos de terra foram escavados, a fim de implantar o leito da estrada sobre o terreno. Além disso, mais quatro milhões de solos selecionados foram escavados e transportados para constituírem, depois de cuidadosa compactação executada sob rigoroso controle técnico, a base estabilizada que suporta o pavimento asfáltico, cuja área reveste nada menos de quatro milhões de metros quadrados.

O pavimento executado pelo D.N.E.R, na Belo Horizonte-Brasília, constitui-se de um tratamento superficial betuminoso duplo, sobre base granular mecanicamente estabilizada que foi dimensionada pelo método do índice Suporte Califórnia para uma carga de 5.500 kg em cada roda. De um modo geral, empregou-se uma base de 20 cm de espessura constante, precedida de sub-base e reforço do sub-leito variáveis com as condições locais.

Para a pavimentação asfáltica tão somente foram extraídas e britadas 125 mil toneladas de pedra, enquanto 23 mil toneladas de ligantes asfálticos foram transportadas da Refinaria Artur Bernardes, em Cubatão (São Paulo).

Trinta e quatro rios exigiram outras tantas pontes de concreto armado para a sua transposição. Incluída uma passagem superior sobre a Rodovia MG-1, no trevo inicial em Lagoa do Jacaré, os cumprimentos dessas obras totalizam 3.177 metros. Isto só por si constitui obra de arrojo, porque significa que 5 metros de ponte tiveram de ser concretados durante dois anos, em cada dia de trabalho, contados domingos e feriados.

Entre as pontes da BR-7, destacam-se a do rio São Francisco, a mais longa, com 360 metros de comprimento; a do rio São Marcos, com 270 metros, na divisa Minas Gerais-Goiás; a do rio da Prata, com 190 metros; a do rio São Bartolomeu, com 192 metros; e a do rio do Sono, com 170 metros.

As primeiras máquinas chegaram aos canteiros de serviço em abril de 1958, pelo que o prazo efetivo de construção da estrada foi precisamente em dois anos.deduzidos, porém, os domingos, os feriados e os dias santificados, o prazo útil de execução (incluídos os dias de chuva em que não se pode trabalhar) foi de 556 a 570 dias. A média da produção efetiva na BR-7 corresponde, portanto, aum quilômetro de estrada por dia, desde o desmatamento, a construção dos bueiros e dos drenos, as cercas marginais, a implantação propriamente dita do leito estradal até a construção das pontes e da pavimentação betuminosa.

O projeto da BR-7, no trecho executado pelo D.N.E.R., obedece às exigências da estrada da classe Especial das “Normas para o Projeto de Estradas de Rodagens” aprovadas pela Portaria no. 19, de 10 de janeiro de 1949, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Suas características gerais são as seguintes: Extensão: 566 km; raio mínimo: 214,18 metros, havendo grande predominância de curvas com raio superior a 600 metros; rampa máxima: 6%; pontes e viadutos: 35, com total de 3.177 metros; pavimentação: tratamento superficial duplo com emprego exclusivo de ligantes de produção nacional; investimento realizado pelo DNER: 4,7 bilhões de cruzeiros.

 

Serviço telefônico – O Presidente Juscelino Kubitschek inaugura, no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, pedindo uma ligação para Brasília, com o Presidente da NOVACAP, o serviço telefônico entre o Rio e a nova Capital. Ao ser completada a ligação, depois de dizer ao Senhor Israel Pinheiro quem falava, o Presidente Juscelino Kubitschek declara:

- Quero congratular-me com você pela inauguração das comunicações telefônicas com Brasília, melhoramento que vem colocar a nova Capital em contato com outras grandes cidades brasileiras e com o mundo inteiro.

 

Estabelece-se um diálogo, no decorrer do qual o Presidente da República comunica que se encontrava presente, no momento da inauguração oficial, o Sr. Wally Watts, vice-presidente da RCA Victor International, a quem iria condecorar, logo em seguida, com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Estavam, igualmente, a seu lado, técnicos que haviam previsto que a obra realizada exigiria três anos. Entretanto, a mesma fora completada em cinco meses, tempo recorde.

Nesse período foram construídas 26 estações, numa extensão de 1.400 quilômetros, 52 prédios, 190 quilômetros de estradas e erguidas torres num total de 896 metros.

A ligação entre Brasília e o Rio, pelo sistema de microndas, dispõe inicialmente de 60 canais, número que será imediatamente elevado para 132.

 

Cruz de Cabral – Por via aérea, chega ao Rio de Janeiro, o Cônego Luciano Afonso dos Santos, do Cabido da cidade portuguesa de Braga, trazendo a cruz com que foi celebrada por Frei Henrique de Coimbra, em 1500, a Primeira Missa no Brasil. A cruz será levada para Brasília, onde permanecerá durante as solenidades de inauguração da nova Capital brasileira.

 

Segunda-feira, 18 de Abril de 1960

 

Organização Judiciária – O Diário Oficial publica a Lei no. 3.754, de 14 de abril de 1960, que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília e dá outras providências.

O Diário Oficial publica ainda as razões pelas quais o Presidente Juscelino Kubitschek vetou alguns dos dispositivos do texto aprovado pelo Congresso Nacional.

 

Comemorações em Ouro Preto – Em Ouro Preto, o Presidente Juscelino Kubitschek participa das festividades comemorativas de mais um aniversário do suplicio de Tiradentes, desta feita antecipadas pelo fato de estar marcada para 21 do corrente a mudança da Capital para Brasília. Na Praça Tiradentes, de um palanque, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que se refere ao exemplo histórico dos Inconfidentes e à construção de Brasília como ponto de partida para uma nova era histórica no país.

 

NOVACAP – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Guilherme Machado para o cargo de Diretor da Novacap, na vaga do Senhor Íris Meinberg.

Prefeito de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek nomeia o Senhor Israel Pinheiro da Silva para o cargo de Prefeito do Distrito Federal de Brasília.

Exposição de Nova York – A imprensa assinala que o stand do Brasil na XV Feira Mundial de Nova York, a inaugurar-se no próximo dia 4 de maio, terá como tema central Brasília. O projeto, extremamente harmonioso, procurou captar o sentido arquitetônico da nova Capital, em suas linhas de singeleza e simplicidade. O pavilhão reproduz, externamente, o Palácio da Alvorada. Atrás das colunas, internamente – de maneira a não serem vistas do lado de fora – ficarão situadas as vitrinas, em que serão expostos, em pequena quantidade, de forma quase que simbólica, os principais e mais expressivos produtos brasileiros, significando o progresso do Brasil atual. Máquinas colocadas ao fundo do pavilhão, responderão, automaticamente, às mais variadas perguntas sobre nosso país. Nas paredes, serão colocados mapas luminosos do Brasil e de Brasília. A organização do pavilhão brasileiro está a cargo do Senhor Francisco Medaglia, Direto do Escritório Comercial do Brasil em Nova York.

Ordem dos Advogados – O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil designa uma comissão, sob a presidência do Professor Nehemias Gueiros, para providenciar a instalação da Seção da Ordem no novo Distrito Federal de Brasília.

Ministério da Saúde – Ao embarcar para Brasília, o Professor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, dirige a seguinte mensagem ao povo do Rio de Janeiro:

“Ao deixar o Rio de Janeiro com destino a Brasília, nova Capital da República, é com a mais grata satisfação que me dirijo aos cariocas para externar-lhes a minha acendrada esperança no futuro do Estado da Guanabara, que será o marco decidido da expansão e do progresso do seu povo.

Se Brasília, obra memorável e ciclópica do presidente Juscelino Kubitschek, representará para a pátria brasileira a bendita e promissora evolução do seu desenvolvimento econômico, também o Estado da Guanabara irá representar um dos seus maiores pontos de apoio, quer no aspecto político cultural, quer no econômico, conjunto de fatores que assegura ao Rio, de muito tempo, um lugar de alto destaque no cenário do Brasil. A frente do Ministério da Saúde, aqui no Rio, não desfitei um só momento o panorama imenso do Brasil, empenhando-me pela melhoria crescente do estado sanitário do seu ‘hinterland’, propiciando melhores condições de saúde às suas gentes. Todavia, nem por isso mesmo, o Ministério da Saúde descurou-se do seu dever para com as grandes metrópoles que concentram, em seus limites, milhões de patrícios e semelhantes necessitados de assistência médico-social.
Agora, que Brasília será o elo visível da integração e da unidade nacional, continuarei no recesso do planalto central, no mesmo posto, olhando o Brasil caminhar para as suas novas dimensões, impulsionando, com o entusiasmo que sempre foi o meu apanágio, a máquina do Ministério da Saúde, no sentido de tornar o Brasil um país livre das grandes endemias que ainda flagelam suas populações.
A esta Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro o Ministério da Saúde não faltará com a sua colaboração marcadamente interessada no seu bem-estar, principalmente por dever de gratidão para quem carinhosamente hospedou o Governo da Nação por quase dois séculos sem desvincular-se da nobre e brava independência cívica de seus filhos de tão fecundas realizações para a Pátria comum.
Em Brasília, serei um carioca a serviço do Brasil."

Inspetoria Florestal – O Presidente Juscelino Kubitschek cria, em decreto, a Inspetoria Florestal do Distrito Federal de Brasília.

Fuzileiros Navais – Chegam a Brasília os fuzileiros navais e marinheiros integrantes da Operação Alvorada, e que realizaram o percurso Rio de Janeiro-Brasília à pé.

Supermercado – Inaugura-se em Brasília o moderno supermercado para abastecimento inicial dos moradores do Plano Piloto, com 60 funcionários especializados.

Terça-feira, 19 de abril de 1960

Cardeal Cerejeira – Chega ao Rio de Janeiro Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa e Legado Pontifício para a inauguração de Brasília. Do "Vera Cruz", em que viaja, Sua Eminência passa para a lancha "Garça", do Ministério da Marinha. No Ministério, a "Garça" atraca junto ao mastro da Bandeira, desembarcando, em primeiro lugar o Cardeal Dom Manuel Gonçalves Cerejeira e o Sub-chefe do Cerimonial do Itamarati. Ao atingir o topo da escada, o Legado Pontifício, após ser saudado pelo comandante do 1º Distrito Naval, dirige-se, acompanhado do Sub-chefe do Cerimonial, para a esquerda do mastro da Bandeira. Os demais membros da comitiva colocam-se em linha, à esquerda e junto à escada em que desembarcaram, com a frente voltada para o edifício do Ministério.
Em seguida, são executados os Hinos Pontifício e Nacional, ouvindo-se, simultaneamente, as salvas de estilo. Terminado o Hino Nacional, o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek trocam demorado aperto de mão. Findos os cumprimentos, o comandante da Guarda de Honra apresenta-se ao Legado Pontifício e convida-o a passar em revista a tropa. Ao deslocar-se o Legado Pontifício para a testa da Guarda de Honra, o Presidente Juscelino Kubitschek dirige-se para o local onde se encontram as altas autoridades civis, militares e eclesiásticas.
Terminadas as apresentações, inicia-se o cortejo e, no momento em que o Cardeal Cerejeira e o Presidente Juscelino Kubitschek se dirigem para o carro presidencial, a Guarda de Honra apresenta continência e a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o "Cisne Branco". Tendo à frente o carro presidencial, o cortejo desloca-se em direção à Praça Barão de Ladário. Ao longo da Avenida Rio Branco e demais artérias do itinerário, estavam formados contingentes do Exército, Marinha e Aeronáutica, constituindo o Destacamento Misto, sob o comando de um Oficial-General do 1º. Exército.
Na confluência da rua Visconde de Inhaúma com a Avenida Rio Branco, os Dragões da Independência passam a escoltar o cortejo presidencial, ao mesmo tempo em que uma chuva de flores e papéis picados desce do alto dos edifícios da Avenida Rio Branco. Durante todo o trajeto pela principal artéria da cidade enorme multidão aplaude o Cardeal Cerejeira, dando vivas a Portugal e Brasil.

Palácio Itamarati – O Presidente Juscelino Kubitschek preside, no Palácio Itamarati, a reunião da Comissão Brasileira da Operação Pan-Americana, despedindo-se, ao mesmo tempo, do funcionalismo do Ministério das Relações Exteriores. Após a reunião, o Presidente da República dirige-se ao salão em que se realiza o ato inaugural da Exposição de Antecedentes Históricos de Brasília, organizada em estreita colaboração entre o Serviço de Documentação da Presidência da República e a Divisão Cultural do Ministério das Relações Exteriores.
Da referida mostra constam vários quadros e painéis, todos documentando a idéia da construção da Capital do Brasil no interior, desde o tempo em que Tomé de Sousa se instalou na Bahia como Primeiro Governador Geral do Brasil.
Um dos ângulos mais interessantes da Exposição se situa na documentação referente aos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, em que a sentença de condenação dos acusados faz referencias ao fato de que os inconfidentes também estavam imbuídos da idéia de mudar a capital da Capitania de Minas Gerais, de Vila Rica para São João Del Rei. Enriquece ainda a Exposição uma coleção de mapas antigos, pertencentes à Mapoteca do Itamarati, onde se inclui o Planisfério de Jerônimo Marini, datado de 1518, original adquirido pelo Barão do Rio Branco.
Também faz parte da mostra o famoso mapa de Tozzi Colombina, com que esse geógrafo instruiu, em 1750, o seu pedido de concessão para instalar uma linha de diligencias partindo do Rio de Janeiro para atingir os confins do Oeste.
Vários objetos históricos que pertenceram a Tiradentes e José Bonifácio também constam da exposição, onde se vê o autografo da Constituição de 1891, em que pela primeira vez figura o dispositivo mudancista. Vê-se ainda na Exposição o original da emenda de Rui Barbosa à redação do mesmo dispositivo, além do farto material fotográfico relacionado com homens e fatos ligados à evolução da idéia da interiorização, desde o Marechal Floriano Peixoto até o Presidente Juscelino Kubitschek, focalizando também a criação da Novacap e a escolha do Plano Piloto de Lucio Costa.

Presidente Gronchi – A propósito da inauguração de Brasília, o Presidente da República Italiana dirige o seguinte telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek:

"Ao ensejo da inauguração da nova Capital – Brasília – em dia fausto para a latinidade, quero fazer chegar ao povo brasileiro a saudação e os votos de felicidade do povo italiano e meus pessoais, votos por um futuro de prosperidade sempre crescente, através da constante consolidação das instituições democráticas e do progresso da vida econômica e social.
O povo italiano não se sente alheio à intrépida valorização dos recursos inexauríveis da terra brasileira, à qual, sob a orientação válida e genial de Vossa Excelência, se dedica o povo brasileiro com o espírito de iniciativa e a capacidade de trabalho que lhe são peculiares, o que tive ensejo de admirar de perto.
Como no passado, o povo italiano deseja contribuir com o trabalho e o pensamento – numa união de propósitos e de obras – não somente no interesse comum dos nossos dois países, como também no tocante a uma convivência mais segura e feliz de todos os povos num clima de liberdade, justiça e paz."

Rodovia Fortaleza-Brasília – Uma caravana de onze veículos, todos de fabricação nacional, parte de Barreiras, Bahia, rumo a Brasília, numa demonstração do adiantamento das obras da rodovia Fortaleza-Brasília. No primeiro dia, a caravana vai pernoitar em Goiás, na cidade de Posse, após percorrer uma grande reta de 215 km no vale que divide as águas do São Francisco das do Tocantins.
A caravana dos operários construtores da grande artéria que está unindo o Nordeste à Capital do planalto tem por objetivo, além de dar por aberto ao tráfego o trecho que vai do interior do Estado da Bahia à nova Capital, levar uma mensagem cordial ao grande número de conterrâneos seus que ali trabalham nos serviços de construção civil ou nas vias de penetração que para lá se dirigem, como a Belém-Brasília, conforme se lê numa faixa colocada sobre o primeiro veiculo, saudando "os candangos que, com o espírito de Brasília, construíram a nova Capital".
Sobre a rodovia, o Diretor Geral do DNOCS diz à imprensa:

"Consideramos aberto ao tráfego o trecho da Nordeste-Brasília que vai de Barreiras à nova Capital com a cobertura do percurso pelos veículos do Departamento em tempo considerado normal para estradas não pavimentadas. A rodovia, naturalmente, carece de obras complementares até o seu asfaltamento, serviços que serão continuados sem interrompimentos. O trecho Fortaleza-Barreiras, cujo prazo de conclusão foi fixado pelo Presidente Juscelino Kubitschek, será entregue ao transito em setembro próximo pelo Chefe de Governo."

Mensagem presidencial – O Presidente Juscelino Kubitschek dirige ao povo carioca, através da Voz do Brasil, a seguinte mensagem de despedida:

"A tranqüilidade de consciência pelo dever cumprido se reúne a tristeza do adeus a esta encantadora cidade do Rio de Janeiro que, com inexcedível generosidade, hospedou o governo durante quase dois séculos.
A transferência não se faz sem o efeitos de natureza emocional. Confesso que me acho possuído, ao transmitir-vos esta mensagem de afeto e reconhecimento, pela sensação de estar perdendo alguma coisa – o privilegio de viver convosco, altivo, nobre e culto povo que, com o correr do tempo, vim a conhecer melhor e cada vez mais amar.
Estou certo de que, embora de longe, o magnetismo da vossa cidade continuará a imprimir caráter particular a decisões fundamentais para os rumos do Brasil e que os vossos centros de cultura prosseguirão jorrando a luz que dirige a marcha do Brasil para o seu grande destino.
Bem sabeis que, ao cumprir o preceito da Constituição que determina a mudança da Capital do país para o planalto central, atendemos a um imperativo de nossa formação republicana federativa. Com esse passo, remontamos às nossas raízes históricas e rendemos, aos varões ilustres que se constituíram patriarcas da Nação brasileira, homenagem das mais grandiosas de quantas lhes foram prestadas.
Deixo a responsabilidade da administração do Estado da Guanabara a um dos meus mais dedicados auxiliares, Embaixador José Sette Câmara Filho, que demonstrou, em todos os momentos, firmeza de caráter, inteligência arguta e excepcional exação no cumprimento dos deveres. Será ele um digno sucessor dos eminentes prefeitos, Drs. Sá Lessa, Negrão de Lima e Sá Freire Alvim, que o precederam, aos quais, de público, manifesto o meu mais sincero e efusivo reconhecimento pelos inestimáveis serviços prestados à cidade do Rio de Janeiro, durante o meu Governo.
Quero render, aqui, homenagem ao vosso último prefeito, Dr. Sá Freire Alvim, honrado homem público, administrador dos mais eficientes, realizador de inúmeras obras que em definitivo há de marcar a sua gestão à frente do executivo municipal.
Ao despedir-me, asseguro que, enquanto eu for Presidente da República, há de dar-vos o Governo Federal inteira colaboração, a fim de que o Rio de Janeiro mantenha o titulo com que o mundo todo o consagra – Cidade Maravilhosa."

Indulto – Logo após a leitura de sua mensagem ao povo carioca, o Presidente Juscelino Kubitschek assina o decreto que indulta todos os sentenciados primários, condenados a penas que não ultrapassem três anos de prisão e que tenham cumprido, com boa conduta, um terço das mesmas. O decreto apresenta inicialmente os seguintes considerandos:

"…considerando que a transferência da Capital da República para Brasília constitui acontecimento de singular relevância para a Nação brasileira;

considerando que todos os brasileiros devem participar desse acontecimento, inclusive os que estão em cumprimento de penas…"

Quarta-feira, 20 de abril de 1960

Partida do Presidente Juscelino Kubitschek – O Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de sua esposa e filhas, antes de embarcar para Brasília, visita pela manhã o Palácio do Catete, onde se despede de todos os funcionários que não foram transferidos para a nova Capital do país.
A cerimônia, embora simples, sem qualquer protocolo, apresenta aspecto tocante, visto que alguns servidores, não conseguindo conter a emoção, choram ao abraçar o Presidente da República.
O Chefe do Governo faz questão de reunir no seu antigo Gabinete de trabalho todos os servidores do Catete, independente de qualquer categoria funcional e, abraçando um a um, deseja a todos as maiores venturas.
Durante algum tempo de palestra com os representantes da imprensa, o Presidente Juscelino Kubitschek externa os seus agradecimentos a todos que, de qualquer forma, naquela casa presidencial, emprestaram colaboração ao seu Governo, considerando-os como cooperadores dos mais eficientes.
Falando em nome dos jornalistas credenciados no Palácio do Catete, o Sr. Valdemar Bandeira, decano da Sala de Imprensa, agradece as atenções com que o Presidente da República sempre os distinguiu.
Ao retirar-se do Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek é alvo de significamente manifestação de apreço e carinho por parte de alunos da Escola Rodrigues Alves contígua ao Palácio Presidencial, que, agitando lenços brancos, se despediam do Chefe do Governo. Nessa ocasião, a Sra. Sarah Kubitschek, visivelmente emocionada, não consegue esconder as lágrimas, o mesmo acontecendo com suas duas filhas.
Com esforço, o Presidente da República consegue entrar no automóvel, pois a massa popular que o aplaude dificulta sua locomoção, e somente a muito custo os batedores conseguem romper a aglomeração popular e rumar para o Aeroporto.
O Presidente da República, acompanhado da Sra. Sarah Kubitschek e de suas duas filhas Márcia e Maristela, chega ao Aeroporto Militar Santos Dumont pouco antes das 10 horas sendo aguardado por numerosas pessoas que vão apresentar as despedidas ao Chefe da Nação.
Após os cumprimentar a todos quantos se encontram no Aeroporto Militar Santo Dumont, o Presidente Juscelino Kubitschek, tendo ao lado a Senhora Sarah Kubitschek e suas duas filhas Márcia e Maristela, sobe as escadas do ‘Viscount’, volta-se para a multidão e dá um ‘Viva o Estado da Guanabara’.


Foto: Arquivo Público do DF

Chave de Brasília – A abertura das solenidades de inauguração de Brasília dá-se com a chegada do Presidente Juscelino Kubitschek à Praça dos Três Poderes, a fim de receber das mãos do Presidente da Novacap a chave simbólica da cidade. O Presidente da República é recebido por grande multidão e, após agradecer os aplausos populares, toma lugar na tribuna fronteira ao Palácio do Planalto, em companhia de sua esposa e filhas e do Senhor Israel Pinheiro. Este, entregando a chave de ouro da cidade, profere discurso em que exalta a construção de Brasília.
Após um orador popular, o Presidente Juscelino Kubitschek profere seu discurso de agradecimento.
Finda a oração presidencial, o Senhor Israel Pinheiro oferece ao Presidente Juscelino Kubitschek o Livro de Ouro onde se consignam os nomes de todos aqueles que construíram Brasília, do Catetinho à Praça dos Três Poderes.
A cerimônia encerra-se com a entrega ao Senhor Israel Pinheiro, pelo Presidente Juscelino Kubitschek, da Ordem Nacional do Mérito.

Cardeal Cerejeira – Viajando por via aérea, procedente do Rio de Janeiro, chega a Brasília Sua Eminência o Cardeal Cerejeira, Legado Pontifício, sendo recebido no Aeroporto Internacional de Brasília pelo Presidente da República, Ministros de Estado, Cardeais, parlamentares e autoridades civis e militares, congregações religiosas e grande massa popular.
Logo após descer do avião e ao receber os cumprimentos de boas-vindas do Presidente Juscelino Kubitschek e auxiliares do seu Governo, o Cardeal Manuel Cerejeira ouve a execução do Hino Pontifício e do Hino do Brasil, passando, a seguir, revista a um contingente misto do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, ocasião em que uma bateria do Exército dá as salvas de estilo.
Após essas cerimônias de estilo, o Legado Pontifício é apresentado pelo Chefe do Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores às autoridades presentes, dentre elas o Vice-Presidente da República, Sr. João Goulart, o Presidente da Câmara dos Deputados, Sr. Ranieri Mazzilli, o Ministro Barros Barreto, Presidente do Supremo Tribunal Federal, aos Cardeais brasileiros, aos Ministros de Estado e autoridades dos três Poderes da República.
Logo após, o Legado Pontifício, em companhia do Presidente Juscelino Kubitschek e autoridades dirige-se para sua residência oficial durante a sua permanência nesta cidade, recebendo durante o trajeto as mais calorosas manifestações de carinho do povo de Brasília.

Missa Solene – Às 23h30m, coloca-se no altar armado na Praça dos Três Poderes, em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal, a Cruz histórica da frota de Pedro Álvares Cabral, trazida de Braga para a Missa da inauguração de Brasília.
A Missa solene em ação de graças, iniciada às 23h45m, é oficiada pelo Legado Pontifício, Cardeal Cerejeira, acolitado pelos Cardeais brasileiros – D. Augusto Álvaro da Silva, da Bahia; D. Jaime de Barros Câmara, do Rio de Janeiro; e D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, de São Paulo.


Foto: Arquivo Público do DF

A importante cerimônia ao ar livre é presenciada pelo Presidente Juscelino Kubitschek e sua esposa, colocados em local próximo e fronteiriço ao altar; pelas altas autoridades do país, dispostas em área à esquerda do Chefe do Governo; pelos numerosos representantes diplomáticos, colocados à direita, e pelo povo, operários, funcionários e milhares de visitantes.
Antes de ser iniciada a missa é lido um ‘breve’ pelo qual o Papa João XXIII nomeia o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, Patriarca de Lisboa, Legado ‘a-latere’ à inauguração de Brasília. O ‘breve’ é lido em latim e português, sendo, em seguida, o Cardeal Legado conduzido para o trono pontificial a fim de ser paramentado para a Missa.
Todo o cerimonial é descrito por D. Hélder Câmara. O Arcebispo-Auxiliar do Rio de Janeiro exorta o povo brasileiro a, unido, marchar para o progresso que despontava com aquele empreendimento do Governo de Juscelino Kubitschek, considerado no mundo inteiro como um marco glorioso na vida de um povo. As palavras de D. Hélder, pedindo ao povo que orasse pela glória de Deus e do Brasil, são ouvidas em silencio pela multidão que se encontra na Praça dos Três Poderes. O Coro Renascentista canta o "Kyrie Eleison" e, pouco depois, entoa outras peças sacras, acompanhado da Orquestra de Câmara de São Paulo.
No momento da elevação do Santíssimo, a banda do Corpo de Fuzileiros Navais executa o Hino Nacional e todo o logradouro é iluminado por dezenas de refletores.

Quinta-feira, 21 de abril de 1960

Missa Solene
– Ao final da Missa solene em ação de graças pela inauguração de Brasília, cuja celebração começara às 23h45m do dia 20 de abril, Sua Eminência o Legado Pontifício profere vibrante alocução em saudação a Brasília, procedendo em seguida a benção da nova Capital. O Patriarca de Lisboa, nesse ato, segue o ritual preparado pela Sagrada Congregação do Concílio. Após a leitura da benção papal ao povo brasileiro, o Cardeal Cerejeira abençoa a bandeira brasileira, que já ostentava a alteração concernente ao Estado da Guanabara.

Benção Papal – Aos 45 minutos do dia 21 de abril, através da Rádio do Vaticano, diretamente de Roma, Sua Santidade o Papa João XXIII dirige ao Brasil, com sua Benção Apostólica, a seguinte mensagem de saudação:

"Aos queridos filhos do grande e nobre Brasil:
É com o maior júbilo para o nosso coração de pai comum que aproveitamos a oportunidade da inauguração da nova Capital do Brasil para dirigirmos ao seu laborioso e generoso povo nossa palavra e nossa benção. Muito nos agrada saber que em tão solenes celebrações, em que tomamos parte na pessoa de nosso Legado, sobressaem as cerimônias de caráter religioso, para invocar a Deus novas bênçãos e favores sobre a Nação inteira. Da Bahia de Todos os Santos a Piratininga e ao Rio de Janeiro, sob o impulso do exemplo sempre vivo de Nóbrega e Anchieta, e encorajado pelas proezas heróicas das Bandeiras do Sul e das Jornadas do Norte, o Brasil, pelo arrojo do seu Presidente, assenta os arraiais da sua nova Capital no planalto central de seu imenso e rico território, qual vigil atalaia sobre os destinos da nação. Brasília há de se constituir, assim, um marco miliário na história já gloriosa da Terra de Santa Cruz, abrindo novos sulcos de amor, de esperança e de progresso entre as suas gentes, que, unidas na mesma fé e língua, se tornarão aptas aos maiores cometimentos. Pedimos a Deus que, continuando a derramar em abundância as Suas graças, faça do Brasil uma nação cada vez mais forte, grande e livre, à luz do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja, contra tudo aquilo que lhe possa minar a força, comprometer a grandeza e diminuir a liberdade. Com estes sentimentos e votos ao querido povo brasileiro, hoje espiritualmente reunido, com o seu Episcopado e Clero e, particularmente, ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República e a todas as autoridades, bem como aos técnicos e operários que contribuíram, com as suas canseiras, para a realização de tão grande obra, concedemos, de todo o coração, a nossa especial Benção Apostólica."

Despachos presidenciais
– Em Brasília, a despeito do intenso programa de festas da inauguração da nova Capital, o Presidente Juscelino Kubitschek despacha com seus auxiliares imediatos numerosos assuntos de interesse da administração pública, notadamente questões ligada à organização do novo Distrito Federal e à instalação dos serviços públicos em Brasília.


Foto: Arquivo Público do DF

Alvorada – Às 8 horas da manhã, na Praça dos Três Poderes, com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek, altas autoridades e grande massa popular, executa a Banda do Batalhão de Guardas o toque da Alvorada, após o que o Presidente da República hasteia o pavilhão nacional, ao som do Hino Nacional.
Após o hasteamento da Bandeira, o Presidente Juscelino Kubitschek profere as seguintes palavras:


Foto: Arquivo Público do DF

"Cabe-me a honra de içar neste momento a Bandeira Nacional. Faço-o com emoção que dificilmente poderia exprimir. Esta e todas quantas agora se hasteiam, não importa em que sitio de nosso imenso território, ostentam uma estrela a mais. Porque o país cresceu, se animou do espírito criador, e este espírito criador produziu mais uma entidade na Federação. Ai está a estrela do Estado da Guanabara que se vem juntar aos vinte Estados que giram harmoniosamente em torno de Brasília, Capital Federal da pátria brasileira, centro das futuras decisões políticas, cidade da esperança, torre de comando da batalha pelo aproveitamento do deserto interior.

A bandeira que vai tremular nos céus do Brasil simbolizará um país que se tornou maior. Sinto agora a mesma vibração, o mesmo entusiasmo, o mesmo tremor que sentem todos aqueles que estão praticando o mesmo gesto nos quatro cantos da Pátria. Meu pensamento volta-se, neste instante, para as novas gerações que hão de recolher o fruto de nossos trabalhos e encontrar um Brasil diferente daquele que encontramos, um Brasil integrado no seu verdadeiro destino. Diante da Bandeira Nacional, com suas vinte e duas estrelas, saúdo os pioneiros, os que lutaram para que chegássemos ao que somos, e saúdo os filhos dos nossos filhos para os quais, sem medir esforços e sacrifícios, erguemos as bases da nossa grandeza futura."


Fotos: Arquivo Público do DF

Círculo Diplomático – Às 8h30m, os Embaixadores estrangeiros em Missão Especial à inauguração de Brasília comparecem ao Palácio do Planalto, a fim de apresentar cumprimentos ao Presidente Juscelino Kubitschek, com toda a solenidade prevista no protocolo. De cada um dos Chefes de Missão o Presidente Kubitschek ouve os mais calorosos elogios à nova Capital.
O senhor John Moors Cabot, Embaixador dos Estados Unidos da América, entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek a seguinte carta do Presidente Dwight D. Eisenhower:

"Prezado Senhor Presidente:
Vossa Excelência certamente se lembrará de quão grandemente fiquei impressionado durante o nosso encontro em Brasília, em fevereiro último, com o extraordinário empreendimento do Governo e do povo brasileiro construindo essa inspiradora nova Capital. Nesta festiva ocasião da inauguração de sua grande cidade do futuro desejo renovar minhas congratulações a Vossa Excelência pela sua visão e esforço e pelo esplendido espírito do povo livre do Brasil, com os meus calorosos cumprimentos. Sinceramente, Dwight Eisenhower."

Embaixador do Uruguai – Logo após a recepção dos Embaixadores em Missão Especial, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe, no Palácio do Planalto, as credenciais do novo Embaixador do Uruguai, Senhor Salvador Ferrer Serra.

Poder Executivo – Após o Círculo Diplomático, o Presidente Juscelino Kubitschek reúne, no Palácio do Planalto, os Ministros de Estado, para instalação do Poder Executivo em Brasília, em presença também dos Embaixadores estrangeiros e de altas autoridades. Nessa reunião, declarando instalado o Executivo, o Presidente Juscelino Kubitschek profere discurso em que assinala a importância do momento histórico.

Congresso Nacional – Enquanto se processa no Palácio do Planalto a cerimônia de instalação do Poder Executivo, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados realizam, em suas respectivas salas, sessões preparatórias da reunião conjunta a celebrar-se mais tarde, presidido o Senado Federal pelo Senhor João Goulart, e a Câmara dos Deputados pelo Senhor Ranieri Mazzilli.
Às 11h30m, as duas Câmaras reúnem-se no recinto da Câmara dos Deputados, para instalação solene do Congresso Nacional. Comparecem à solenidade o Presidente Juscelino Kubitschek, o Legado Pontifício, os Embaixadores em Missão Especial, Governadores e Ministros de Estado e altas autoridades civis, militares e eclesiásticas.
Discursando, o Senhor João Goulart, Vice-Presidente da República, profere a oração em que declara instalado o Congresso Nacional na nova Capital.
Falam, a seguir, o Senador Filinto Muller, Vice-Presidente do Senado Federal e o Deputado Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados.

Arquidiocese de Brasília – Ás 10h15m instala-se no local da futura Catedral de Brasília a Arquidiocese da nova Capital. A cerimônia, oficiada pelo Núncio Apostólico no Brasil, Monsenhor Armando Lombardi, conta com a presença do Legado Pontifício e de altas autoridades. É então empossado solenemente o Arcebispo de Brasília, Dom José Newton de Almeida Batista.

Supremo Tribunal Federal – Ás 9h30m instala-se em seu Palácio, o Supremo Tribunal Federal, em cerimônia a que todos os Ministros comparecem de toga e capelo.
A sessão é presidida pelo Ministro Frederico de Barros Barreto, estando presentes nos Ministros Lafayette de Andrada, Vice-Presidente; Nelson Hungria, Villas Boas, Cândido Motta Filho, Gonçalves de Oliveira, Sampaio Costa e Vasco Henrique D’Ávila e ainda o Procurador Geral da República, Sr. Carlos Medeiros Silva.
Por motivos justificados deixam de comparecer à solenidade os Ministros Luiz Gallotti, Ribeiro da Costa, Ary Franco, Hahnemann Guimarães e Rocha Lagoa.
Iniciando os trabalhos, o Ministro-Presidente profere o seguinte discurso:

"Cabe-me, neste momento, a honra excepcional de inaugurar a sede do Supremo Tribunal Federal na nova capital da República dos Estados Unidos do Brasil.
Honra que sobremodo me distingue, como magistrado e como brasileiro.
E, de fato, esta obra monumental parece simbolizar, na sua importância, a magnitude e importância de um dos Poderes da República, a Justiça, em sua cúpula.
Evidencia-se em suas linhas arquitetônicas, em seu acabamento, a realização desse intento de seus idealizadores.
E bem é que tão acertadamente se conceitue este Poder, pois, na palavra de Rui Barbosa, "a Justiça é a essência do Estado".
Consolida-se, por sem dúvida, o Estado, quando se assegura à sua Justiça a força e o conceito que ela merece.
Nesta Egrégia Corte, não é excessivo ressaltar, se julgam e amparam elevados interesses da nacionalidade.
Eis o Pretório Excelso em lugar condigno, para cumprir a sua nobre e augusta missão, tão nobre e augusta quanto vital para a nossa instituição democrática, da qual, como poderia ser repetido pelo Mestre inesquecível, "o eixo é a Justiça, eixo não supositício, não meramente moral, mas de uma realidade profunda e tão seriamente implantado no mecanismo do regime, tão praticamente embebido através de todas as suas peças que, falseando ele ao seu mister, todo o sistema em paralisia, desordem e subversão."
Como já disse, em outra oportunidade, a fim de conservar a coordenação dos órgãos da soberania nacional, por força do principio fundamental do regime republicano, fixado no art. 36 da Carta Maior, acerca da independência e harmonia dos poderes, sistema de freios e contrapesos, na União e nos Estados, é relevante a função do Supremo Tribunal Federal, guarda e interprete máximo da Constituição e das leis ordinárias, participando ele, destarte, na construção e preservação do regime. E, no uso de sua missão primacial, foram por ele corrigidos até preceitos das Cartas Estaduais.
Releva afirmar, outrossim, que esta Corte Suprema, na grandeza de suas atitudes, mas, dentro da esfera traçada pelo Estatuto de 1946, continuará a manter, destemidamente, suas tradições e insuperáveis prerrogativas institucionais, defendendo a aplicação das leis e exigindo respeito ao direito e aos interesses magnos da Justiça.
Neste planalto e nesta hora, em que, entre festejos e aplausos, se instala a Capital do País, espero venha a surgir uma nova era, a que tanto aspiramos, para os melhores destinos da nossa Pátria, era que se anuncia no arrojo e suntuosidade deste empreendimento de repercussão histórica, que é Brasília."

O Senhor Carlos Medeiros Silva, Procurador Geral da República, profere as seguintes palavras:
"Nesta histórica sessão, o Egrégio Supremo Tribunal Federal se congratula com a Nação brasileira no cumprimento de um dispositivo constitucional, sonho dos pioneiros de nossa independência política, promessa da República e hoje realidade.
Se outros motivos de júbilo faltassem neste dia glorioso, somente o fato da complementação constitucional, preconizada em três assembléias constituintes, bastaria para que o guardião supremo das leis se regozijasse com os demais poderes do Estado pelo grandioso acontecimento.
Mas não é possivel calar-se nesta hora e minguar os louvores ao Chefe do Poder Executivo, Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, e ao Congresso Nacional, que tão decididamente se empenharam para que a mudança da Capital da União para o Planalto Central se realizasse.
É um privilégio de nossa geração, aqui reunidos, neste dia que lembra Tiradentes, celebrando Brasília, é honra insigne, para mim, como Chefe do Ministério Público Federal poder falar a Vossas Excelências nesta cátedra.
Glória ao Pretório Excelso e a todos os seus membros pelo feliz acontecimento que ora celebramos."

O Ministro Nelson Hungria profere a seguinte oração:
"Senhor Presidente, estou certo de interpretar o sentimento e a vontade de todos os nossos ilustres companheiros nesta solenissima jornada, saudando em Vossa Excelência, o primeiro Presidente do Supremo Tribunal Federal, na sua nova sede, em Brasília, a nova Capital do Brasil.
No mesmo passo, quero congratular-me com Vossa Excelência e com os nossos colegas por nos acharmos nesta nova metrópole, em pleno coração geográfico do Brasil, em que o Poder Judiciário se acha enquadrado neste digno e dignificante Palácio.
É bem certo, Senhor Presidente, que aqui não vamos encontrar as comodidades que haviamos conquistado, através de dilatados anos, na velha Capital. Aqui vamos encontrar uma vida talvez cheia de dificuldades, de desajustes, de deficiências sob o ponto de vista material; mas, em compensação, estou certo de que aqui teremos mais tempo, mais vagar, para nossas meditações. Talvez a nossa Justiça seja ainda mais caprichosa em qualidade do que aquela que distribuimos na velha Capital. Aqui estaremos no eixo geográfico do Brasil e poderemos, por isso mesmo, realizar, na frase de Rui Barbosa, que Vossa Excelência acaba de relembrar, o ideal de Justiça como eixo do regime democrático-liberal que nos dirige.
Estou certo, Senhor Presidente, de que aqui, longe dos rumores da babilônia carioca, longe daquela cidade tentacular, que nos absorvia até a medula, com o paroxismo do seu struggle for life, nós poderemos fazer uma justiça mais profunda, uma justiça mais refletida e, mais que tudo, revestida do mais puro cunho de brasilidade.
Era o que tinha a dizer."

Ao declarar encerrados os trabalhos, o Ministro Presidente agradece a presença das altas autoridades civis e militares e outras pessoas gradas.

Marco de Brasília - Às 13,00 horas, em solenidade a que comparece o Presidente Juscelino Kubitschek, inaugura-se o marco histórico da fundação de Brasília, situado na Praça dos Três Poderes, entre os Palácios do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.
O marco inaugurado é constituído de um bloco de concreto, revestido de mármore e tendo em seu interior um modelo da cidade, contendo dados relativos à construção da Capital e ainda opiniões emitidas pelas mais diversas personalidades e entidades.
O ato foi simples e constou da leitura da "Prece Natalícia de Brasília", escrita e lida, na ocasião pelo orador oficial da solenidade, poeta Guilherme de Almeida.
Após a leitura do poema, Guilherme de Almeida oferece ao Presidente da República um exemplar do trabalho, gravado em pergaminho.


Foto: Arquivo Público do DF

Desfile militar e operário - Às 16,30 horas inicia-se no Eixo Rodoviário o desfile militar e operário, diante do Presidente Juscelino Kubitschek e altas autoridades, que passam em revista os destacamentos das escolas militares, que abriram a parada tendo à frente o esquadrão da Escola Naval, seguido da Escola de Aeronáutica, e, finalmente o esquadrão da Academia Militar das Agulhas Negras e o Batalhão da Guarda Presidencial. Seguem-se tropas que integraram as colunas militaress procedentes da Bahia e do Rio de Janeiro.


Foto: Arquivo Público do DF

Após a parada militar, desfilam os operários da NOVACAP, os contrutores de Brasília, engenheiros, técnicos e "candangos", bem como máquinas, tratores, caminhões, máquinas de terraplenagem e toda sorte de engenhos adotados em construções civis.
Em último lugar, chegam atletas que conduzem o Fogo Simbólico, que partira da Cidade de Salvador no dia 29 de março e passara pelas mãos de cerca de três mil atletas em seu percurso até Brasília. Na ocasião de receber o fogo simbólico, o acadêmico Osvaldo Orico profere discurso alusivo ao ato.
O Presidente Juscelino Kubitschek retira-se em seguida.


Foto: Arquivo Público do DF

Fogos de artificio - À noite, realiza-se um grande espetáculo de fogos de artificio, na Plataforma do Eixo Monumental.

Recepção – Encerrando o programa oficial do dia 21, realiza-se no Palácio do Planalto a recepção às altas autoridades e ao Corpo Diplomático, oferecida pelo Presidente da República e a Senhora Juscelino Kubitschek.


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