Brasília – Abril de 1958

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

 

Brasília 1958
Abril

 

Brasão de Brasília
“Brasília terá o seu brasão”, informou o presidente Juscelino Kubitschek aos jornalistas, acrescentando que o historiador Gustavo Barroso fora o encarregado de elaborar o brasão das armas da futura capital brasileira.
O campo é uma alvorada, simbolizando o despertar de uma nova era para o país. Haverá uma inscrição, cuja legenda ainda não foi aprovada. Foram sugeridas duas legendas: uma “Brasília, alvorada de um novo Brasil” e outra, em latim, “Brasília cor Brasilae”. O presidente Juscelino Kubitschek acha a primeira muito longa e tem óbvias preferências pela segunda. Contudo, ainda não decidiu sobre o assunto e não o fará sem conversar, antes, com o sr. Israel Pinheiro. Ainda a propósito da futura capital, revelou que o voluntariado aberto para o funcionamento não se restringe ao Rio de Janeiro. Todos os funcionários federais que quiserem, poderão se candidatar ao trabalho em Brasília. Ninguém irá forçado para lá.

Sol, figura obrigatória
O historiador Gustavo Barroso, diretor do Museu Histórico, incumbido pelo presidente da República de projetar o brasão de Brasília, declarou que submeteu 5 projetos ao sr. Juscelino Kubitschek e que já pediu nova audiência para apresentar mais dois desenhos. “Estes dois últimos projetos são, a meu ver, mais interessantes que os anteriores. É meu propósito nada sugerir ao presidente da República, para que assim possa ele escolher o brasão a seu gosto, mas creio que esses últimos são melhores”
O historiador patrício declarou que me todos os projetos, sem exceção, o sol, como símbolo da alvorada, do porvir, do futuro do país, é figura obrigatória.
“O presidente da República denominou o palácio do governo em construção de Palácio da Alvorada e através disso, cheguei à compreensão de que o brasão de Brasília deve ter como idéia central, o sol nascente, que significa alvorada”.
Como o brasão da Nova Capital não deve somente simbolizar o presente e o futuro, pois a própria decisão que levou a sua construção no “hinterland” brasileiro tem ligação com o nosso passado, haverá nas armas de Brasília, alguma coisa do nosso passado, de nossa história.
“Como ideais constantes, isto é, ideais que figuram em todos os projetos que apresentei ao presidente da República, ressaltam, além do sol (alvorada), a cruz de Cristo, que lembra a colonização; a coroa imperial, que evoca o Brasil Imperial, e o barrete da República, que simboliza o nosso período republicano”.
Além desses elementos que se traduzem em traços e cores, o brasão de Brasília incluirá também uma legenda, que ainda não foi definitivamente escolhida.
A inscrição poderá ser em português, e nesse caso seria “Brasília, alvorada de um novo Brasil”, que em latim, como na boa técnica heráldica, e nessa hipótese, seria – “Brasília Brasilae Cor”. O historiador Gustavo Barroso revelou, por fim, que prefere a inscrição latina, por ter, entre outras, a vantagem de ser mais curta.

Primeiro Contingente da FAB
Em avião comandado pelo major aviador Francisco de Assis Oliveira Lopes seguiu o primeiro contingente de cabos e soldados da Força Aérea Brasileira, designada para servir na futura capital da República.

Presidente da Caixa Econômica
Em avião especial, tendo descido no aeroporto do Gama, chegou o almirante Augusto do Amaral Peixoto, presidente da Caixa Econômica Federal, que estava acompanhado dos Srs. José Coelho Branco, Silvio Moreira, Alberto Cabalero, Oscar Gomes Miranda e Ernani Aguiar.
Ficaram hospedados no Palácio do Gama, tendo percorrido nos pontos principais da Nova Capital, em companhia do presidente da Novacap, Israel Pinheiro.
O presidente da Caixa Econômica fez também demorada visita à Agencia local do seu instituto de economia popular, mostrando-se bem impressionado com o surpreendente desenvolvimento dessa agência.

Fonte: revista “Brasília”, da Novacap, edição de abril de 1958, número 16.


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