Brasília

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Brasília

Nas águas de março do Rio de Janeiro aprendi a nadar
Nunca imaginei soletrar Brasília
Uma ilha rodeada de Brasil por todos os lados
Cidade asa
Em Brasília aprendi a voar
 
Brasília
Mergulhei nas asas de um avião
Tomei banho de cachoeira e lavei meu coração
Vislumbrei meu futuro ao longo dos eixos
 
Quando olhei pela primeira vez
Parecia um deserto,
uma Brasília amarela empalidecida pelo barro
Fiz do barro matéria bruta misturada ao meu sangue e suor
Aprendi a criar a minha Brasília
Um mar de gente começou a vir pra cá
Gente de todo Estado, de todo lugar
 
O mar se abriu no coração do país
 
Brasília!
Tu me destes um novo aniversário
Na cidade mítica e mística
Desabrochei atriz
 
Brasília!
Namorei nas suas árvores
Paquerei nas tesourinhas
Experimentei diversão e protesto na Esplanada
Eu até casei debaixo do teu céu!
 
Brasília, meu avião…
Continuo correndo na frente
Sempre a contemplar seu horizonte infinito
Aonde mais tu queres  me levar?

Cristiane Sobral, poetisa carioca, natural de Coqueiros, zona oeste do Rio de Janeiro.
Poema transcrito do livro “Não vou mais lavar os pratos”,  Coleção Oi Poema, 2010.


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