BRASÍLIA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

BRASÍLIA

Caminho entre carros em suas avenidas,
busco trechos poéticos em sólidos espaços
de flores artificiais e concreto armado.
Deslizo em seu asfalto,
vazo e volto como gosma
sem conseguir me impregnar em seu corpo.

Visito palácios onde já não existem reis,
meus passos lentos se abrem ao seu infinito.
Seu céu azul insiste em me transformar em romântico,
eu, surrealista, me despeço
calcando muros inexistentes.

Me alucino.
Me entrego a você,
mulher de ouro dos ladrões,
miserável invenção de cabeças gananciosas
verme inoportuno que não atrai.

Não sinto em seu corpo esquelético,
mesmo embrenhando por sua veias expostas,
a liberdade vir morar.

Karma que, em você,
força anticósmica,
nesse tempo de todas as crenças,
estabelece visitantes da além loucura,
que estudam seu cerrado:
buscam respostas, saem com indefinições.

Estação sem nome,
porto para os barcos de todas as nações.
Tempo que não passa nem no fim.
Devassidão. Solitude. Medo.

Senhora dos desejos,
por tanta dor causada,
anuncia:
– Tenho as portas abertas!

Cigarras vêm,
zumbem em seus mangueirais,
zumbem até morrer,
norma selvagem.

Ésio Macedo Ribeiro, poeta mineiro, nasceu em Frutal.
“Poetas Mineiros em Brasília”, Ronaldo Cagiano.


Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …