Brasília

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Brasília

(continuação)

 
II
 
tu própria, apenas chão de promessas,
terra vermelha, só, e rios e o cinzento
                         sujo do cerrado
órfão.
sobre tudo, o céu mais claro do mundo
abandonado, céu sozinho, cru.
 
que te erguesses no centro da
noitidão de uma república deserta.
 
2/3 do mapa eram
"desalentadores vazios demográficos"
 
e as primeiras paredes as primeiras
asas a primeira fumaça das chaminés
no carrascal primeira vozes
vagas estruturas com pressa de pilares
fogos acesos nos canteiros de obras
                           de um Brasil diferente
declaravam que crescias
                           de rasos lápis e compassos
                           do papel seco surgias
líquida
no ar sobre nós,
crescias, anseio, abrangência pelo país,
Brasília dos brasileiros,
tão próxima te fazias,
                           canção de
                           construção, de todos, nacional.
 
(continua amanhã)
 
Aricy Curvello, poeta mineiro, nasceu em Uberlândia.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …