Linha do Tempo

Brasília, 4 de março de 1960

Declaração presidencial – A respeito de notícias divulgadas na imprensa carioca de que o Governo estaria interessado em movimentos que tem como objetivo o adiamento da data da mudança da capital para Brasília, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República distribui as seguintes declarações do Presidente Juscelino Kubitschek:

“Essas notícias representam os últimos estertores de uma campanha que visa impedir a mudança da capital.

Anuladas todas as manobras, superados todos os pretextos, os adversários de Brasília lançam agora mão desse recurso descabido, que põe em dúvida o inflexível propósito do Governo de promover, em obediência à lei, a efetivação da mudança.

Brasília, contudo, traduz um movimento de tão profundo sentido nacional, que contra ele não podem prevalecer os desígnios de uma minoria que pretende contrariar uma aspiração de todo o povo brasileiro.

Nada impedirá que a 21 de abril, Brasília seja a Capital do país. No Planalto Central iniciaremos, então, uma nova etapa da nossa luta pelo desenvolvimento e por um Brasil maior.”

 

Fundação Educacional Brasília – Na pasta da Educação e Cultura, o Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto de instituição da Fundação Educacional Brasília, que terá a finalidade de organizar e manter, na nova Capital, estabelecimentos de ensino de grau médio.

Fundação Brasil Central – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto fixando novas atribuições à Fundação Brasil Central e transferindo sua sede para Brasília, a fim de que possa mais efetivamente cooperar no desbravamento, colonização e aproveitamento econômico da região da qual a nova Capital é o centro.

 

Ao contrário do que afirmavam rumores dias antes de 21 de abril, Brasília não só seria inaugurada na data prevista como, no dia seguinte à inauguração, já estaria repleta de gente, carros e vida, conforme mostra a imagem da W3 Sul à época (Foto: Arquivo Público do DF)

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Brasília, 3 de março de 1960

I.S.E.B. A imprensa anuncia a realização, por iniciativa e sob o patrocínio do Instituto Superior de Estudos Brasileiros, de oito conferências sobre a interiorização da Capital e a mudança para Brasília. Governador Juraci Magalhães – Em entrevista à Rádio Nacional de Brasília, o governador da Bahia manifesta-se entusiasmado com Brasília, declarando: “Estou cheio de satisfação pelo que vi e só lamento não estar mais moço para ver a projeção de Brasília no futuro. Esta será uma terra que entusiasmará os brasileiros que a viram nascer. Queria ser mais jovem para crescer com Brasília” Estas palavras foram proferidas durante a entrevista concedida à emissora local, tendo dito ainda o Sr. Juraci Magalhães, em tom de blague, que apostou uma gravata com o Presidente da República em como a mudança para a nova Capital não se faria na data aprazada, mas que perdera a aposta, e, por isso, no próximo dia 21 de abril procurará pessoalmente o Presidente Juscelino Kubitschek, para lhe entregar o objeto da aposta.  

Pessoas comuns desbravam a Esplanada dos Ministérios, com o Teatro Nacional Cláudio Santoro ao fundo, e veem a cidade ganhar forma e projetar-se no futuro, conforme o então governador da Bahia Juraci Magalhães previu que aconteceria aos moradores da nova capital (Foto: Arquivo Público do DF)

Brasília, 5 de março de 1960

Cardeal Cerejeira – A propósito de sua designação para representar, como Legado Pontifício, o Santo Padre João XXIII, nas festas da inauguração de Brasília, Sua Eminência Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa, dirige o seguinte telegrama ao Presidente Juscelino Kubitschek: “Ao receber a altíssima missão de Legado Pontifício à inauguração de Brasília, peço licença para saudar em Vossa Excelência o prestigioso chefe da grande Nação brasileira e criador da nova Capital do Brasil do futuro”.   Discurso presidencial – Recebendo, em Belo Horizonte, o título de Professor Honorário da Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere ao plano educacional de Brasília: “A construção de Brasília, em cujas linhas urbanísticas e arquitetônicas domina o sentido da modernidade, levou-nos a empreender, obedecendo a rigoroso planejamento, a construção de uma rede escolar primária e média, à altura da nova Capital brasileira. E posso afirmar-vos que em abril estará funcionando ali, simultaneamente a outras iniciativas de ensino, o grande centro de educação média, compreendo quatro ramos e funcionando lado a lado, numa experiência pedagógica nova em nosso meio e com uma capacidade para três mil e quinhentos alunos.” Concluindo seu discurso, diz o Presidente Juscelino Kubitschek: “Todo o vasto Plano de Metas em que concentrei minha atuação à frente dos destinos nacionais se resume no porfiado empenho de melhorar as condições de vida deste grande povo. Não se pode compreender que esteja no âmbito de nossas fronteiras o maior deserto da terra. Nem é concebível que a Nação se divida em regiões de progresso e de subdesenvolvimento, como se todos não tivessem iguais direitos e oportunidades debaixo da mesma bandeira. Por isso, convocamos o Brasil para o maior esforço coletivo de toda a sua História. E erguemos Brasília. Mas não para deixá-la adormecida no Planalto como uma ruína imponente e sim, como já tive oportunidade de acentuar, para que ali vibre o cérebro das altas decisões nacionais, na mais bela cidade do mundo construída no mais curto prazo da História. E rasgamos as estradas quase inconcebíveis no recesso das matas nunca pisadas pelo homem. Mas não para que a mata volte a fechar-se nos caminhos èpicamente abertos com o sangue, o suor e as vidas dos nossos patrícios. E construímos Furnas. E realizamos Três Marias. Em suma: sacudimos o gigante, para vê-lo de pé. Tudo quanto fizemos e ainda estamos realizando tem o sentido pleno da redenção nacional. Em lugar de pensar no homem brasileiro, de forma vaga e indefinida, como simples especulação filosófica, este Governo pensou em sessenta milhões de brasileiros, que em breve serão cem milhões, numa Pátria engrandecida com os seus próprios recursos e que hoje dá ao mundo, com o arrojo de suas iniciativas ciclópicas, a prova de que sabe ser digna da vastidão do seu território, base física da nacionalidade sobre a qual erguemos agora o Brasil de amanhã.”  

Em março de 1960, a Esplanada dos Ministérios ainda não contava com um cartão postal intrínseco à história da cidade meio século depois: a Catedral. Ainda um projeto sendo erguido às vésperas da inauguração, a estrutura só ganhou a forma atual e foi aberta ao pública na década seguinte, em 1970. Acima, ilustração prévia da obra antes de sua construção (Imagem: Arquivo Público do DF)