Linha do Tempo

Brasília, 4 de fevereiro de 1960

Deputado Emival Caiado – O deputado Emival Caiado, presidente do Bloco Parlamentar Mudancista, concede entrevista à Agencia Nacional, afirmando:
– A construção da nova Capital e a transferência dos Poderes da República são fatos consumados e não cabe, a esta altura, discutir se a mudança se fará, mas tratar-se de efetivá-la, uma vez que já existem condições para isso. Meu projeto de fixação da data decorreu, não de deliberação precipitada, mas de exame acurado e planificação minuciosa.
O que a Novacap, visando a alcançar as condições mínimas imprescindíveis para a mudança, estará realizado, sem dúvida alguma, a 21 de abril.
Esclarece o deputado Emival Caiado, ainda, que promoveu uma reunião do Bloco Parlamentar Mudancista para o estudo de questões ligadas à transferência, tendo o grupo, depois de amplos debates, deliberado oferecer total apoio às medidas assentadas pela mesa da Câmara para a mudança desta, procurando mesmo estimulá-la na intensificação dos trabalhos até 21 de abril.
– Com essa finalidade – acrescenta – a presidência do Bloco Parlamentar Mudancista pensa em acompanhar de perto as atividades dos diferentes setores encarregados da mudança, tendo sempre presente a necessidade de se dar a tal orientação um tratamento político de alto teor, condizente com o espírito patriótico da empresa.
Finaliza sua entrevista o deputado Emival Caiado declarando que, “para dissipar qualquer dúvida na opinião pública”, o Bloco Parlamentar Mudancista resolveu proclamar ao País que serão inúteis todas as impatrióticas tentativas de adiamento de transferência da Capital Federal para o Planalto Central.

Caravana de Integração Nacional – Em entrevista de imprensa, o Major Edson Perpétuo, coordenador da Caravana, manifesta sua satisfação pela precisão cronométrica com que foram executados os planos, lembrando que a Coluna Leste se atrasou em sua chegada à Brasília apensa sete minutos: prevista para às 12 h do dia 1º de fevereiro, sua entrada na nova Capital ocorreu às 12 h e 7 m.
Revela também que, por toda a parte recebeu a Coluna Leste homenagens, não só de autoridades como de pessoas do povo. Em Cristalândia, pequena cidade do interior de Goiás, por exemplo, a população, tendo à frente o prefeito, abriu as portas de suas residências aos integrantes da Caravana. Ali, lhe foi feita uma intimação, pelo prefeito: este desejava receber, oficialmente um relatório de toda a jornada, para ser incluído na história da localidade.
Revela finalmente o Major Edson Perpétuo que vai reunir esforços, novamente, desta feita para organizar a Caravana de Integração do Nordeste. Esta, constituída por uma coluna-monstro, deverá partir de Fortaleza e atingir Brasília.
Interessante depoimento é feito, também, pelo Coronel Aviador Lino Teixeira, que comandou a Coluna Norte, à qual coube realizar o percurso Belém-Brasília, através da Rodovia Bernardo Sayão. A viagem dessa coluna durou sete dias, incluindo a estada em Goiânia, onde foram prestadas grandes homenagens à caravana. O deslocamento se fez igualmente com absoluto êxito.
– Para que se avalie a excelente condição da Rodovia Bernardo Sayão – declara aquele militar – basta dizer-se que, durante toda a viagem, não ocorreu um só acidente com veículo. Nem mesmo um pneumático furado, o que é digno de nota. Um eloqüente atestado de ação governamental nestes quatro anos e um magnífico teste para a nossa indústria automobilística.
Encerrando seu depoimento, diz o Coronel Lino Teixeira que no domingo, dia 24 de janeiro, a meio percurso da Coluna Norte, foi celebrada Missa, pelo Bispo de Bragança, no local em que perdeu a vida o engenheiro Bernardo Sayão, um dos pioneiros da abertura da rodovia Belém-Brasília.

Abastecimento – Anuncia-se que, a fim de fazer face ao aumento de população que se verificará em Brasília com a transferência da Capital, estão sendo intensificados os trabalhos agrícolas que vem sendo levados a efeito pelo Ministério da Agricultura e pela Novacap, através de convênios, na área do futuro Distrito Federal, superior a 5 mil quilômetros quadrados.
Em sua recente visita a Brasília, o Ministro Mário Meneguetti examinou vários problemas e assentou providências para a sua solução, trocando idéias com o Sr. Israel Pinheiro e com os representantes do seu Ministério.
Desde logo, ficou decidida a imediata ampliação dos convênios, de forma a se emprestar maior vulto à produção vegetal e animal. Deverá ser construído pelo Ministério da Agricultura um conjunto de armazéns e silos no grande Centro de Abastecimento, onde vem a Novacap de autorizar a construção de um moinho de trigo, com a capacidade diária de 100 toneladas.
Dos entendimentos havidos, ficou assentada ainda a vinda de outros técnicos do Ministério da Agricultura para pesquisas agronômicas, e se acordou a entrega ao Ministério de uma área rural de 12 mil hectares para instalação de serviços técnicos.
Será em breve inaugurado o primeiro supermercado construído pela Novacap, enquanto se iniciam as obras do segundo e as de uma usina de pasteurização.

Fazenda-Escola – Uma Fazenda-Escola, cuja base é constituída pelo antigo Posto de Criação e Monta, que há mais de cinco anos é mantido pela Inspetoria de Fomento Animal de Goiânia, está em organização por técnicos do Ministério da Agricultura, para desenvolvimento da pecuária nesta região. A Fazenda-Escola ocupa uma área de 430 ha
a ser ampliada para 1.660 hectares e dista 26 quilômetros do perímetro urbano de Brasília, cabendo-lhe estimular as atividades até então a cargo do Posto, cuja eficiência deixava a desejar diante da falta de recursos, de pessoal e equipamento com que lutava.
Com a construção de Brasília, foi reconhecida a necessidade de desenvolver aqueles trabalhos pioneiros e, para esse fim, estabeleceu-se o Projeto 44 firmado pelo Ministério da Agricultura, Novacap e o ETA, cujo programa teve inicio em agosto de 1958. Mais de 23 milhões de cruzeiros e 12.500 dólares foram aplicados nos trabalhos de campo, de construções e de assistência aos criadores locais. A Fazenda-Escola possui 315 hectares preparados (destocados), dos quais 290 plantados. Conta com nove veículos, 5 tratores, e 13 reprodutores machos de raças européias e deverá receber brevemente 50 vacas para revenda. Dez prédios modestos foram construídos, inclusive um laboratório veterinário para inseminação artificial, inaugurado há dias. Um apiário, com 15 núcleos iniciais, está sendo formado. Também funcionará ali um Posto de Demonstração Avícola, mediante contrato com o Projeto ETA-42.
A Fazenda está preparada para atender a todos os pedidos de mudas e sementes de forrageiras para a formação de pastagens. O seu campo experimental possui mais de 100 variedades de forrageiras, oriundas das mais diferentes regiões do País. No ano passado forneceu aos interessados 120 mil mudas de capim Guatemala, 40 mil de aipim e 20 mil estacas de cana forrageiras, além de algumas dezenas de sacos de semente de capim gordura e de outras forrageiras, inclusive leguminosas, para multiplicação em granjas da Novacap e particulares. A sua patrulha mecanizada começou a funcionar em dezembro de já preparou mais de 100 hectares para formação de pastagens em propriedades de criadores locais. Pretende utilizar em larga escala a inseminação artificial e 30 filhos de reprodutores da Fazenda vem sendo criados em diversas propriedades para melhoramento dos rebanhos.

Coluna Norte da Caravana de Integração – A Coluna, no rumo do Rio de Janeiro, chega à capital mineira.

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Brasília, 3 de fevereiro de 1960

Rede Ferroviária Federal – A partir da mudança da Capital Federal para o Planalto Central, a Rede Ferroviária Federal S/A manterá permanentemente em Brasília elementos da Diretoria Jurídica e Financeira, a fim de acompanharem os processos de interesse da empresa. A medida decorre de proposta do diretor jurídico que, à vista da próxima mudança do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Recursos, aponta a necessidade de se organizar um escritório em Brasília com o encargo de representar a Rede. Em agosto de 1959, a RFF iniciou entendimentos com a Novacap para a escolha do local destinado ao edifício em que irá funcionar em Brasília. Sistema Escolar – Em portaria, o Ministro da Educação determina época especial para o corrente ano letivo nas escolas mantidas pelo Ministério da Educação e Cultura na cidade de Brasília, futura Capital brasileira. Pela citada portaria o ano letivo de 1960 será de 16 de maio a 23 de dezembro, com o período de 28 de agosto a 11 de setembro para as férias escolares. As provas parciais serão realizadas entre 22 e 27 de agosto e 12 e 23 de dezembro. Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa brasileira assinala que a grande rodovia que ligará o Rio de Janeiro a Brasília, num percurso de 1.200 quilômetros, já está com a sua pavimentação quase concluída e, consequentemente, oferecendo perfeitas condições de tráfego entre o Rio de Janeiro e o Planalto goiano. Essa obra constituiu um dos pontos que mais despertaram a atenção dos integrantes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional, que, juntamente com as Colunas Norte, proveniente de Belém do Pará; Oeste, oriunda de Cuiabá; e Coluna Sul, cujo trajeto teve inicio em Porto Alegre, participou ativamente dos festejos comemorativos do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek. Durante os pernoites e, mesmo, nas rápidas paradas, os componentes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional tiveram oportunidade de ouvir a opinião de vários prefeitos e de grande número de pessoas interessadas na vida e no progresso das comunidades, e todos tiveram palavras do mais franco elogio para o grande empreendimento. Os prefeitos e habitantes das cidades de João Pinheiro, Felixlândia, Sete Lagoas, Lafaiete, Santos Dumont, Juiz de Fora, Barbacena, Três Marias e outros municípios de Minas e de Cristalina e Luziânia, em Goiás, foram unânimes em exaltar a obra e chegaram mesmo a considerá-la como um novo ponto de partida para a redenção econômica das respectivas comunas. Dirigindo palavras de saudação aos caravaneiros, os prefeitos de Cristalina e Luziânia declaram ver na rodovia Belo Horizonte-Brasília um dos motivos de maior significação e importância para o barateamento do custo de vida. Ministério da Saúde – A Agência Nacional divulga uma entrevista com o Doutor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, a propósito da significação histórica de Brasília e sobre as providências de sua pasta no setor da assistência sanitária à futura Capital. Colonização da Rodovia Belém-Brasília – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek preside a uma reunião de Governadores dos Estados e Territórios da Bacia Amazônica, no Palácio da Alvorada, a fim de tratar da colonização das terras marginais da rodovia Bernardo Sayão. A conferência, que conta com a presença dos Governadores do Amazonas, Maranhão, Rondônia, Rio Branco, Acre, do Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Arcebispo de Goiânia e de assessores presidenciais, tem como objetivo a obra de humanização e colonização das terras marginais do grande eixo rodoviário, agora aberto ao desenvolvimento do país. Em nome de todos os Bispos e prelados da região cortada pela rodovia, os sacerdotes presentes expressam seu desejo de colaboração e fazem apelo ao Presidente da República no sentido de serem adotada providencias imediatas para evitar a ocupação desordenada das terras devolutas e matas virgens. Em rápidas palavras, o Arcebispo de Goiânia informa o presidente sobre a luta titânica que o Bispo de Porto Nacional, Dom Alano, vem travando contra certos concessionários de terras devolutas, os quais, de posse de documentação falha, tentam espoliar os desbravadores das selvas e construtores da estrada, que ali estão se fixando. Apela Dom Fernando para a criação de um Grupo de Trabalho, a exemplo do que ocorre com a execução das tarefas resultantes dos históricos encontros de Campina Grande e de Natal. Desse grupo deverão participar representantes dos Governos da região, do Exército Nacional, do INIC, da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Serviço Social Rural, do Departamento Nacional da Produção Vegetal, da Legião Brasileira de Assistência e de outros órgãos cuja cooperação vier a ser considerada necessária para a execução dos planos traçados. Os Governadores presentes apóiam a sugestão de Dom Fernando, tendo o Presidente Juscelino Kubitschek recebido a iniciativa com o maior entusiasmo e ordenado as primeiras providências no sentido da concretização da mesma, de sorte a não retardar o início dos trabalhos práticos um só instante, a fim de que o mesmo se efetive antes mesmo da mudança da Capital federal para Brasília. O Presidente Juscelino Kubitschek dá ordem para que se providencie a reunião, nos próximos dias, no Palácio do Catete, dos Bispos da região ao longo do eixo rodoviário Belém-Brasília, bem como de representantes dos Governos dos Estados interessados, além dos demais órgãos citados, para coordenação dos esforços que vão ser exigidos pelo trabalho a ser apresentado com a maior brevidade. Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Partem de Brasília para o Rio de Janeiro os integrantes da Coluna, que na primeira etapa atingem João Pinheiro, em Minas Gerais, onde pernoitam.

Brasília, 5 de fevereiro de 1960

O.E.A – Acha-se em estudos, na Organização dos Estados Americanos, em Washington, o projeto para a construção, em Brasília, da sede de seus serviços no Brasil, sede ora situada no Rio de Janeiro. Presidência da República – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o levantamento do pessoal dos Gabinetes Militar e Civil para funcionamento na nova Capital, tendo em vista a próxima mudança da Secretaria da Presidência da República para Brasília. Comunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação em caráter urgente, pelo Departamento de Correios e Telégrafos, de um terreno em Paulo de Frontin, Estado do Rio, com a área de 2.400 m2 para a instalação de uma das subestações do sistema de micro-onda entre o Rio de Janeiro e Brasília. Governador Carvalho Pinto – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe do Governador de São Paulo o seguinte telegrama: “Lamentando a absoluta impossibilidade de comparecer, venho agradecer ao eminente Chefe da Nação o honroso convite com que me distinguiu para participar em Brasília da concentração promovida pela indústria automobilística nacional, ao ensejo do 4º aniversário do seu Governo. Já tive oportunidade, na passagem por São Paulo, da Caravana Sul, de dar-lhe o testemunho de meu apreço e caloroso apoio. Venho agora congratular-me com Vossa Excelência e com a indústria automobilística pelo notável feito, exemplo da alta capacidade técnica dos veículos de fabricação nacional assim a serviço da causa da integração do vasto “hinterland” brasileiro, que notadamente caracteriza os patrióticos esforços do governo de Vossa Excelência, na luta contra o subdesenvolvimento”. Ministério da Agricultura – O Ministro Mário Meneguetti reúne, em seu Gabinete, os diretores de Serviço e principais auxiliares para expor o seu plano de instalação, em Brasília, no menor tempo possível, do Ministério da Agricultura. Inicialmente, o titular da pasta da produção mandara executar, pela Diretoria de Obras, o projeto da construção de armazéns e silos com capacidade para 12.000 toneladas, com um centro regulador dos produtos dos municípios satélites de Brasília. Outra medida tomada é o fornecimento de pescado, que será distribuído de maneira que não falte esse alimento à população da nova Capital. O Ministro da Agricultura terá, em Brasília, duas sedes: uma burocrática, outra rural, ou seja, “Ministério fora do asfalto, na zona rural”. Para esta sede já existe uma área estabelecida de 11.700 hectares de terra. Núcleo Colonial do INIC – Localizado na região de Guariroba, dentro do Território Federal de Brasília, o Núcleo Colonial organizado pelo Instituto Nacional de Imigração e Colonização está em condições de tornar-se em futuro próximo um grande centro de abastecimento de gêneros de toda espécie à futura capital do país. Suas terras se estendem por 20 mil hectares, numa altitude média de 1.100 metros e, graças ao seu clima temperado-seco e ameno, e às condições naturais de irrigação, com mananciais permanentes, entre os quais sobressai o Rio das Pedras, poderão receber as mais variadas culturas e propiciar a formação de pastagens para a criação de gado. Nada diz melhor da riqueza do solo do Núcleo Colonial de Brasília do que sua produção atual, variada e relativamente volumosa, abrangendo cereais, produtos horti-granjeiros, leite e frutas. Os principais produtos fornecidos pelo Núcleo à nova Capital são: café, fumo, cana de açúcar, arroz, milho, feijão, mandioca, batata, frutas diversas, leite e carne. Esta produção tende a intensificar-se, pois o INIC já tem projetada a distribuição de novos lotes a colonos que desejarem lá se fixar. O projeto de distribuição compreende 20 mil hectares, assim divididos: 550 lotes rurais de 30 hectares, cada um e 500 lotes urbanos de 1.000m2. O INIC reservará uma área de 350 hectares para parques, jardins, campos de demonstração, etc e, para escoamento da produção, construirá estradas num total de 125 quilômetros. Outros informes sobre o núcleo: temperatura média 19º; topografia ondulada. É servido por rodovias e aviões, estando distante do Rio de Janeiro 1.828 quilômetros via São Paulo e 1.868 quilômetros via Belo Horizonte. Por via aérea, o percurso é coberto em 3h e 20 m em aviões tipo “DC-3” e em 2h e 50m em “Convair”. Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional que partiu de Belém do Pará para juntar-se às Colunas Sul, Leste e Oeste e que no dia 2 do corrente participaram das festividades comemorativas do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek, chega ao Rio precisamente às 16h e 30m, depois de realizar excelente viagem e sem que fosse registrado qualquer acidente. A Coluna, conduzindo quase 200 pessoas, percorreu 3.400 quilômetros, sendo que 2.200 no trecho Belém-Brasília, rompendo a selva amazônica através da rodovia Bernardo Sayão. O restante do percurso, ou seja, de Brasília ao Rio de Janeiro, foi realizado através de estradas quase completamente pavimentadas e construídas em obediência aos princípios da mais moderna técnica rodoviária. Precedida de um esquadrão dos Dragões da Independência e de batedores da Inspetoria de Trânsito, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional chega ao Palácio do Catete às 16 h e 35 m. Da sacada do Palácio, o Presidente Juscelino Kubitschek, na ocasião, também acompanhado de suas duas filhas, aplaude e recepciona entusiàsticamente os integrantes da Coluna, que totaliza 65 veículos. Após a parada da Coluna, com os veículos estacionados em fila dupla, usa da palavra o Coronel-Aviador Lino Teixeira, que rapidamente focaliza os principais aspectos da jornada. No decorrer de sua oração, o Senhor Waldir Bouhid enaltece a obra do Presidente Juscelino Kubitschek, exaltando o seu grande trabalho no sentido da completa união nacional, através da construção de estradas ligando todos os pontos do país, e finaliza seu discurso exaltando a memória de Bernardo Sayão, o pioneiro da grande obra, e de Ruy Almeida, ambos falecidos na luta pelo engrandecimento do Brasil. A esse orador, segue-se com a palavra Dom Elizeu Carolli, Bispo de Bragança, Estado do Pará, que também participou ativamente da Coluna, realizando o trabalho de um verdadeiro guia espiritual. As palavras do Bispo de Bragança são constantemente interrompidas. Falando em nome do Presidente da República, e exaltando o grande feito, discursa Dom José Pedro, Bispo de Caetité, Bahia, que em Brasília, durante o grande churrasco, também saudara os componentes das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Durante o discurso, Dom José Pedro da Costa refere-se, com palavras repassadas de entusiasmo, à obra que o Presidente Juscelino Kubitschek está realizando, principalmente no que diz respeito à luta contra o subdesenvolvimento. Grande manifestação de aplauso e simpatia recebe a Coluna durante sua passagem pela Avenida Rio Branco, quando o povo, postado à beira das calçadas, tributa ao caravaneiros as maiores manifestações de carinho, enquanto que das janelas e sacadas dos edifícios são atiradas sobre a Coluna verdadeiras chuvas de confetes, papéis picotados, flores e serpentinas. O mesmo entusiasmo popular é notado em frente ao Palácio do Governo e na Rua Silveira Martins. Exposição presidencial – Através de uma cadeia de radioemisssoras e canais de televisão, o Presidente Juscelino Kubitschek, durante mais de duas horas e meia, realiza uma exposição sobre seu Governo, referindo-se também a Brasília, que chama de meta-síntese de sua administração. Afirma que, se não fosse o fato em si da mudança da capital, algo de extraordinário deveria haver nesta obra para provocar as atenções gerais. Declara que Brasília contém um profundo sentido de cristalização filosófica do desenvolvimento; ela quer dizer que estamos saindo do litoral depois de 400 anos de lutas. Ela afirma que o gigante está voltado agora para o interior. Descrevendo aspectos urbanísticos da nova Capital, alude às opiniões de numerosas autoridades estrangeiras que nos visitaram, inclusive à do Ministro da Cultura de França, André Malraux, que classificou Brasília como a capital da esperança, dizendo: “Se renascer a velha paixão das inscrições nos monumentos, gravar-se-á sobre os que aqui vão nascer: Audácia. Energia, Confiança. Não se trata de vossa divisa oficial, mas talvez da que vos dará a posteridade”. Declara o Presidente ser profundamente doloroso que o Brasil em 1960 tenha dois terço de sua superfície como um deserto, mas que Brasília, o marco número um do desenvolvimento do Brasil, vai fazer a integração nacional como já o comprovaram as caravanas que acabam de realizar a ligação Norte-Sul, Leste-Oeste do país. Explica ainda que, dentro em breve, em lugar de vinte teremos vinte e uma estrelas, com o Estado da Guanabara em nossa bandeira. O Presidente, em seguida, diz de sua satisfação de poder cumprir com a construção de Brasília um dos sonhos dos Inconfidentes mineiros até agora não realizado: o da interiorização da capital do Brasil.