Linha do Tempo

Brasília, 31 de março de 1960

I.A.P.I. – No Rio de Janeiro, o Presidente do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários entrega ao Grupo de Trabalho incumbido de realizar a transferência da administração federal para Brasília os primeiros 180 apartamentos ali construídos pela autarquia, para alugar aos parlamentares e altas autoridades.
Os apartamentos entregues ficam localizados em cinco blocos da Super-Quadra 105 e cada residência dispõe de grande ‘living’, 3 quartos, 2 banheiros sociais, ampla cozinha e dependências de serviço.
O Instituto dos Industriários está terminando em Brasília, além disso, a construção de mais 240 apartamentos.


Foto: Arquivo Público do DF

Centro Acadêmico XI de Agosto – Em São Paulo, o Ministro Horácio Lafer lê perante o Centro Acadêmico XI de Agosto o discurso do Presidente Juscelino Kubitschek sobre problemas da atualidade nacional, em que há as seguintes palavras sobre Brasília:

“Acusam-me de haver construído, em pleno deserto do nosso Brasil, uma cidade-modelo, admiração dos homens mais eminentes do mundo – honra e glória da energia, da coragem e da capacidade de trabalho da engenharia e do gênio arquitetônico do nosso povo.
Sei bem que a mudança da capital, neste momento, ou em outro qualquer, representa um sacrifício, mas Brasília é a semente de uma grande árvore nova, o Brasil do futuro, um ato fecundo. Confesso aqui diante da mocidade, que, realmente, no caso da mudança da capital, inspirou-me o amor autêntico ao dia de amanhã. Pensei mais em vós e na vossa descendência, pensei mais na necessidade de praticarmos uma operação redentora do interior brasileiro do que em mim próprio. Contemplei o horizonte distante, antevi o futuro e previ as conseqüências que vão resultar da cidade a ser inaugurada dentro de alguns dias. Para pessoa alguma, para nenhum brasileiro houve sacrifício maior do que o meu para a criação de Brasília. Disputo humildemente a qualquer um o tamanho do sacrifício nesta obra que será fundamental para a nossa posteridade.
Peço-vos que me acompanheis na arrancada da esperança. Somos um país que se movimenta, que age, que está conquistando um grande destino. Orgulhai-vos de nossa pátria, repeli o desespero dos que não se sentem ligados, enraizados, integrados neste país, que não é para eles uma autentica pátria, terra dos pais e dos descendentes mas um simples pouso, um acampamento provisório.
Vossa idade é a idade da compreensão e do amor pelas coisas altas; é a idade em que não podem vingar os sentimentos mesquinhos; o desejo de destruir e de amesquinhar é o contrário do vosso impulso e aspiração que se volta naturalmente para a criação e o bem. Este país necessita vencer os seus obstáculos e os vencerá pelo espírito da juventude, pela alma, pela crença e pela esperança.”

Veículos nacionais – O Presidente Juscelino Kubitschek recebe, no Rio de Janeiro, no Palácio das Laranjeiras, um plano de venda de automóveis, camionetas e demais veículos necessários ao transporte dos Deputados em Brasília. O Plano prevê prioridades nas entregas sem quaisquer outros privilégios. O Presidente da República, na ocasião, diz que o transporte de parlamentares em Brasília constituía um problema de interesse da sua administração, daí a simpatia com que recebe a apresentação do caso.

Adlai Stevenson – Em entrevista coletiva na Associação Brasileira de Imprensa, o político norte-americano Adlai Stevenson fala sobre Brasília da seguinte forma:

“É a cidade do futuro. Gostei do que vi e penso que ela será a cidade mais falada do mundo durante muito tempo e que, com o crescimento natural do Brasil, ela será o centro de gravidade dos negócios mundiais quando o vosso país tomar o lugar que lhe compete. Vossos arquitetos estão fazendo uma grande obra.”

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Brasília, 29 de março de 1960

Calendário da Mudança – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova a exposição de motivos em que o DASP submete à sua consideração o calendário da mudança do Governo para Brasília e propõe a transferência, até 21 de abril de 1960, dos órgãos pertencentes aos três Poderes da República, prosseguindo, além dessa data, o processo de transferência. Confederação Nacional do Comércio – No Rio de Janeiro reúne-se, pela última vez, a diretoria da Confederação Nacional do Comércio, cuja sede, por determinação legal, terá de ser, a partir de 21 de abril, em Brasília, novo Distrito Federal. Durante a reunião é marcada a data de 25 de abril para o próximo encontro dos diretores da entidade máxima do Comércio, já na nova Capital do país. Naquele dia, após a reunião, os diretores, incorporados, farão uma visita de cortesia ao Presidente da República no Palácio dos Despachos. Hospital Distrital – Anuncia-se que se encontram em via de conclusão as obras do primeiro Hospital Distrital de Brasília. Divulga-se, também, que o Ministério da Saúde decidiu dar ao novo Hospital o nome oficial de Hospital Márcia Kubitschek. Escola Agrícola – O presidente Juscelino Kubitschek autoriza a instalação, em Brasília, de um estabelecimento de ensino agrícola, de grau médio. Crédito especial – O presidente Juscelino Kubitschek sanciona lei do Congresso Nacional abrindo, ao Poder Legislativo, o crédito especial de 800 milhões de cruzeiros, sendo 500 milhões para a Câmara e 300 milhões ao Senado, para atender despesas de qualquer natureza com a sua transferência e remoção do respectivo pessoal para a nova Capital. Pela mesma lei, fica também aberto ao Poder Legislativo o crédito especial de 150 milhões de cruzeiros para atender, no presente exercício, às despesas com a instalação e custeio do Serviço de Radiodifusão dos Trabalhos do Congresso Nacional. Medalhas comemorativas – O Presidente Juscelino Kubitschek assina decreto considerando de valor histórico as medalhas comemorativas da inauguração de Brasília. As medalhas serão cunhadas em estabelecimentos de renome internacional e deverão conter, a maior, com 36 milímetros de diâmetro, 15 gramas de ouro de 22/24 quilates e, a menor, com 26 milímetros de diâmetro, 7 e meia gramas de ouro do mesmo teor. E.F.de Goiás. – Com a intensificação das obras de Brasília, tornou-se a E.F. Goiás o escoadouro natural de toda a produção procedente de São Paulo, pela Mogiana, e de Minas, pela RMV, que se destina à nova Capital. Registrou-se extraordinário crescimento nos seus transportes, que saltaram de 49 milhões e 243 mil t. km, líquidas remuneradas, em 1958, para um volume de 109 milhões e 135 mil em 1959. Para alcançar esse volume, a Goiás acelerou a reforma de suas linhas e colocou em tráfego 12 modernas locomotivas Diesel-elétricas recebidas da Rede Ferroviária Federal.  

A cidade encontra-se cada vez mais bem estruturada para dar as boas vindas aos futuros moradores. O Hospital Distrital de Brasília já está quase concluído e o presidente JK acaba de liberar a instalação de uma escola agrícola na capital. Na imagem, crianças brincam em área de lazer da escola Julia Kubitschek entre 1956 e 1960 (Foto: Arquivo Público do DF)

Sexta-feira, 1 de abril de 1960

Hospital Distrital – Anuncia-se que será a seguinte a distribuição de médicos pelos diversos serviços do Hospital Distrital de Brasília: Enfermarias (90 leitos): Cirurgia, 40; Obstetricia, 20; Clínica Média 20; Pediatria, 10. Serviço de Emergência – Pronto Socorro Hospitalar – Serviço Domiciliar de Urgência. Ambulatório – Serviços auxiliares de diagnóstico e tratamento. Relação de especialidade: Cirurgia, 6; Urologia, 1; Traumatologia, 2; Oftalmologia, 1; Otorrinolaringologia, 1; Clínica Média, 2; Cardiologia, 3; Pediatria, 3; Nutrologia, 1; Obstetrícia, 4; Laboratório Clínico, 1; Banco de Sangue, 2; Anatomia Patológica, 1; Anestesia, 4; Neuro-cirurgião, 1; Dentistas, 4. Total de médicos, 33; total de dentistas, 4. E.F. Goiás – Comentam os jornais haver crescido de importância o papel que cabe à Estrada de Ferro Goiás com a transferência da nova capital para Brasília: é não somente a principal ferrovia de interligação do Planalto Central, mas ainda a única via de acesso ferroviário até Anápolis para quem procede de São Paulo, pela Mogiana, e de Minas, pela Rede Mineira. A receita total de transportes arrecadada pela E.F. Goiás, em 1959, foi de Cr$ 179.267.448.70, que representa quase o dobro da cifra obtida no ano anterior de Cr$ 90.048.333,00. Entre carros e vagões carregados, a Goiás efetuou 47.672 viagens em 1957, 63.100 em 1958 e 66.296 em 1959. Em 1957, a estrada não possuía nenhuma locomotiva Diesel-elétrica, havendo, hoje, em tráfego, 12 unidades. No decurso desses três anos, houve aumentos crescentes nos transportes de bagagens, animais e mercadorias em geral. Foram substituídos, de 1957 até dezembro de 1959, 101.860 dormentes e reespaçados 46.859, para atender aos serviços de substituição de trilhos e empedramento.  

A cidade prepara-se apressadamente para receber seus habitantes. Estradas são finalizadas, hospitais recebem replenajamento de pessoal e o comércio já está a todo vapor. Acima, vê-se o Viaduto do Trevo na Asal Sul à época da construção (Foto: Arquivo Público do DF)