Linha do Tempo

Brasília, 30 de janeiro de 1960

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Leste deixa Belo Horizonte e atinge Três Marias, onde pernoitará.

A Coluna Oeste, procedente de Cuiabá, atinge Goiânia à 1 hora da madrugada deste dia.

A Coluna Sul sai de Prata, pela manhã, para ir pernoitar em Itumbiara.

A Coluna Norte alcança Goiânia.

 

Rodovia Fortaleza-Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza o Departamento Nacional de Obras contra as Secas a empregar o crédito de Cr$ 241.139.434,00, na construção da rodovia Nordeste-Brasília, considerada de interesse nacional.

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Brasília, 29 de janeiro de 1960

Caravana de Integração Nacional – Continua, com pleno êxito, ao longo das estradas que do Norte, Sul, Leste e Oeste, convergem sobre Brasília, o deslocamento das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Depois de pernoitar de 28 e 29 na cidade de Juiz de Fora, onde é alvo de grandes homenagens por parte das autoridades e do povo, a Coluna Leste parte para Belo Horizonte, passando pelas cidade de Santos Dumont e Barbacena. Em Santos Dumont, a Coluna, ao chegar aos limites do Município, é recebida pelo Prefeito Paulino Alves Guedes, outras autoridades e grande massa popular. Ao atravessar a cidade, a Coluna passa entre alas formadas por estudante e o povo, enquanto jovens da sociedade local atiravam flores sobre os carros. Depois de hora e meia de viagem, que foi lenta, a fim de receber as manifestações prestadas pelas populações das localidades por onde passava, a Coluna chega a Barbacena, onde é entusiasticamente aplaudida pelo povo. Numa homenagem à população local, a Caravana percorre diversas ruas da cidade, recebendo calorosas manifestações do povo. Na Escola Preparatória de Cadetes da Aeronáutica, o comandante, Brigadeiro Sinval Castro, bem como oficialidade, sargentos e praças, prestam expressiva homenagem à Coluna. O Comandante oferece no Cassino de Oficiais um almoço aos integrantes da Coluna. De Barbacena, a Coluna prossegue viagem para Belo Horizonte, onde pernoita. A Coluna Sul parte pela manhã de Jaboticabal, tendo passado pela cidade de Barretos, sendo festivamente recebida pelas autoridades e a população. De Barretos, a Coluna desloca-se para a cidade de Frutal, no Triângulo Mineiro, onde pernoita. A Coluna Norte prossegue de Uruaçu com destino a Ceres. A Coluna Oeste efetua o percurso Alto Araguaia-Goiânia.   Instituto dos Bancários – Anuncia-se que, como parte das comemorações de mais um aniversário do Governo do Presidente Juscelino Kubitschek, o Instituto dos Bancários inaugurará mais 228 apartamentos na nova Capital, elevando-se assim a 312 o total de unidades residenciais desse tipo construídas pela referida autarquia em Brasília. Segundo declarações do engenheiro Mauro Pessoa, chefe das obras do IAPB em Brasília, todas as unidades obedecem a uma linha uniforme, possuindo três dormitórios, ampla sala de visitas, ante-sala, cozinha-copa espaçosa, pequeno depósito, área de serviço e dependências para empregada. Todos os apartamentos serão entregues mobiliados e tem vista para o lago, oferecendo, desse modo, magnífica visão panorâmica da cidade. Informa ainda o engenheiro Mauro Pessoa que será iniciada em breve a construção de um conjunto de 152 casas para bancários, todas dotadas de instalações iguais às dos apartamentos. Além deste conjunto o IAPB construirá mais cinco blocos de apartamentos para funcionários públicos e 50 novas residências de primeira categoria.

Foto: Arquivo Público do DF

  Sistema Educacional – Anuncia-se que a coordenação geral das atividades do sistema educacional de Brasília, bem como a determinação de tarefas ao pessoal e a celebração de contratos especiais de prestação de serviços, nos termos da legislação trabalhista – são algumas das iniciativas que ficarão a cargo do diretor-executivo da Comissão de Administração do Sistema Escolar de Brasília, prof. Armando Hildebrand. Outras atribuições conferidas a este técnico do Ministério da Educação e Cultura são as seguintes: 1) propor planos de trabalho e de aplicação de recursos e promover a execução de providências conforme as decisões da Comissão Deliberativa da CASEB, presidida pelo Diretor-geral do Departamento Nacional de Educação; 2) providenciar no sentido da boa administração das escolas e do incremento das atividades culturais na nova Capital; 3) movimentar os recursos à disposição da Comissão; 4) prestar contas das despesas efetuadas; 5) submeter, no inicio de cada ano, à consideração da Comissão Deliberativa da CASEB, relatório circunstanciado das atividades levadas a efeito no ano anterior.

Brasília, 1 de fevereiro de 1960

Discurso presidencial – No despacho coletivo com o Ministério, às 7 horas da manhã, no Palácio do Catete, o Presidente Juscelino Kubitschek assim se refere a Brasília em seu discurso: “Posso dizer, sem hipérbole, que a decisão relativa a Brasília constituiu para mim um esforço bem mais considerável do que toda a solicitude em acompanhar a parte executiva dessa obra, em verdade imensa e que temos de atribuir, não só à proteção de Deus, que não nos faltou, como à capacidade de trabalho de nossa gente, à dedicação inexcedível dos chefes e dos operários. Naquela ocasião, medi os prós e os contras, avaliei as dificuldades de toda a ordem: as materiais, com todo o cortejo de repercussões econômicas e problemas técnicos; mas, sobretudo, o significado de resolução e a gravidade decisiva do ato. O imperativo constitucional fora repetidamente ignorado e seria fácil permitir que continuasse letra morta. Mas a criação de Brasília, a interiorização do Governo, esse ato dramático e irretratável de ocupação efetiva do nosso vazio territorial, essa demonstração inequívoca de fé na capacidade realizadora dos brasileiros, esse triunfo do espírito pioneiro, essa prova de confiança na grandeza deste país, essa ruptura completa com a rotina e o conformismo, eu a sentia em intima e perfeita correspondência com a aspiração máxima do povo brasileiro: a revolução do desenvolvimento nacional. Brasília foi o primeiro ato dessa revolução, fecundo em conseqüências, a meta número um, a meta-síntese de um Brasil renovado. Brasília significa, não apenas a mudança da sede de um Governo, mas de todo o rumo de uma grande nação. Sei como são fortes as resistências e os antagonismos, porque sei até onde essa mudança tem um aspecto revolucionário, porque estou bastante lúcido quanto à serie de transtornos e de modificações que ela vai ocasionar. Não fugirá a ninguém o aspecto heróico da empresa, nem os sacrifícios requeridos; mas o dia de amanhã explicará melhor do que qualquer discurso – que Brasília obedeceu a uma imperiosa necessidade. Mas dia, menos dia, seria necessário colocar o Brasil no seu centro, conquistar essa parte importante do seu território, integrar o país em si mesmo. Eu me dou por feliz pelo privilégio de construir Brasília, de realizar essa aspiração, que pareceu inatingível a muitas gerações de brasileiros, em tempo recorde, mostrando ao mundo que somos capazes de fazer o que queremos, e fazer como melhor não o fariam outros povos, que marcham na vanguarda da técnica e da civilização.” Caravana de Integração Nacional – Em Goiânia, todas as colunas da Caravana se concentram, entre homenagens populares, para a última parte da jornada, a efetuar-se de 1º a 2 de fevereiro, até Brasília. Chegando a Brasília, os integrantes da Caravana concentrar-se-ão no parque Dom Bosco. Remoção de pessoal – O Presidente Juscelino Kubitschek, em despacho proferido em exposição de motivos do D.A.S.P., aprova minuta do convênio a ser estabelecido com o Grupo de Trabalho, bem como o respectivo Plano de Aplicação, da importância de 580 milhões de cruzeiros, destinada a despesas de quaisquer natureza, com a remoção do pessoal para Brasília, inclusive aluguel e arrendamento de imóveis. Rodovia Belém do Pará-Brasília – Tendo visitado a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional no “Estreito” do Tocantins, o senhor Mattos Carvalho, Governador do Maranhão, viaja por via aérea até Goiânia, a fim de ali esperar a Caravana, com a qual chegará a Brasília. Falando à imprensa da cidade, o governador Mattos Carvalho externa seu grande entusiasmo pelo que lhe foi dado observar da rodovia Bernardo Sayão, ressaltando a significação da estrada para o desenvolvimento do país: “A estrada Belém-Brasília – diz – é um símbolo de progresso e dignifica um governo porque representa o enriquecimento de uma nação.” Continua declarando que Brasília dá aos brasileiros a certeza de que está surgindo uma pátria nova, merecendo, por isso, todos os sacrifícios e não sendo admissível a protelação da mudança da sede do Governo para a nascente cidade. Concluindo, afirma o Governador que seu Estado, o Maranhão, já sente os efeitos benéficos de Brasília e da rodovia, visto ser maranhense o mais próximo porto marítimo e estarem todas as cidades do sul maranhense, especialmente a região de Imperatriz, ligadas à futura capital federal pela rodovia de integração nacional. Fazenda Nacional – O senhor Raymundo Brígido Borba, Diretor-geral da Fazenda Nacional, constitui seu Gabinete definitivo, que deverá embarcar para Brasília antes da transferência da Capital. Ranieri Mazzilli – O Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, dirige ao Presidente Juscelino Kubitschek o seguinte telegrama: “Peço ao eminente Presidente e amigo receber minhas congratulações efusivas pela partida da Coluna motorizada que participa da Caravana de Integração Nacional, simbolizando o sonho que seu dinâmico idealismo transformou em realidade brasileira”. Declaração presidencial – Na inauguração do Mercado Livre do Produtor no 2, no Rio de Janeiro, o Presidente Juscelino Kubitschek, falando de improviso, assim se refere ao encontro, em Brasília, no dia 2 de fevereiro, da Caravana de Integração Nacional: “Dentro de poucos minutos, vou transpor os céus deste País e, em algumas horas, descer no Planalto Central, onde, amanhã, assistiremos a uma solenidade singela, porém tocante e de profunda significação nacional: o encontro das Caravanas de Integração Nacional. Sabem o que significa esse movimento? Saíram de Belém, no Estado do Pará, às margens do Rio Amazonas, 65 automóveis, conduzindo 250 pessoas, para uma viagem até Brasília. Outros tantos automóveis saíram de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, ao encontro dessa caravana em Brasília. São quase 5 mil quilômetros de território brasileiro que estão sendo atravessados, de Norte a Sul, pela primeira vez na história do Brasil. E com uma particularidade: todas as caravanas transportadas por automóveis brasileiros, utilizando petróleo brasileiro e rodando em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro. É o Brasil que se levanta nos seus próprios pés para dominar as dificuldades e começar uma nova marcha, que nos dará a emancipação e a liberdade econômica. Daqui partiu outra caravana, que chegará amanhã a Brasília; de Cuiabá, no longínquo Mato Grosso, saiu outra caravana, que amanhã também como a daqui se encontrará em Brasília, formando uma verdadeira cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direç cruz de travessia do Brasil, em todas as suas direções. Os senhores devem ter ouvido falar no que foi o drama para romper esta estrada através da floresta virgem e impenetrável da região amazônica. Nós a atravessamos com o maior esforço, devassamos os mistérios mais impenetráveis do território brasileiro, e hoje esta Nação já pode ser circulada de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Os descrentes, os negativistas não acreditavam fossem possíveis empreendimentos de tal envergadura. Havia no País uma mentalidade ainda negativa, uma mentalidade que apelava sempre para a beira do abismo. Nós a estamos vencendo, nós a estamos dominando, e no fim deste Governo a Nação terá os instrumentos básicos indispensáveis para caminhar sozinha, independente e livre, na rota do seu destino. Eu sabia que dificuldades inúmeras teria que enfrentar nesta jornada. Sabia que teria que exigir sacrifícios do povo brasileiro, mas pergunto: qual a maneira de uma nação progredir? Viver à custa de auxílios estrangeiros, colonizar-se, humilhar-se diante dos mais poderosos, para realizar o seu desenvolvimento, ou lutar com as próprias forças e vencendo as dificuldades, orgulhosamente proclamar que tem bravura e energia para forjar o seu próprio destino? Estamos, nesta hora, assistindo a uma nova marcha do Brasil. Estamos subindo o Planalto Central, para conquistar dois terços desta Nação, ainda completamente desertos.”  

Em discurso presidencial, JK refere-se às Caravanas de Integração Nacional, com cidadãos que cruzam asfaltos brasileiros, transportados por carros fabricados no país e alimentados por combustível também nacional. Esse movimento reúne-se em Brasília para vivenciar de perto o desenvolvimento. Os candangos da imagem acima não são diferentes: levantam-se para ver com os próprios olhos a inauguração da nova capital  (Foto: Arquivo Público do DF)