Linha do Tempo

Brasília, 3 de fevereiro de 1960

Rede Ferroviária Federal – A partir da mudança da Capital Federal para o Planalto Central, a Rede Ferroviária Federal S/A manterá permanentemente em Brasília elementos da Diretoria Jurídica e Financeira, a fim de acompanharem os processos de interesse da empresa.
A medida decorre de proposta do diretor jurídico que, à vista da próxima mudança do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Recursos, aponta a necessidade de se organizar um escritório em Brasília com o encargo de representar a Rede.
Em agosto de 1959, a RFF iniciou entendimentos com a Novacap para a escolha do local destinado ao edifício em que irá funcionar em Brasília.

Sistema Escolar – Em portaria, o Ministro da Educação determina época especial para o corrente ano letivo nas escolas mantidas pelo Ministério da Educação e Cultura na cidade de Brasília, futura Capital brasileira. Pela citada portaria o ano letivo de 1960 será de 16 de maio a 23 de dezembro, com o período de 28 de agosto a 11 de setembro para as férias escolares. As provas parciais serão realizadas entre 22 e 27 de agosto e 12 e 23 de dezembro.

Rodovia Belo Horizonte-Brasília – A imprensa brasileira assinala que a grande rodovia que ligará o Rio de Janeiro a Brasília, num percurso de 1.200 quilômetros, já está com a sua pavimentação quase concluída e, consequentemente, oferecendo perfeitas condições de tráfego entre o Rio de Janeiro e o Planalto goiano.
Essa obra constituiu um dos pontos que mais despertaram a atenção dos integrantes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional, que, juntamente com as Colunas Norte, proveniente de Belém do Pará; Oeste, oriunda de Cuiabá; e Coluna Sul, cujo trajeto teve inicio em Porto Alegre, participou ativamente dos festejos comemorativos do 4º aniversário da administração do Presidente Juscelino Kubitschek.
Durante os pernoites e, mesmo, nas rápidas paradas, os componentes da Coluna Leste da Caravana de Integração Nacional tiveram oportunidade de ouvir a opinião de vários prefeitos e de grande número de pessoas interessadas na vida e no progresso das comunidades, e todos tiveram palavras do mais franco elogio para o grande empreendimento.
Os prefeitos e habitantes das cidades de João Pinheiro, Felixlândia, Sete Lagoas, Lafaiete, Santos Dumont, Juiz de Fora, Barbacena, Três Marias e outros municípios de Minas e de Cristalina e Luziânia, em Goiás, foram unânimes em exaltar a obra e chegaram mesmo a considerá-la como um novo ponto de partida para a redenção econômica das respectivas comunas.
Dirigindo palavras de saudação aos caravaneiros, os prefeitos de Cristalina e Luziânia declaram ver na rodovia Belo Horizonte-Brasília um dos motivos de maior significação e importância para o barateamento do custo de vida.

Ministério da Saúde – A Agência Nacional divulga uma entrevista com o Doutor Mário Pinotti, Ministro da Saúde, a propósito da significação histórica de Brasília e sobre as providências de sua pasta no setor da assistência sanitária à futura Capital.

Colonização da Rodovia Belém-Brasília – Em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek preside a uma reunião de Governadores dos Estados e Territórios da Bacia Amazônica, no Palácio da Alvorada, a fim de tratar da colonização das terras marginais da rodovia Bernardo Sayão.
A conferência, que conta com a presença dos Governadores do Amazonas, Maranhão, Rondônia, Rio Branco, Acre, do Superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Arcebispo de Goiânia e de assessores presidenciais, tem como objetivo a obra de humanização e colonização das terras marginais do grande eixo rodoviário, agora aberto ao desenvolvimento do país. Em nome de todos os Bispos e prelados da região cortada pela rodovia, os sacerdotes presentes expressam seu desejo de colaboração e fazem apelo ao Presidente da República no sentido de serem adotada providencias imediatas para evitar a ocupação desordenada das terras devolutas e matas virgens. Em rápidas palavras, o Arcebispo de Goiânia informa o presidente sobre a luta titânica que o Bispo de Porto Nacional, Dom Alano, vem travando contra certos concessionários de terras devolutas, os quais, de posse de documentação falha, tentam espoliar os desbravadores das selvas e construtores da estrada, que ali estão se fixando. Apela Dom Fernando para a criação de um Grupo de Trabalho, a exemplo do que ocorre com a execução das tarefas resultantes dos históricos encontros de Campina Grande e de Natal. Desse grupo deverão participar representantes dos Governos da região, do Exército Nacional, do INIC, da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, do Serviço Social Rural, do Departamento Nacional da Produção Vegetal, da Legião Brasileira de Assistência e de outros órgãos cuja cooperação vier a ser considerada necessária para a execução dos planos traçados. Os Governadores presentes apóiam a sugestão de Dom Fernando, tendo o Presidente Juscelino Kubitschek recebido a iniciativa com o maior entusiasmo e ordenado as primeiras providências no sentido da concretização da mesma, de sorte a não retardar o início dos trabalhos práticos um só instante, a fim de que o mesmo se efetive antes mesmo da mudança da Capital federal para Brasília. O Presidente Juscelino Kubitschek dá ordem para que se providencie a reunião, nos próximos dias, no Palácio do Catete, dos Bispos da região ao longo do eixo rodoviário Belém-Brasília, bem como de representantes dos Governos dos Estados interessados, além dos demais órgãos citados, para coordenação dos esforços que vão ser exigidos pelo trabalho a ser apresentado com a maior brevidade.

Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Partem de Brasília para o Rio de Janeiro os integrantes da Coluna, que na primeira etapa atingem João Pinheiro, em Minas Gerais, onde pernoitam.

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Brasília, 2 de fevereiro de 1960

Caravana de Integração Nacional – Em Brasília, celebra-se a cerimônia da chegada das quatro Colunas da Caravana de Integração Nacional. Já considerável massa popular se acumulava na Praça dos Três Poderes, na manhã de hoje, presentes numerosas autoridades, quando o Presidente Juscelino Kubitschek ali chegou, em helicóptero da FAB, para a recepção às Caravanas de Integração Nacional. Estas deram então entrada na praça, à frente a Coluna Sul, seguida pelas Colunas Leste, Norte e Oeste. O Chefe do Governo, em pessoa, apresenta as boas-vindas aos integrantes das colunas, cumprimentando-os e trocando rápidas palavras com vários deles. Nessa ocasião, o entusiasmo popular chega ao auge, observando-se que a Coluna Norte merecia especial atenção de parte da multidão. Depois de percorrer todo o trajeto em que estacionavam os números veículos, o Presidente Kubitschek deixa o local, ainda no helicóptero da FAB, acenando para o povo com a Bandeira Brasileira que, trazida de Belém, lhe fora ofertada pela Coluna Norte. De grande solenidade se reveste a Missa de Ação de Graças que, como parte do programa de recepção, é celebrada pelo padre Teixeira, pároco de Brasília, no local em que se erguerá a Catedral de Brasília. Assistem ao ato o Presidente da República, D. Sarah Kubitschek, governadores de Estado, o Prefeito do Distrito Federal, parlamentares, demais autoridades em visita à cidade, todos os membros da Caravana de Integração Nacional e a quase totalidade da população de Brasília. Aviões da FAB, em vôos rasantes, deixam cair uma chuva de papel picado, antes da cerimônia religiosa. Momentos antes da Missa, o Arcebispo de Goiânia pediu à comissão que até ali trouxera a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Belém, que a colocasse no altar, ao lado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira de Brasília. O sermão pronunciado por D. Fernando Gomes é todo ele alusivo à marcha realizada pela Caravana de Integração Nacional e à sua significação para o futuro do país. Encerrando-a, diz o Arcebispo de Goiânia: “A marcha começou, para o triunfo do futuro do Brasil”. Às 14h, realiza-se o churrasco, que reúne todas as autoridades que se encontram em Brasília, bem como operários que estão edificando a futura Capital federal. O primeiro orador é o senhor Celso Lisboa, presidente da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, que fala em nome desta e do povo de sua cidade. Segue-se com a palavra o Governador de Goiás, senhor José Feliciano Ferreira, falando em nome dos demais governadores presentes: o senhor José Adjunto Filho, prefeito de Unaí; um homem do povo, de nacionalidade norte-americana, há muito radicado em Goiás; o deputado por Goiás, Rezende Monteiro, em nome do vice-presidente da República, João Goulart. O sexto orador da reunião é o senhor Lúcio Meira, presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico. O Brasil – diz – estava vivendo uma hora auspiciosa, uma hora histórica. Com sua inflexível determinação, o Presidente Juscelino Kubitschek faz de Brasília o marco da conquista do Oeste e da Amazônia, para que o país deixe de ser o antigo arquipélago econômico e social. Graças ao espírito audaz do Chefe do Governo, o Brasil afinal se encontra consigo mesmo, vê trafegar por belas estradas, pavimentadas com asfalto brasileiro, veículos brasileiros, queimando gasolina brasileira. “Neste instante – acentua – a indústria automobilística nacional pode dizer: presente”. E mais adiante: “Aí estão os veículos brasileiros, prontos para o cumprimento de sua missão”. Encerra sua oração transmitindo ao Presidente Kubitschek “a palavra de fé nos destinos da pátria, neste momento em que as caravanas chegam e o Brasil parte no rumo do futuro”. Usa da palavra também, o Bispo D. José Pedro, traduzindo o júbilo de todo o povo brasileiro ante a concretização das metas governamentais. “Precisamos acreditar num Brasil que se unisse em torno de empreendimentos como este – Brasília -, sonho que se tornou realidade. Aqui estou, para bendizer a pessoa de Vossa Excelência”. E, a certa altura de sua oração: “As injustiças, as calúnias e as incompreensões foram a moldura de todos os grandes homens que, no passado, trabalharam pela grandeza dos povos. Deus está com o Brasil, através de Vossa Excelência”. Várias outras personalidades fazem uso da palavra, entre as quais o coronel Paulo René de Andrade, representando a cidade natal do Presidente da República, Diamantina; e o senhor Marcílio Viana. O orador seguinte é o Governador do Amazonas, senhor Gilberto Mestrinho. Em tom entusiástico, ressalta as realizações do atual Governo, mencionando dentre elas Furnas e Três Marias. Os derrotistas e caluniadores – diz – fazem acusações ao Governo, mas este tem respondido a todas as calúnias com empreendimentos concretos: indústria automobilística, estradas que cortam o país de Norte a Sul, petróleo, conquistas de toda a sorte. Encerra suas palavras apresentando ao Presidente, pelo muito que tem sido realizado, os agradecimentos da Amazônia e do Estado do Amazonas. Um operário, procedente da Paraíba, embora não estivesse inscrito entre os oradores, toma a palavra e, com expressões do mais alto entusiasmo, em nome de seus companheiros, saúda o Presidente Kubitschek. Apesar da chuva que caia sobre Brasília, o povo não faltou com o seu aplauso ao desfile das colunas da Caravana de Integração Nacional, pelas principais ruas da cidade. O presidente Juscelino Kubitschek num gesto que calou fundo no espírito de quantos integravam a grande parada cívica, compareceu em um minúsculo veículo “Romi-Isetta”, para mais uma vez cumprimentar os caravaneiros. Encerrando a solenidade, fala o Presidente Juscelino Kubitschek. Após seu discurso, o Presidente Juscelino Kubitschek diz algumas palavras, agradecendo as manifestações de todos os oradores e a colaboração que vem recebendo para a consecução das metas, por mais difíceis e exaustivas. Em seguida, assina dois atos de significação nacional: um decreto conferindo condições de funcionamento, como porto livre, a Manaus, e outro conferindo o nome de Bernardo Sayão à rodovia Belém-Brasília. O último a falar, antes do discurso de encerramento do Presidente Juscelino Kubitschek, é o senhor Antonio Carlos Cantão, em nome do Centro Acadêmico 11 de Agosto, de São Paulo; faz ele entrega ao Presidente Juscelino Kubitschek da seguinte mensagem em pergaminho, de autoria do poeta Guilherme de Almeida: “Sobre o imenso mapa do Brasil desenha-se, neste instante, uma imensa cruz. Partindo, simultânea, dos quatro pontos-cardeais, quatro pontas de aço riscam a terra, atravessam lavras, selvas, praias, montes, vales, desertos e cidades, mirando um ponto de convergência. Aqui chegados, juntos, os quatro traços formam a desmedida cruz. É esta…como a do Cruzeiro do Sul, a das velas do Descobrimento e a do lenho da Primeira Missa, que, no céu, no mar e na terra, vem presidindo os destinos do Brasil, também esta será a benção. E porque é traçada pelas quatro colunas motomecanizadas da Caravana de Integração Nacional, será de Redenção. Provindas – Norte, Sul, Leste e Oeste – avançaram, firmes, as quatro pontas de aço. É o Brasil que tem encontro marcado consigo mesmo em Brasília pelo Sinal da Santa Cruz”. A imprensa noticia que o sucesso da marcha empreendida de Belém a Brasília foi de tal ordem que se animaram os seus comandantes a prosseguir viagem até o Rio, dando-a por encerrada na praça fronteira ao Palácio do Catete.   Bacia Amazônica – Durante sua estada em Brasília, o Presidente Juscelino Kubitschek recebe os governadores dos Estados e Territórios Federais da Bacia Amazônica. Nessa audiência, reúnem-se com o Presidente da República os governadores José de Mattos Carvalho, do Maranhão; José Feliciano Ferreira, de Goiás; Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, do Amazonas, e que representa o Governador do Pará; José Ponce de Arruda, de Mato Grosso; Paulo Nunes Leal, de Rondônia; Helio Araújo, do Rio Branco; e Manoel Fontenelle de Castro, do Acre. Os governadores da Amazônia externam ao Presidente da República o seu desejo de ver executado um vasto plano administrativo e econômico para promover o rápido desenvolvimento de toda a região com o aproveitamento de seus incalculáveis recursos, elevando, ao mesmo tempo, o nível de vida de seus habitantes. Na ocasião, os governadores apresentam a seguinte moção ao Presidente da República: “Os governadores dos Estados e Territórios que compõem a Região Amazônica, no momento que reúne, na futura Capital da República, os participantes da Caravana de Integração Nacional, expressam a sua mais viva solidariedade ao dinamismo da administração do senhor Waldir Bouhid, o qual, à frente da Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia, corresponde à confiança que lhe depositou o Senhor Presidente Juscelino Kubitschek ao lhe colocar sobre os ombros a pesada tarefa de encaminhar o enriquecimento de tão importante faixa do território pátrio. Ao assumir essa posição, propugna a Amazônia por um esquema administrativo que assegure a continuidade da obra iniciada pelo senhor Waldir Bouhid no sentido de impedir qualquer colapso no ritmo que se imprimiu ao desenvolvimento da região, cujo abandono vinha ganhando características de verdadeira calamidade nacional.” Recebe essa moção as assinaturas de todos os governadores acima. O Presidente Juscelino Kubitschek assegura aos Governadores que teria todo o empenho em ver executado o plano sugerido pelos Governadores da Amazônia, solicitando-lhes que apresentassem um conjunto de medidas concretas e as estudassem com o senhor Waldir Bouhid, superintendente do Plano de Valorização da Amazônia. Os Governadores externaram sua satisfação pela receptividade dispensada pelo Presidente da República às suas mais importantes reivindicações. Fica assentado que os Governadores irão brevemente ao Rio para levar ao exame do Presidente Juscelino Kubitschek as medidas mais importantes e mais urgentes para acelerar o progresso daquela vasta região brasileira.

Brasília, 4 de fevereiro de 1960

Deputado Emival Caiado – O deputado Emival Caiado, presidente do Bloco Parlamentar Mudancista, concede entrevista à Agencia Nacional, afirmando: - A construção da nova Capital e a transferência dos Poderes da República são fatos consumados e não cabe, a esta altura, discutir se a mudança se fará, mas tratar-se de efetivá-la, uma vez que já existem condições para isso. Meu projeto de fixação da data decorreu, não de deliberação precipitada, mas de exame acurado e planificação minuciosa. O que a Novacap, visando a alcançar as condições mínimas imprescindíveis para a mudança, estará realizado, sem dúvida alguma, a 21 de abril. Esclarece o deputado Emival Caiado, ainda, que promoveu uma reunião do Bloco Parlamentar Mudancista para o estudo de questões ligadas à transferência, tendo o grupo, depois de amplos debates, deliberado oferecer total apoio às medidas assentadas pela mesa da Câmara para a mudança desta, procurando mesmo estimulá-la na intensificação dos trabalhos até 21 de abril. - Com essa finalidade – acrescenta – a presidência do Bloco Parlamentar Mudancista pensa em acompanhar de perto as atividades dos diferentes setores encarregados da mudança, tendo sempre presente a necessidade de se dar a tal orientação um tratamento político de alto teor, condizente com o espírito patriótico da empresa. Finaliza sua entrevista o deputado Emival Caiado declarando que, “para dissipar qualquer dúvida na opinião pública”, o Bloco Parlamentar Mudancista resolveu proclamar ao País que serão inúteis todas as impatrióticas tentativas de adiamento de transferência da Capital Federal para o Planalto Central. Caravana de Integração Nacional – Em entrevista de imprensa, o Major Edson Perpétuo, coordenador da Caravana, manifesta sua satisfação pela precisão cronométrica com que foram executados os planos, lembrando que a Coluna Leste se atrasou em sua chegada à Brasília apensa sete minutos: prevista para às 12 h do dia 1º de fevereiro, sua entrada na nova Capital ocorreu às 12 h e 7 m. Revela também que, por toda a parte recebeu a Coluna Leste homenagens, não só de autoridades como de pessoas do povo. Em Cristalândia, pequena cidade do interior de Goiás, por exemplo, a população, tendo à frente o prefeito, abriu as portas de suas residências aos integrantes da Caravana. Ali, lhe foi feita uma intimação, pelo prefeito: este desejava receber, oficialmente um relatório de toda a jornada, para ser incluído na história da localidade. Revela finalmente o Major Edson Perpétuo que vai reunir esforços, novamente, desta feita para organizar a Caravana de Integração do Nordeste. Esta, constituída por uma coluna-monstro, deverá partir de Fortaleza e atingir Brasília. Interessante depoimento é feito, também, pelo Coronel Aviador Lino Teixeira, que comandou a Coluna Norte, à qual coube realizar o percurso Belém-Brasília, através da Rodovia Bernardo Sayão. A viagem dessa coluna durou sete dias, incluindo a estada em Goiânia, onde foram prestadas grandes homenagens à caravana. O deslocamento se fez igualmente com absoluto êxito. - Para que se avalie a excelente condição da Rodovia Bernardo Sayão – declara aquele militar – basta dizer-se que, durante toda a viagem, não ocorreu um só acidente com veículo. Nem mesmo um pneumático furado, o que é digno de nota. Um eloqüente atestado de ação governamental nestes quatro anos e um magnífico teste para a nossa indústria automobilística. Encerrando seu depoimento, diz o Coronel Lino Teixeira que no domingo, dia 24 de janeiro, a meio percurso da Coluna Norte, foi celebrada Missa, pelo Bispo de Bragança, no local em que perdeu a vida o engenheiro Bernardo Sayão, um dos pioneiros da abertura da rodovia Belém-Brasília. Abastecimento – Anuncia-se que, a fim de fazer face ao aumento de população que se verificará em Brasília com a transferência da Capital, estão sendo intensificados os trabalhos agrícolas que vem sendo levados a efeito pelo Ministério da Agricultura e pela Novacap, através de convênios, na área do futuro Distrito Federal, superior a 5 mil quilômetros quadrados. Em sua recente visita a Brasília, o Ministro Mário Meneguetti examinou vários problemas e assentou providências para a sua solução, trocando idéias com o Sr. Israel Pinheiro e com os representantes do seu Ministério. Desde logo, ficou decidida a imediata ampliação dos convênios, de forma a se emprestar maior vulto à produção vegetal e animal. Deverá ser construído pelo Ministério da Agricultura um conjunto de armazéns e silos no grande Centro de Abastecimento, onde vem a Novacap de autorizar a construção de um moinho de trigo, com a capacidade diária de 100 toneladas. Dos entendimentos havidos, ficou assentada ainda a vinda de outros técnicos do Ministério da Agricultura para pesquisas agronômicas, e se acordou a entrega ao Ministério de uma área rural de 12 mil hectares para instalação de serviços técnicos. Será em breve inaugurado o primeiro supermercado construído pela Novacap, enquanto se iniciam as obras do segundo e as de uma usina de pasteurização. Fazenda-Escola – Uma Fazenda-Escola, cuja base é constituída pelo antigo Posto de Criação e Monta, que há mais de cinco anos é mantido pela Inspetoria de Fomento Animal de Goiânia, está em organização por técnicos do Ministério da Agricultura, para desenvolvimento da pecuária nesta região. A Fazenda-Escola ocupa uma área de 430 ha a ser ampliada para 1.660 hectares e dista 26 quilômetros do perímetro urbano de Brasília, cabendo-lhe estimular as atividades até então a cargo do Posto, cuja eficiência deixava a desejar diante da falta de recursos, de pessoal e equipamento com que lutava. Com a construção de Brasília, foi reconhecida a necessidade de desenvolver aqueles trabalhos pioneiros e, para esse fim, estabeleceu-se o Projeto 44 firmado pelo Ministério da Agricultura, Novacap e o ETA, cujo programa teve inicio em agosto de 1958. Mais de 23 milhões de cruzeiros e 12.500 dólares foram aplicados nos trabalhos de campo, de construções e de assistência aos criadores locais. A Fazenda-Escola possui 315 hectares preparados (destocados), dos quais 290 plantados. Conta com nove veículos, 5 tratores, e 13 reprodutores machos de raças européias e deverá receber brevemente 50 vacas para revenda. Dez prédios modestos foram construídos, inclusive um laboratório veterinário para inseminação artificial, inaugurado há dias. Um apiário, com 15 núcleos iniciais, está sendo formado. Também funcionará ali um Posto de Demonstração Avícola, mediante contrato com o Projeto ETA-42. A Fazenda está preparada para atender a todos os pedidos de mudas e sementes de forrageiras para a formação de pastagens. O seu campo experimental possui mais de 100 variedades de forrageiras, oriundas das mais diferentes regiões do País. No ano passado forneceu aos interessados 120 mil mudas de capim Guatemala, 40 mil de aipim e 20 mil estacas de cana forrageiras, além de algumas dezenas de sacos de semente de capim gordura e de outras forrageiras, inclusive leguminosas, para multiplicação em granjas da Novacap e particulares. A sua patrulha mecanizada começou a funcionar em dezembro de já preparou mais de 100 hectares para formação de pastagens em propriedades de criadores locais. Pretende utilizar em larga escala a inseminação artificial e 30 filhos de reprodutores da Fazenda vem sendo criados em diversas propriedades para melhoramento dos rebanhos. Coluna Norte da Caravana de Integração – A Coluna, no rumo do Rio de Janeiro, chega à capital mineira.