Linha do Tempo

Brasília, 27 de março de 1960

Operação Alvorada – Um contingente de 100 fuzileiros navais e 20 marinheiros voluntários da Esquadra, sob o comando do Capitão-de-Corveta fuzileiro naval Clinton Cavalcanti de Queiroz Barros, parte às 9,45 do Rio de Janeiro, a pé, rumo a Brasília, na marcha que toma o nome de Operação Alvorada. Essa força, constituída na maior parte de soldados e oficiais paraquedistas e integrantes da Companhia de Reconhecimento C.F.N. e da Esquadra, chegará à futura Capital brasileira no dia 20 de abril a fim de tomar parte nas solenidades que ali terão lugar no dia 21.

 

Enquanto os fuzileiros digirem-se para a nova capital, há menos de um mês da inauguração, ainda há quem não acredite nos benefícios que a transferência da sede política brasileira trará à população. A placa mostra o empenho do governo de Juscelino Kubitschek em provar que Brasília há de mudar os rumos do país (Foto: Arquivo Público do DF)

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Brasília, 25 de março de 1960

Início da Mudança – Inicia-se a mudança da sede do Governo para Brasília, com a saída do primeiro comboio conduzindo material da Presidência da República, acondicionado em três carretas e dois caminhões de grande tonelagem. A partida da caravana, da praça fronteira ao Palácio do Catete, efetua-se às 18 horas, cercada de grande interesse popular. Cabe ao Chefe do Gabinete Civil, representar, no ato o Presidente da República. Depois de esclarecer que o Presidente Juscelino Kubitschek não pudera comparecer, em virtude de estar absorvido na adoção de providências relacionadas com o fragelo das cheias no Ceará, inclusive mantendo contacto permanente com autoridades, naquele Estado, o Ministro Sette Câmara formula votos de boa viagem ao comboio, acrescentando que dentro em pouco todos se encontrariam em Brasília. Na oportunidade, o Chefe do Gabinete Civil entrega ao motorista do primeiro caminhão todos os documentos relacionados com o transporte do material da Presidência da República e o roteiro de viagem, inclusive os pontos de pousada. O comboio deverá chegar a Brasília na próxima terça-feira, ao anoitecer. Todo o material embarcado pertence ao Gabinete Civil da Presidência, compreendendo arquivos, documentos e máquinas da Diretoria de Expediente, Assessoria Parlamentar, Biblioteca, 1ª, 2ª, 3ª. e 4ª Subchefias.

Brasília, 28 de março de 1960

Rodovia Brasília-Acre – A propósito da nova rodovia Brasília-Acre, que deverá ser aberta ao tráfego até dezembro de 1960, o engenheiro Regis Bittencourt, diretor geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, declara à imprensa que essa grande realização do Governo do Presidente Juscelino Kubitschek terá uma influência jamais alcançada por qualquer outra das estradas que interligam os diversos rincões do país. Além de beneficiar mais de 1 milhão e 200 mil quilômetros quadrados do território nacional – diz, – a Brasília-Acre possibilitará também a ligação do sistema rodoviário brasileiro à Rodovia Pan-Americana, o que diz bem de sua importância como via de penetração de uma das mais vastas e promissoras regiões do país e como instrumento de aproximação com as demais nações do continente. O engenheiro Regis Bittencourt faz essas declarações a propósito do relatório que lhe é apresentado pelos engenheiros Carlos Pires de Sá e Philuvio de Cerqueira Rodrigues. Diretores, respectivamente, da Divisão de Construção e da Divisão de Estudos de Projetos daquele Departamento, os quais acompanharam o Coronel Lino Teixeira, Subchefe da Casa Militar da Presidência da República, numa viagem de inspeção às obras de construção da Brasília-Acre. - O relatório – prossegue o sr. Régis Bittencourt – apresenta fatos alentadores, que nos permitem propiciar o incremento das obras para que cheguem a seu término na data prevista. Depois de esclarecer que a rodovia terá uma extensão total de 3.335 quilômetros, informa o Diretor Geral do DNER que seu traçado obedece à direção Leste-Oeste, iniciando-se em Brasília, numa altitude de 1.050 metros, para seguir o divisor de águas entre a bacia hidrográfica do Paraná-Paraguai e as do Tocantins e Amazonas. Atingirá Porto Velho numa altitude de 90 metros e daí descerá acompanhando o rio Madeira até Abunã, de onde avançará até o marco final em Rio Branco, capital do Território do Acre. Referindo-se ao andamento dos trabalhos, informa o engenheiro Regis Bittencourt que cerca de 5 mil toneladas de matérias diversificados de construção rodoviária já seguiram do Rio de Janeiro para Porto Velho, a bordo do navio ‘Rio Tubarão’. Tendo deixado o Rio no dia 22 de março corrente, aquela embarcação deverá levar trinta dias para vencer o percurso até a capital do Território de Rondônia, percorrendo na viagem, além do longo trecho costeiro, grande parte dos rios Amazonas e Madeira. A chegada a Porto Velho será em época oportuna, quando o nível mais elevado dos rios permita navegação e atracação mais fáceis às embarcações de maior calado. Até o momento o DNER já entregou ao tráfego o trecho Brasília-Goiânia e mais 60 quilômetros na direção de Jataí. De Jataí até Ponte de Pedra, no rio Verde, passando por Cuiabá, já existe um trecho completo de 1.205 quilômetros, dos quais 430 construídos pelo Exército. O traçado prossegue daí até Porto Velho, numa extensão de 1.090 quilômetros cobertos em sua quase totalidade por matas virgens, que precisam ser desbravadas, como aconteceu com a construção da Brasília-Belém. Uma comparação dá bem uma idéia do vulto da obra: o trecho a desmatar corresponde ao percurso Rio-São Paulo, nos dois sentidos. A partir de Porto Velho e até a capital acreana os trabalhos se desdobrarão por mais 550 quilômetros. Comenta então o Diretor-Geral do DNER que, devendo ser concluídos até dezembro 1.672 quilômetros da nova rodovia, os engenheiros e operários de seu Departamento terão que entregar uma média diária de estrada superior a 6 quilômetros. Quanto ao custo das obras informa que as previsões orçamentárias são da ordem de 2 bilhões de cruzeiros. Os trabalhos de construção são superintendidos por uma comissão especial chefiada pelo engenheiro Valdemar Uchoa de Oliveira. Na última parte de sua entrevista esclarece o sr. Regis Bittencourt que a Brasília-Acre estenderá sua influência por diversos Estados, na seguinte ordem: Goiás, 200 mil km2; Rondônia, 243 mil km2 e Território do Acre, 153 mil km2, áreas estas destinadas a grande futuro, graças à comunicação direta com a futura Capital. Concluindo, diz que, com a nova estrada para o Acre e com as demais que a ligarão diretamente a Belém, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo e outros pontos do território nacional, Brasília tornar-se-á o verdadeiro centro rodoviário do país, uma Capital no mais alto sentido, pois, em comunicação com toda a Nação, difundirá o sentimento de integração  e conquista pacífica de nosso próprio território. Arquidiocese de Brasília – A propósito da criação pela Santa Sé da Arquidiocese de Brasília, Dom José Newton de Almeida Batista, novo Arcebispo da futura Capital, concede à Agencia Nacional importante entrevista a respeito de suas futuras atividades pastorais em Brasília. Curso de Tratoristas – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova a exposição de motivos do Ministério da Agricultura referente à instalação de uma oficina mecânica para prestar serviços aos Cursos Rápidos de Tratoristas, na circunvizinhança de Brasília.