Linha do Tempo

Brasília, 27 de fevereiro de 1960

Tráfego aéreo – Em 1959, o tráfego aéreo comercial em Brasília mostrou-se superior, em número de pousos e decolagens, ao do aeroporto internacional do Galeão, na atual Capital da República. Os dados estatísticos fornecidos pela Diretoria de Aeronáutica Civil e divulgados pelo IBGE acusam, em 1959, um total de 6.741 pousos e 6.738 decolagens em Brasília, enquanto que os números apurados para o Galeão registram, respectivamente, 5.882 e 5.889.
O movimento de aeronaves comercias na Novacap apresenta, portanto, uma vantagem da ordem de 15%.
Transportaram-se para Brasília, por via aérea, no correr daquele ano, 88.194 passageiros e  lá embarcaram 84.052 passageiros. Embora esse movimento tenha sido ligeiramente menor do que o do aeroporto do Galeão (95.935 passageiros desembarcados e 97.743 embarcados) não está longe de alcançá-lo. Vale notar que o total de passageiros chegados de avião a Brasília – o que dá a medida de seu interesse turístico – supera em mais de vinte milhares a população ali residente (64.314 habitantes, segundo o último Censo).
Relativamente ao transporte de volumes, o aeroporto da Nova Capital já mostra resultados apreciáveis. No ano passado foram desembaraçadas 1.645 toneladas e embarcadas 774 toneladas de mercadorias. São no entanto ainda modestas as quantidades de correspondência e encomendas postais transportadas por via aérea: 2.333 quilos enviados e 3.140 quilos recebidos.
Fonte: Coleção Brasília VII – Diário de Brasília – 1960. Presidência da República.

 

Antes mesmo da inauguração, a cidade em forma de avião já recebia mais aeronaves que a antiga capital da república. Os visitantes que chegavam voando à nova capital eram recebidos de asas abertas (Foto: Arquivo Público do DF)

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Brasília, 26 de fevereiro de 1960

Jóquei Clube de Brasília – Eleito Presidente do Clube, o senhor Vasconcellos Costa, interventor do Governo Federal junto à Prudência Capitalização, concessionária do Brasília Palace Hotel.

Brasília, 2 de março de 1960

Clima – A imprensa comenta que o Serviço de Meteorologia do Ministério da Agricultura já conta com um Observatório Meteorológico em Brasília, cuja construção está praticamente terminada, devendo-se proceder em breve à instalação do instrumental já adquirido. No observatório da futura capital serão realizadas rádiossondagens com aparelhos eletrônicos, fazendo-se também emprego do radar, a fim de se pode medir, diariamente, até grandes altitudes (cerca de 30 km), as variações da pressão, temperatura, umidade relativa e ventos, dados esses de absoluta necessidade, não só para aperfeiçoar a previsão do tempo, mas ainda para orientar com maior segurança os pilotos da aviação comercial cujos vôos a jato se realizam em torno dos 13 mil metros de altitude. Além desse equipamento, o observatório utilizará outro tipo de radar para determinar as áreas em que estiverem ocorrendo chuvas até uma distância de 200 a 300 km em torno. A imagem das cartas sinóticas, organizadas diariamente no Rio, será transmitida para Brasília, pelo sistema fac-smile (via-rádio). O clima de Brasília, ameno e saudável, apresenta as características dos climas tropicais de altitude (1.000 metros), isto é, embora se eleve durante o dia, a temperatura cai à noite, descendo sempre abaixo de 20ºC, o que torna as noites agradáveis e repousantes. As chuvas caem nos meses de verão (novembro a março), atingindo cerca de 1.750 milímetros (valor médio anual), contrastando com os meses de inverno que são inteiramente secos. Durante a época chuvosa, predominam os ventos do Norte, ao passo que durante o inverno são mais freqüentes os ventos de Este e Sueste. A umidade relativa alcança no verão a média de 85%, mas cai no inverno a 60%, o que torna seco o ar no inverno. De acordo com o programa aprovado pelo Ministério da Agricultura, será instalado em Brasília um Instituto dotado do mais moderno aparelhamento, para o fim de proceder ao estudo aprofundado do clima do Planalto Central e de suas bacias hidrográficas, naquilo em que estas envolvem aspectos meteorológicos. O estudo far-se-á sob todos os aspectos: macroclima, mesoclima, microclima, climatologia, sinótica, etc. O Instituto também cuidará de maneira especial dos climas tropicais e de sua influência sobre a formação dos solos e o comportamento das culturas, para fins ecológicos. Estudará ainda, a par do problema das chuvas artificiais, as condições oferecidas pela região do ponto de vista bioclimático e da climatologia médica. Deverá denominar-se Instituto de Pesquisas Meteorológicas e Hidrológicas.  

O cerrado, com suas árvores contorcidas e resistentes às dificuldades do clima, servia - e serve ainda - de inspiração para quem desembarcava no planalto central: era preciso resistir a qualquer seca ou tempestade para criar raízes na terra prometida  (Foto: Arquivo Público do DF)