Linha do Tempo

Brasília, 23 de janeiro de 1960

Telecomunicações – O Presidente Juscelino Kubitschek autoriza a Comissão Executiva do Plano Postal Telegráfico a empregar a importância de 550 milhões de cruzeiros, constante do Orçamento em vigor, para atender a diversos serviços, inclusive o estabelecimento de telecomunicações com Brasília.

 

Caravana de Integração Nacional – A Caravana já se encontra em pleno movimento.

Assim é que, ontem, dia 22, a Coluna Sul deixou Porto Alegre para pernoitar em Vacaria, vencendo um percurso de 230 quilômetros. Nesta data, pela manhã, essa mesma coluna parte de Vacaria, no Rio Grande do Sul, com destino a Rio Negro, no Paraná, numa etapa de 364 quilômetros.

Amanhã, pela manhã, a Coluna Sul se deslocará de Rio Negro, com destino a Curitiba, onde pernoitará.

Por sua vez, a Coluna Norte inicia nesta data sua marcha, deixando Belém às 8 horas da manhã, para alcançar São Miguel do Guamá, às 10,50 horas, prosseguindo dessa cidade até o quilômetro 163, término do trecho até agora asfaltado, no Norte, e onde pernoitará.

Lambretistas de Belém fizeram a escolta da primeira camioneta que conduzia os dirigentes da coluna (Valdir Bouhid e Coronel Lino Teixeira) e a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré, Padroeira de Belém e da Amazônia, até a saída da Cidade. Todos os carros, numerados, saíram da porta da Catedral, após a missa de despedida e a benção dada a cada veículo pelo Vigário Geral de Belém.

Em seguida à Rural Willys número um seguiram os jipes conduzindo os 35 jornalistas convidados pela Rodobrás; em ônibus, caminhões e caçambas da Mercedes-Benz, DKW-Vemag, Volkswagen, General Motors, seguiram os convidados e representantes das indústrias automobilísticas e as autoridades e técnicos da SPVEA e Rodobrás.

Dois Governadores (Hélio Araújo, do Rio Branco, e o Coronel Paulo Nunes Leal, de Rondônia), os Cônsules dos Estados Unidos e do Japão e o Bispo da Prelazia de Guamá, D. Elizeu, acompanharam desde o inicio a caravana.

Sobre o rio Guamá está em construção uma ponte de 80 metros de comprimento, sendo essa e a ponte de Estreito as duas principais obras de arte do extenso traçado de cerca de 2.200 quilômetros entre Belém e Brasília.

À margem esquerda do Guamá é que está colocada a estaca zero da rodovia que se desenvolve, desse ponto em diante, sobre terreno que há dois anos ainda era coberto de mata virgem.

Do Guamá ao Campo 163 a estrada oferece as melhores condições de tráfego, bastando dizer, para ressaltar esse fato, que os veículos da Caravana – todos de fabricação nacional – puderam chegar a seu destino apesar de violentíssimo temporal que assolava a região.

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Brasília, 22 de janeiro de 1960

Caravana de Integração Nacional – A imprensa noticia que, no próximo dia 2 de fevereiro, o Presidente Juscelino Kubitschek assistirá, acompanhado de seu Ministério, do Palácio do Planalto, a entrada, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, da Caravana de Integração Nacional, constituída pelas colunas Norte, Sul, Leste e Oeste, tendo à frente dos Governadores dos Estados a serem pelas mesmas percorridos. A Caravana, partindo, com sua diferentes colunass, de Belém, Porto Alegre, Rio e Cuiabá, convergindo sobre a nova Capital da República, oferecerá ao povo brasileiro uma visão maciça do desenvolvimento alcançado pela indústria automobilística nacional e ao mesmo tempo revelará que o sistema rodoviário brasileiro atingiu o importante objetivo de ligar umas às outras as diferentes regiões do país, integrando-as num bloco único. A Caravana de Integração Nacional é uma idéia que partiu da indústria automobilística brasileira, com o objetivo de prestar uma homenagem ao Presidente Juscelino Kubitschek pela passagem do 4º. aniversário de seu Governo. A organização da Caravana ficou a cargo da própria Presidência da República, sendo supervisor da mesma o Coronel Aviador Lino Teixeira, Sub-chefe do Gabinete Militar, e coordenador o Major Edson Perpétuo, Ajudante de Ordens do Presidente da República. O empreendimento será realizado sem nenhum ônus para os cofres públicos, de vez que as indústrias automobilísticas contribuirão com os veículos, pessoal e demais encargos. Cada coluna será constituída por 50 viaturas, num total, portanto, de duzentas, estando compreendidos nesse número todos os tipos de veículos fabricados pela indústria automobilística nacional, que percorrerão os nossos sertões, numa demonstração do progresso alcançado por esse setor da indústria brasileira. As Colunas da Caravana de Integração Nacional tem seus pontos de partida em Belém, Porto Alegre, Rio e Cuiabá, isto é, procederão do Norte, Sul, Leste e Oeste, concentrando-se em Brasília. Os itinerários a serem seguidos pelas mesmas serão, também, uma amostra do trabalho levado a efeito pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem e pela Rodobrás, que construiu em tempo recorde muitos dos trechos a serem agora entregues ao povo brasileiro. A Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional, sob o comando do Coronel Lino Teixeira, deixará a 23 a cidade de Belém, no Estado do Pará, a fim de cobrir o seguinte itinerário: Belém Guamá, Açailândia, Estreito (onde atravessará o rio Tocantins), Guará, Gurupi, Porangatu, Ceres, Anápolis e Brasília. A estrada, numa extensão de cerca de 2.250 quilômetros, é de terra, estando asfaltados os trechos de Belém a Guamá e de Anápolis a Brasília. Comandada pelo Major Leopoldo Freire dos Santos, do Estado Maior do Exército, a Coluna Sul é a primeira a partir, deixando, hoje, Porto Alegre, pela manhã, atingindo à tarde a cidade de Vacaria. Daí prosseguirá viagem, passando por Rio Negro, Curitiba, onde se subdividirá em duas, seguindo uma para Capão Bonito, pela estrada da Serra, e a outra para Registro, pela estrada nova do Litoral, atingindo, as duas, São Paulo. Nessa Capital, a Coluna destacará seis veículos que se deslocarão para a BR-55, estrada “Fernão Dias”, a fim de se encontrarem em Belo Horizonte com a Coluna Leste. O grosso das viaturas da Coluna Sul prosseguirá de São Paulo para Limeira, Jaboticabal, Prata, Goiânia, Anápolis e Brasília. O itinerário a ser coberto pela Coluna Sul será de 2.300 quilômetros, dos quais 1.100 já totalmente asfaltados. A ligação de São Paulo a Belo Horizonte, pela BR-55, cobre 570 quilômetros, dos quais 400 estão pavimentados. A Coluna Leste, comandada pelo Major Edson Perpétuo, partirá do Rio na manhã do dia 28 de janeiro corrente, da praça fronteira ao Palácio do Catete, para cobrir perto de 1.200 quilômetros com o seguinte itinerário: Juiz de Fora, Belo Horizonte, Três Marias, Cristalina e Brasília. Desse percurso, 1.100 quilômetros já estão asfaltados, estando apenas por pavimentar cerca de cem quilômetros não consecutivos. A partida da Coluna Leste, no próximo dia 28, do Rio, será revestida de solenidade, na praça fronteira ao Palácio do Catete. Uma banda de música executará, então, o Hino Nacional, seguindo-se uma revoada de pombos da Diretoria de Comunicações do Exército. A Coluna Oeste, organizada pelo Governador do Estado de Mato Grosso, Sr. Ponce de Arruda, partirá de Cuiabá, no próximo dia 25, passando por Rondonópolis, Alto Araguaia, Mineiros, Jataí, Rio Verde, Goiânia, Anápolis e Brasília, num percurso de 1.300 quilômetros. A Diretoria de Comunicações do Exército manterá ligação constante entre as diversas colunas, juntamente com a rede de rádio do DNER, da SPVEA e dos rádios-amadores do país, acompanhando-as sempre e proporcionando a todos os brasileiros informações sobre a marcha da Caravana de Integração Nacional, em seus quatro movimentos. Essas informações serão distribuídas às emissoras, aos jornais e transmitidas diariamente pela “Voz do Brasil”. Chegando as diversas Colunas a Anápolis, no dia 1º. de fevereiro, na manhã do dia 2 chegarão a Brasília. O Presidente Juscelino Kubitschek, acompanhado de seu Ministério e de altas autoridades, assistirá, do Palácio do Planalto, à entrada, na Praça dos Três Poderes, das Colunas da Caravana de Integração Nacional, trazendo os Governadores dos Estados. Em seguida, haverá missa em Ação de Graças, após o que será realizado um almoço de que participarão o Presidente da República, os Ministros de Estado e outras autoridades.

Brasília, 24 de janeiro de 1960

Caravana de Integração Nacional – A Coluna Norte, procedente de Belém, com 50 carros, chega a Açailândia, onde, precisamente há um ano, o Presidente Juscelino Kubitschek assistira à solenidade do encontro dos tratores das patrulhas de desmatamento. Açailândia, que há um ano e meio ainda era floresta virgem, hoje constitui centro em que já se aglomera uma população pioneira na tarefa de implantar a civilização numa região antes completamente desabitada e desconhecida. Este povoado, servido por excelente campo de aviação, dista 72 quilômetros de Imperatriz, cidade centenária, à margem direita do rio Tocantins, marcando o limite meridional da Hiléia Amazônica e o inicio do chapadão goiano. Antes de deixar o campo 163, a Caravana assiste Missa campal, celebrada pelo Padre Vitaliane Vare, secretário do Bispo de Guamá, Dom Eliseu. O próprio Bispo serve como acólito da cerimônia, à qual compareceram todos os membros da Caravana, no total de 240 pessoas. É a Missa rezada justamente no local onde o Engenheiro Bernardo Sayão pereceu, atingido por gigantesca árvore. Uma grande cruz de madeira assinala o ponto em que se deu o infausto acontecimento. A Caravana já se encontra em pleno território maranhense. Os motoristas das viaturas consideram satisfatórias as condições da estrada, levando em conta a época de chuva e o fato de ainda se acharem em fase final de construção vários trechos da rodovia. Todos os integrantes da Caravana estão satisfeitos por haverem cumprido a primeira etapa da jornada sem o menor acidente. A Coluna Sul percorre o trecho entre Rio Negro, no Paraná, na fronteira de Santa Catarina, e Curitiba, onde chega às 12 horas.