BRASÍLIA, 1960

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BRASÍLIA, 1960
A Oscar Niemeyer

 
Os cones de pó vermelho
soprados na face nova.
Nos cones, sacis antigos
girando no pensamento.
Ah! cones de pó vermelho,
os guris não trazem sustos
às tuas carnes de vento?
 
Da torre o verde engatinha
na tarde que asfixia:
os cones de pó vermelho
bebem patas de cavalos
pastando desabalados
os agres cachos do tempo:
os cones e seus cavalos
pisando nas mãos do vento.
 
Os giros vêm do invisível
trazendo mensagem lívida.
 
Os cones de pó vermelho
tangendo as cores do dia,
sopram os mais raros mistérios
sobre os olhos e cabelos
Há fluidas mitologias
hauridas desse momento.
 
Cavalos desesperados
sobre pasmos e desvelos
pastam passos e lamentos,
ruminam campos do outrora
pisando nas mãos do vento
 
Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, natural de Aimorés.
Transcrito do livro “Tempo de Ceifar”, 2002.

 


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