Linha do Tempo

Brasília, 10 de fevereiro de 1960

Catedral – Divulga-se que a iniciativa privada, representada pela maioria das empresas construtora que trabalham em Brasília, colaborará para o erguimento da catedral planejada por Oscar Niemeyer. A catedral, que ficará localizada na Praça dos Três Poderes, já tem sua construção iniciada, com o anel de base concluído, em formato circular.
Agora, as colunas começam a surgir e toda a população verifica que mais esta gigantesca obra, que abrigará os católicos da nova capital em suas maiores festas, terá sua construção finalizada em breve. Até agora foram reunidos para o levantamento do templo quatorze milhões e seiscentos mil cruzeiros, como colaboração de cerca de cinqüenta empresas construtoras e bancárias que operam aqui.
Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Às 9 horas, parte do Rio de Janeiro, com destino a Porto Alegre, a Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional. Batedores da Guarda Civil escoltam a caravana até à barreira da Rodovia Presidente Dutra.
Compõem a caravana trinta e sete veículos de fabricação nacional e mais de duzentas pessoas, entre autoridades civis e militares, jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos. Na cidade de São José dos Campos, a ela se incorporarão mais cinco carros, também de fabricação nacional.
A Coluna Norte percorrerá todas as cidades que margeiam a rodovia Rio-São Paulo. De São Paulo rumará a Registro-Curitiba, Rio Negro-Lajes-Vacaria-Caxias do Sul, e finalmente, Porto Alegre, aonde deverá chegar na próxima segunda-feira.

Visita do Presidente Eisenhower – O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América cede ao Governo brasileiro, por empréstimo, o equipamento de transmissão radiotelefônico que colocará Brasília em comunicação com o resto do mundo durante a próxima visita do Presidente Eisenhower.
O equipamento destina-se a 18 canais de radiotransmissão e pesa, ao todo, 25 mil libras, ou seja, de 10 toneladas, devendo seguir para Brasília logo após seu desembarque.
Com essa iniciativa do Itamarati os correspondentes estrangeiros que acompanharam o Chefe da Nação americana à futura Capital do Brasil terão sua missão facilitada.

Organização Judiciária – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de lei que dispõe sobre a Organização Judiciária do Distrito Federal de Brasília.

Lei Orgânica de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek envia ao Congresso Nacional, acompanhado de mensagem, o projeto de Lei Orgânica do Distrito Federal de Brasília.

Hospital de Brasília – O Presidente Juscelino Kubitschek aprova o plano de aplicação proposto pelo Ministério da Saúde, referente à dotação de duzentos milhões de cruzeiros, para prosseguimento das obras do Hospital Distrital de Brasília.

 

A catedral metropolitana da nova capital já tem o anel de base concluído, em formato circular. As colunas começam a surgir, mas a entrega da obra acontecerá só uma década depois da inaguração da cidade, no início de 1970 (Foto: Arquivo Público do DF)

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Brasília, 9 de fevereiro de 1960

Jornalistas internacionais – Visita Brasília uma caravana composta de mais de 80 jornalistas internacionais, entre eles o Sr. William Randolph Hearst Jr., proprietário de famosa cadeia de jornais norte-americanos. Palácio dos Despachos – Acha-se em fase de acabamento, recebendo retoques finais, o Palácio dos Despachos, com entrega prevista para os próximos dias. Nesse Palácio já foi realizado o grande banquete de recepção aos integrantes da Caravana de Integração Nacional, que recentemente se reuniu em Brasília procedendo de todos os extremos do país. Rodovia Bernardo Sayão – O senhor Alair Barros, Chefe de serviço da Rodobrás, diz à imprensa, em entrevista, que, sem o apoio da Aeronáutica, teria sido praticamente impossível a abertura da rodovia Belém-Brasília dentro do curto prazo em que se realizou a obra, acentuando: “Foi, com efeito, notável o trabalho realizado pelos oficiais e funcionários do Ministério da Aeronáutica destacados para apoiar as frentes de serviço dos trabalhadores da Rodobrás. Abrindo campos de pouso na selva equatorial, transportando técnicos e trabalhadores mortos e feridos, gêneros alimentícios, medicamentos, levando e trazendo notícias, as aeronaves transformaram-s, durante todo o tempo da derrubada das matas e da abertura do traçado, no único elo de ligação entre a civilização e os que construíam a estrada.” Com a criação do Departamento de Base Aérea de Brasília, em maio de 1958, foi possível organizar-se o plano de cobertura dos aviões da FAB aos trabalhadores encarregados do desmatamento. Naquela ocasião, chegava à futura Capital Federal o primeiro C-47, com cerca de vinte homens a bordo para manutenção e guarda das aeronaves que seriam colocadas á disposição do Destacamento. Não havia em Brasília acomodações apropriadas para o pessoal. Militares e civis comiam precariamente, pois ainda não existia rancho. As primeiras clareiras na mata foram abertas sob a orientação do Ministério da Aeronáutica. A de Guamá, às margens do rio com idêntico nome e distante 140 quilômetros de Belém, serviu como ponto de referencia ás demais, que passaram a denominar-se Quilômetro 14, Quilômetro 163, Quilômetro 305, Quilômetro 402, etc., de Guamá. À medida que as frentes de serviço penetravam na selva, as aeronaves da FAB despejavam os alimentos em pacotes ou em sacos, na clareira mais próxima. “Paulistinhas”, “Beechcrafts” e  “Douglas” efetuavam arriscados vôos rasantes e a velocidade reduzida para cumprir essas missões. Raros foram os casos de perda de material, por erro de cálculo, apesar de os pilotos efetuarem as manobras “medindo as árvores de 60 metros”. Encerrada a fase de desmatamento e com o avanço das máquinas encarregadas de nivelar o terreno e de abrir o traçado, muitas das clareiras puderam ser transformadas em pista de pouso, sob a orientação ainda dos técnicos da Aeronáutica. Hoje contam-se 18 pistas de pouso ao longo da Rodovia Belém-Brasília, com uma extensão que varia de 800 a 1.300 metros cada Para continuar apoiando a construção da BR-14, o Destacamento de Base Aérea de Brasília dispõe agora de 3 aviões C-47. 2 helicópteros e alguns aviões de pequeno porte.” Mais 4 aviões de treinamento a jacto, do tipo T-33 chegarão ao nosso país brevemente e serão destinados ao Curso de Caça, que funciona em Fortaleza. Esses aparelhos serão transportados para o Brasil em vôo.

Brasília, 11 de fevereiro de 1960

Ministério da Agricultura – Em entrevista de imprensa, o senhor José Vieira, Chefe do Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura afirma que os setores afetos ao Ministério da Agricultura, na área da futura Capital Federal, vem sendo cuidados com a atenção exigida pela sua importância em face do crescente desenvolvimento demográfico da região. O empenho com que estão sendo realizados os serviços de fomento da produção vegetal e animal, bem como os trabalhos florestais, são de molde a assegurar perspectivas as mais animadoras, quanto a esse ãngulo, para aqueles que se vão radicar em Brasília. - Tais serviços de fomento – acrescenta o sr. José Vieira – estão entregues a técnicos competentes e vem tendo todo apoio do Ministro Meneguetti. Realizados em regime de convênios com a Novacap, estão obtendo bons resultados, a despeito das dificuldades encontradas. Em minha visita a Brasília, pude apreciar os trabalhos diretos que a Novacap está levando a cabo no setor agrícola e que representam uma apreciável colaboração em beneficio da cidade. Prossegue o diretor do S.I.A. informando que o convênio firmado entre o Ministério, a Novacap e o E.T.A. (Projeto 34), posto em execução em 1957, propiciou a inversão de cerca de trinta e dois milhões de cruzeiros e a aquisição de equipamentos no exterior, interessando sua aplicação a uma área de 1,892 hectares. Nessa área, que já dispõe de 43 quilômetros de estradas internas, estão sendo usados recursos para restauração e conservação do solo, bem como para terraceamento. Possui ela, agora, 300 hectares cultivados, nos quais foi aplicado o método de cultura seca e produção de cobertura vegetal, cujas finalidades são diminuir a evaporação e adubar a terra. Passando a aludir às possibilidades agrícolas da região da futura Capital, revela o Sr. José Vieira: - Aplicada a técnica agronômica em 4.200 m2 daquela área do Ministério da Agricultura, foi obtido no ano passado, com a plantação de 19 variedades hortícolas, um lucro de quase 160 mil cruzeiros. Ali se obteve também milho, feijão, melancia, mandioca, amendoim, bem como se conseguiu excelente resultado com a criação de aves. Existem ali duas represas em funcionamento, 5.230 matrizes frutícolas, 35 mil pés de abacaxis em produção e grande plantio de batata-doce. Por sua vez, o Projeto-44, que reúne atividade do Ministério, do ETA e da Novacap, está alcançando bons resultados no que diz respeito á produção animal. Numa fazenda de 1.660 hectares, estão sendo executados trabalhos proveitosos, desde 1958. Nessa fazenda, que se situa a 26 quilômetros de Brasília, foram preparados 315 hectares, dos quais 290 já se acham plantados. Mais de 100 variedades de forrageiras são cultivados em seu campo experimental, tendo sido distribuídas aos criadores locais, até hoje, mais de 120 mil mudas de capim guatemala, 40 mil de aipim, 20 mil estacas de cana forrageira, dezenas de sacos de sementes de capim gordura e outros. Este ano, poderão ser atendidos todos os pedidos das granjas oficiais e particulares de Brasília, para a formação de pastagens. Com relação aos trabalhos florestais, estão se processando segundo os planos. Para esse fim, através de acordo com a Novacap, dispõem os responsáveis por sua execução de 600 mil mudas de árvores e 5 milhões de unidades para ajardinamento. Mais de 10 mil mudas de essências florestais e mais de 200 mil mudas ornamentais foram entregues à Novacap para arborização da cidade. Rodovia Bernardo Sayão – Entre os serviços que a rodovia Bernardo Sayão prestará à economia do Planalto Central, a partir de pouco tempo, está o do transporte do sal, que terá o percurso de chegada a Brasília diminuído de dois mil quinhentos e vinte e oito quilômetros, bastando para tanto que seja efetivado o entrosamento desta grande estrada com a rede rodoviária nordestina. Esta afirmação está contida em um estudo escrito pelo presidente do Instituto Brasileiro do Sal, senhor Dioclécio Duarte, e enviado ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste, agora encampado pela Sudene. O que se torna necessário – afirma aquela autoridade federal, na tese – é que se encontre uma fórmula de intercâmbio comercial que garanta uma troca constante, de modo a assegurar equilíbrio econômico para as empresas que se dispuserem a transportar o sal para o Planalto. O comércio de sal para o Centro do País,com a volta dos veículos transportando, por exemplo, o charque goiano, que é de ótima qualidade, seria um dos meios concretos para a solução do problema. Estas considerações de ordem econômica foram dadas ao CODENO tendo em vista a proximidade da transferência da capital para Brasília e a necessidade de cuidar-se de assunto de grande importância, dada a necessidade do sal para o consumo de uma grande população que se fixará no Planalto Central, bem como para os rebanhos que ali se encontram e diversos tipos de indústrias que se estabelecerão na mesma região, precisando de grandes quantidades do produto. A mudança da sede do Governo para o centro geográfico do país motivou novos estudos por parte da direção do Instituto Brasileiro de Sal, através de seu presidente e de seus vários técnicos. A diminuição do percurso de mais de dois mil e quinhentos quilômetros, significará possibilidades de barateamento do produto, tendo em vista os fretes menores. As ligações terrestres para a rodovia Belém-Brasília estabelecerão os novos rumos para os transportes de sal nesta região brasileira que agora se lança como sede do desenvolvimento do Brasil. Hospedagem de visitantes – A cidade de Goiânia, Capital do Estado de Goiás, já iniciou os preparativos para recepcionar ilustres visitantes que para ali acorrerão em virtude da transferência da capital no próximo mês de abril. Sua administração municipal, chefiada pelo prefeito Jayme Câmara, realizará um original programa de hospedagem das personalidades, principalmente mestres estrangeiros e autoridades de vários Estados, nas vésperas da mudança. Nesse sentido, uma comissão especial, denominada de “cooperação”, com cinco membros, já está articulando seus primeiros movimentos, de modo a ter um completo levantamento das possibilidades de hospedagem destes visitantes em residências de família da capital goiana. O começo da atividade está se mostrando dos mais promissores, dada a tradicional cortesia da gente da Goiânia e seu espírito de colaboração a todas as iniciativas que visem o bem comum e a propiciar aos que desejam ver Brasília momentos de satisfação em contato com o povo do Planalto Central, através de seus costumes. Coluna Norte da Caravana de Integração Nacional – Em sua marcha para Porto Alegre, a Coluna alcança a cidade de São Paulo.  

A produção vegetal e animal nas proximidades da nova capital acompanha o ritmo acelerado da construção da cidade. Na foto, trabalhadores rurais em caminhão com carregamento de laranjas na região do Distrito Federal (Foto: Arquivo Público do DF)