Bela, bela

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas 1 Comentário

Bela, bela
Minha cidade
Tem palácios tem favelas
sobra comida nos banquetes
E aos famintos sempre é dado
o vazio das panelas.
Bela, fria, bela, fria
pelas ruas, plenas tardes
nas varandas, nas butiques
tem madames, tem vadias
nas cirandas dos meninos
tiroteios, gritaria.
Bela, bela neobabel
Capital da esperança
Tem malucos, tem mendigos
Matadores de crianças
(manhãs, noites e pontes)
quem espera nunca alcança
o ritual da bonança.
Triste, bela, fria, triste
Ilha de serpentes e sequelas
De norte a sul do avião
Feira de falcatruas
Festival de dedo em riste
Maltratada, maltrapilha
Brasília observa e resiste
A tela do sol na cara dela
A cara dela na tela do sol

Ivan Monteiro, poeta brasiliense
Poema transcrito da coluna “Tantas Palavras”, Correio Braziliense de 11/07/2012

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Comentários (1)

  • Gerson Canuto

    |

    Epopéia
    Uma verdadeira epopeia a subida do povo brasileiro para conquistar o Brasil Central.
    Gerson Canuto

    Responder

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