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PALAVRAS À CIDADE LIVRE (Hoje Núcleo Bandeirante)

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Há trinta anos,
quando aqui cheguei,
no Planalto Central,
em Brasília,
ainda te encontrei
intacta,
na tua verdade pioneira,
na tua realidade rude, mas fecunda:
áspera imagem
do “far-west” brasileiro,
ó Cidade Livre!
Livre! Haverá adjetivo
com mais oxigênio e gloria?
Tuas ruas comprimidas
de rústicos chalés,
barracos-bares,
lojas atulhadas de mercadorias, bugigangas,
em improvisadas armações,
o lôbrego, úmido mercado,
contudo,
tão cheio de produtos da terra
e sombrio pitoresco,
o restaurante original
com culinária selvagem,
que ostentava
todas as carnes de caça do Brasil:
até carne de jacaré ou de cobra…
Hoje estás mudada:
despiste o traje
semibárbaro,
e te mostras garrida e urbana
– mais que urbana, moderna –
com a toalete higiênica e pálida
da Civilização!
Estás destinada ao Progresso:
a sorte que não pára.
Que traz todos os presentes
e também o seu oposto,
porque a Lei da Vida
é sempre esta:
falhar, enfrentar dificuldades,
antes de se criar o Bem…
Chamaste hoje Núcleo Bandeirante.
Uns quiseram te conservar
em redoma de museu,
outros simplesmente te destruir
(haverá algo mais fácil – e terrível –
que a destruição?).
Bandeirante é vocábulo
que se ajusta bem a ti,
à tua origem,
a teu destino de constante mutação,
de mudança para o engradecimento…
Ah! o velho Brasil tradicional,
de imensas propriedades e da escravidão,
que se consolidou à custa do heroísmo
e da ambição
(mas também da violência,
da opressão e de nefandos crimes)
será assimilado
pelo Brasil Novo
da Democracia,
do Povo Vencedor,
do Novo Patriotismo,
que é fraternidade viva, carnal,
e não há símbolos abstratos
e palavras grandiloquentes,
sem sangue, sem dor, sem amor,
e tu, Cidade Livre ou Núcleo Bandeirante,
és uma célula viva, resplandecente,
do Brasil Novo,
que explode em Mato Grosso, Goiás e Pará,
Rondônia ou Roraima,
que se levanta e assimila
velhos Brasis,
cristalizados, superados ou carcomidos,
pois o Progresso é a Lei da História!

Cassiano Nunes, poeta paulista, natural de Santos
Poema transcrito da antologia “Brasília: Vida em Poesia”, de Ronaldo Alves Mourinho

OS OVOS DE BRASÍLIA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas, Converse com os Poetas 1 Comentário

Clarice Lispector escreveu:
“A luz de Brasília fere o meu pudor.
A solidão me deixa perdida.
O ar seco suga a minha pele.
Sugiro que coloquem, no centro, este símbolo:
um grande ovo branco”. Estas setas
não picaram a nova Capital,
mas  gongaram a minha descoberta:
os ovos que Brasília nos oferta.
O de codorna, no Memorial JK.
Em parêntese: Juscelino, novo
Colombo, botou o cerrado em pé.
Deve ser de dinossauro o principal,
servido em duas metades,
na mesa do Congresso Nacional.
O de pássaro da fé,
ao lado da Catedral.
O de cobra,  no Instituto Histórico
e Geográfico, enterrado no tempo.
Os dois bem duros para cozinhar,
na igreja Santa Edwiges,
padroeira dos endividados.
A casca fina só na aparência,
pois com proteção divina,
na Assembleia de Deus.
E o pedaço da casca que restou,
no Museu do Índio.
Aquece esta ninhada, de Dom Bosco
a voz premonitória: “E nascerá
ali a nova civilização”,
que alimentará o mundo obviamente
à força de seus ovos.
Por agora, Brasília aberta aos ventos
ouve os gemidos de reivindicação.
Sua luz assenta o foco na verdade.
Sua solidão pensa o futuro da dor.
E a seca ovoide enfim se quebrará
na omelete do amor.

Berecil Garray, poeta gaúcho, natural de Passo Fundo
Poema transcrito do livro “Brasília: Vida em Poesia”, antologia de Ronaldo Alves Mousinho

BRASILIANAS

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Poemas para Brasília 1 Comentário

I
O céu se abre ao infinito
Teus espaços são a capital dos meus pensamentos
Sorri o busto que fundou esse sentimento monumental
De poder, nas tuas letras, estar agora, brasiliana

II
Inauguraram um monumento
Mas é a tua estampa
Que transforma meus pensamentos
Em traços curvos
Que nem Niemeyer sonhou

III
Tempo Estio
Em que corpo e alma tem mais sede
Embora muita água possa ver, em realidade
Não é fácil atingir teu lago
Mesmo assim,
Vou forjando uma orla
Pela beira –
Mar que, um dia, em sonhos verei

IV
Pesadelo alado
Que voa ao Norte
Mas é para o Sul que vertem tuas veias
No entanto, a alma, condor que vaga
Do alto vê: é um avião!
Quando enfim, ao leitor regresso
Eis que uma voz de metal me chama
Novamente ao teu aeroporto!

V
Ando em tua perspectiva
Por uma avenida sem fim e sem nome
Estonteante velocidade colorida
De sonhos em movimento
No rosto do menino
As luzes de uma cidade perdida
Olho para frente
O sinal deve abrir
(Qual será o caminho mais curto até o teu ser?)

VI
Abrindo picadas no teu seio
Pelo cerrado
Acreditando na visão
Vou quebrantando tua fé de pedra
Esse plano de gelo, bloco de certeza
De quem não quer me habitar
E sentir a paixão dos pioneiros
Com a força
E os sonhos
Nos quais sou operário
Que despenca de todos os andaimes

VII
Brasiliana tem olhos de gata
Iris de velha xamã
Com tuas seitas
Seus novos mistérios
Feiticeira do altiplano
De bruxa, de benzedeira
E não foi a cruz em sua fortaleza
Que lhe livrou desse feitiço
De possuir toda a gente
E a cidade
Que no inicio
Não tinha Deus
Não tinha amor, nem nada
Passou a crer mais na vida
E os templos: a natureza!

VIII
Na noite em que parti
Levantei poeiras e dúvidas
Na bagagem que juntei
Um mapa sem legenda
E o coração como bússola
Apenas na procura de teus jardins em mudança de estação
Porque meus pastores
São os pássaros que desenham em teu céu
As luzes coloridas desses dias

IX
O expediente
O calhamaço, o ouro e o calmante
O lilás de bocas trêmulas
De longe brilham e fazem fama
A Brasiliana que me engana
É uma miragem em reluzente deserto
Sinuosa, prematura e disfarçada
Que agora caminha distante
Batendo asas
Buscando a mortal travessia
Em saltos loucos
Nos meios-fios de Brasília

Marcelo Ferreira Carámbula, poeta gaúcho.
Poema transcrito da lista de ganhadores do “Prêmio Cassiano Nunes”

MEMÓRIA FUTURA

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Mesmo coberta
Brasília é uma cidade
nua. Intervalos,
espaço, o plano em que se inventa
se despojam, verticalmente
Planalto, Brasília salta
e se repete para o alto.

E comemora-se, num céu
declarado, num horizonte
preciso, como quem sabe
o que faz de si
e guarda o rosto explicito.

Em que cidade os vãos
se mostram com tanto
azul, e ventos e vertentes?
Onde limites
Que se correspondem, onde
lacunas que se preencham
apontando
sua vizinha evidência;
onde é que
guarda tanto sentido
em sua indiferença?

Os edifícios, nítidos
como cactus, contra uma terra
envolta em terra
se amaciam e se retomam em lago.
E o branco é mais longo
no assalto do poente,
e a técnica se arredonda
na memória da Acrópole
e pelo ser
se aconchega, nas dobras
do existente.

Nada se aglomera
ou se expulsa
nesta paisagem onde a razão
é o sensível e sua imagem.

Aqui se faz o homem:
geografia-geometria
e a historia murmurando
amanhã
nas curvas da poesia.

Aqui a terra se ergue,
lapidada em seu proveito,
aqui medita
o que a pátria espera
de nós, por nós,
na nudez dos que pensam.

Lupe Cotrim Garaude, poetisa natural de São Paulo

Três poemas de Heitor e outros

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A Alain Robbe-Grillet
 
Eu converso
com minha
adega
com vinhos
          preciosos
Converso
com meu
guarda-roupa
cada camisa
cada calça
é um grande
          papo
Converso
com sandálias
e sapatos
e com minhas
            meias
Não gosto
de gravatas
por isso
deixo-as
escondidas
no covil
das etiquetas
Converso
com o chuveiro
e com o
vaso sanitário
A pia
sem dúvida
é a grande
estrela
do banheiro
Converso
com a estante
povoada
de grandes
      astros
Verdadeiro
universo
de deusas
e Deus
Converso
com as
frutas e
com todas
as manifestações
da natureza
Converso
com o lixo
industrial
com o maior
respeito
Enfim
converso
com tudo
que existe
As pessoas
não são tão
importantes
como pensam
com seus
         egos
monstruosos.
 

CONSISTÊNCIA

À memória de Rubem Valentim
 
Meu lirismo está repleto
de amor
Meu amor consiste em ser fiel
às varrições do mundo
Cada dia ergo uma nova ética
ao momento maior do meu coração
Meu cérebro é uma usina ardente
intransigente com leis
legislando o bloqueio dos homens
Meu código é o poema diário
que escrevo com eles
sejam eles quem forem
Meu poema é um poema vigoroso
porque está farto
de formas esquálidas.
 

PÁSSAROS

À memória de José Godoy Garcia
 
Nunca
deveríamos temer
o nunca mais
 
o desprendimento
nos faz pássaros
voando
 
eternamente
na mente
do cosmos.
 
Heitor Humberto de Andrade, poeta baiano.
Poemas transcritos do livro “O Cão Selvagem”, Siglaviva

BILHETE PARA ADIRSON

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Caro Adirson, suas histórias
não são contos, são memórias
de Brasília, de suas glórias.
Acordes de violoncelos
nas encenações de Otelo;
validadas promissórias
em as outorgas uxórias
da cidade em formação.
 
Você é um aventurado
do mistério de obá,
fecundo, predestinado,
no rubro pó do cerrado
bem cedo chegou pra cá.
Trouxe a perspicácia e a pena,
a alma ardente e serena,
a garra pela notícias
novas, bem quentes, notórias,
o gosto pela pesquisa,
as narrações sem malícia,
a mais genuína historia.
 
 Assim, caríssimo Adirson,
tão zeloso e devotado
Barão do Paranoá,
continue investigando,
juntando os sagrados elos,
pontos, planos, paralelos
da custosa conexão,
cosendo o caso perfeito,
com manemolência e jeito,
nas trelas do coração.

Antonio Temóteo, poeta baiano, natural de Piatã.

Maria da Glória Lima Barbosa

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Maria da Glória Lima Barbosa identifica o Criador, que faz e amolda o homem – e a geometria, para as mãos do próprio homem. As figuras geométricas – a sensibilidade para dispô-las com simetria, equilíbrio, beleza enfim – são o prenúncio e antecedente de tudo. Depois, vem o consequente: a cidade com sua própria arquitetura, com a engenharia que a fez única e singular. Parodiando o livro (Gênesis), há a fase da construção, com a luz, os arcos, os portais, o “giro dos planetas”, e tudo é harmonia e perfeição, porque fruto de mãos sábias, modelares. É apenas o fenômeno da hereditariedade. Ares que respirou durante anos – na condição de aluna do curso de Letras, em seguida na elaboração de sua dissertação de mestrado sobre a poesia “brasiliense” – inspiraram Maria da Glória no poema “Universidade de Brasília”. Sua sensibilidade vai além das “(…) aulas de cálculo,/das análises sintáticas”,//”(…) das salas de aulas, dos horários e das teorias”,//”das teses e antíteses”. As antenas de poeta alcançam a singeleza da mulher que, no campus, “(…) rega as plantas no jardim”, na sua “ligação misteriosa” (…) “com a vida” (…). “Os bebês crescem nas barrigas” e “as buganvílias insistem em florescer/doidas de vermelho,/bem na porta da biblioteca”.
Grande amor é o da poetisa, que ela mal sufoca, mesclando-o aos elementos materiais, ao “painel de anúncios” (…)”, aos semáforos e asfaltos, à moldura da sala. Amor, que é sobretudo memórias e impregnou todas as coisas, as que o materializavam ontem (nos prédios e nas chuvas) e reflete-se hoje no que ficou como referencial. É uma lamúria sutil, delicada como o espírito da autora, que nos convida à solidariedade a quem era (e é) “(…) toda fé e solidão”. “No elevador”, a mulher é romântica, sonhadora, tem “fome e sede” ante o desconhecido, tentador, quase inteiramente alheio ao fascínio que exerce, logo no primeiro andar. No segundo andar, o jogo amoroso – tão próprio do espírito feminino – nega, orgulhoso, “a senha”. E sem que nada ocorresse, camuflada a senha, no oitavo andar, “o homem partiu para sempre”. “Praça de muitos poderes” é atualíssimo. Retrata “A chegança de Lula ao Planalto Central”.

Texto transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, seção “Esses poetas, esses poemas”, de Joanyr de Oliveira.

Brasília, 300 anos

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Por Paloma Oliveto
 

Naqueles tempos, eixo se referia à peça que ligava as rodas do carro de boi. Tesourinhas havia às centenas, mas essas voavam pelo céu do cerrado. Plano era cenário pelo qual passaram tantos escravos, bandeirantes, garimpeiros e tropeiros, para quem Norte, Sul, Sudoeste e Noroeste significavam apenas pontos cardeais apontados pela bússola. Brasília, porém, já estava ali.

Que ninguém se deixe enganar pelas linhas arquitetônicas modernas e os prédios de concreto da cidade. O Brasil colonial está entranhado no DF e no seu entorno. Seja nos pilares do altar da Igreja de São Sebastião, em Planaltina, seja na cicatriz deixada pelo garimpo em um morro da região de Saia Velha, a 35 km da Esplanada dos Ministérios, por toda parte, existem marcas de um passado com quase 300 anos, há muito tempo sufocado pelo sonho da capital futurista.
Essa Brasília da qual poucos se lembram corria o risco de ficar engavetada no Rio de Janeiro. No Arquivo Central do Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan), há centenas de fotografias tiradas entre as décadas de 1940 e 1970 por arquitetos do órgão vinculado ao Ministério da Cultura. Não se sabe por que os técnicos visitaram a região e fizeram registros fotográficos das edificações, mas é certo que o trabalho realizado, mais de meio século atrás, constitui um rico acervo, agora disponível no Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF).

Em maio, os historiadores Wilson Vieira Júnior e Elias Manoel viajaram para o Rio de Janeiro com a missão de digitalizar o conjunto de fotos que contém imagens inéditas, como as da antiga Casa de Câmara e Cadeia de Luziânia, prédio do século 18 colocado ao chão na época da construção de Brasília. Até agora, só eram conhecidas fotografias da lateral do presídio colonial, erguido por volta de 1750, no então Arraial de Santa Luzia. Os pesquisadores resgataram, inclusive, a planta baixa do edifício de dois andares, que não tinha porta para evitar a fuga de presos: vereadores e detentos entravam por um alçapão, construído no teto, ao qual se tinha acesso por uma escada móvel.

Relíquias

A pista de que havia imagens raras do Planalto Central no Rio veio do diretor do Instituto de Pesquisas e Estudos Históricos do Brasil Central (IPEHBC) da PUC-Goiás, Antonio Cesar Caldas Pinheiro. Ele encontrou em um livro do Iphan a foto de uma parte do altar da igreja de Traíras, povoado que foi o centro da mineração goiana na primeira metade do século 18, mas, que, hoje, só restaram ruínas. “Fui ao Rio, e, no Iphan, disseram-me que tinha essa foto e outras imagens importantes de Goiás”, conta Pinheiro. Como costuma fazer parcerias de trabalho com a equipe de arquivistas e historiadores do DF, ele repassou a informação a Wilson, que entrou em contato com o Iphan. “Eles me mandaram uma listagem, e já vi que tinha muita coisa interessante”, relata Vieira Júnior, coordenador de Arquivo Histórico do ArPDF.

Em uma semana, os pesquisadores digitalizaram e trouxeram o farto material para Brasília. Há imagens referentes desde os três municípios que cederam território para a construção da capital – Luziânia, Formosa e Planaltina -, a localidades mais distantes, como Porangatú e Vila Bela da Santíssima Trindade, essa última localizada em Mato Grosso, mas com historia colonial interligada à da região onde hoje fica o DF. “Muitas cidades desconhecem essas fotos, que são relíquias de um tempo que não existe mais. Elas foram tiradas em uma época anterior a essa modernidade contagiante que marcou a época da construção de Brasília”, avalia Elias Manoel, gerente de Núcleo de Documentação Cartográfica e Iconográfica do Arquivo Público. Nas lentes dos arquitetos do Iphan, conservou-se uma cidade, que, nas décadas de 1950 e 1960, não interessava mais a população local, encantada pelo surto futurista da nova capital.

Importantes casarões e prédios públicos que existiam em vilas e fazendas desapropriadas para a construção de Brasília vieram abaixo no período da construção. Não por exigência da planta da nova cidade, mas porque prefeitos e moradores dos municípios vizinhos assim quiseram. Oficialmente, a Casa de Câmara e Cadeia de Luziânia virou pó para a abertura de uma estrada que conectaria a cidade goiana à BR-040, dando acesso ao DF. Contudo, Wilson tem outro palpite: “Acho que as cidades ao redor procuraram se adequar ao ideal de modernidade da capital e começaram a derrubar tudo”, diz. Elias Manoel concorda: “A população via aquilo como um processo natural: abandonar o arcaico para se associar ao moderno”.

Resgate histórico

As fotografias resgatadas pelo Arquivo Público do DF integram o projeto Documentos  Goyaz, iniciado há dois anos: “A proposta é dialogar a construção da capital com o passado de Goiás, tendo como foco documentos de Formosa, Luziânia e Planaltina”, explica Wilson Vieira Júnior, coordenador de Arquivo Histórico do ArPDF. “Nós buscamos toda documentação do século 18, 19 e até meados do século 20 de forma a fomentar a pesquisa e facilitar o acesso de pessoas interessadas”. Entre os mais de 100 mil tesouros resgatados pelos funcionários do ArPDF, há diários, registros paroquiais e de terra, inventários; mapas raros, como o da Capitania de Goyaz, de 1750, recortes de jornais e a Ata da Expedição Cruls.

O manuscrito, colocado dentro de uma cápsula de vidro e enterrado pelos desbravadores, foi encontrado no Rio de Janeiro. A equipe do ArPDF também localizou no Museu do Ipiranga, em São Paulo, documentação a respeito da pedra fundamental, inaugurada em Planaltina, em 7 de setembro de 1922.

Texto transcrito do Correio Braziliense, 1 de setembro de 2013.

Chuva de caju

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Como te chamas, pequena chuva inconstante e breve?
Como te chamas, dize, chuva simples e leve?
Teresa? Maria?
Entra, invade a casa, molha o chão,
Molha a mesa e os livros.
Sei de onde vens, sei por onde andaste.
Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos
Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas,
Onde os coqueiros se aprumam nos baldes dos viveiros
E em noites de lua cheia passam rondando os maruins:
Lama viva, espírito do ar noturno do mangue.
Invade a casa, molha o chão,
Muito me agrada a tua companhia,
Por que eu te quero muito bem, doce chuva,
Quer te chames Teresa ou Maria.
 
Joaquim Cardozo, poeta pernambucano.

Dois poemas de Joana: A travessia

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Dois poemas de Joana: A travessia
(ou uma tentativa apenas)
 
Vozes eufóricas e
fortes zumbidos
se espalhando
no enorme corredor
mal iluminado do Minhocão.
A aula que não houve
se transforma
no estudo solitário
da diacronia
da Língua Portuguesa,
segundo Marcos.
Sorrisos, risadas e
gargalhadas escandalosas
não me deixam concentrar.
Já não percebo
a voz monocórdica
dos professores nas salas.
Início tardio
do semestre letivo.
Caótico.
É o caos da greve
deixando os estilhaços
em nosso caminho.
Como obstáculos,
a pedra no meio do caminho.
Lá fora,
a moto sem silencioso
sai em disparada no
breu estacionado no ICC Norte.
E eu adoro silêncio.
Espero a carona
até no último minuto.
O barulho oscila
entre as vozes meio gritadas
e o volume alternado do ruído
dos saltos-agulha que
desfilam fazendo
um eco comprido
até se tornarem inaudíveis.
A leve brisa espalha
o cheiro da erva sagrada,
tal capim santo.
Hoje, os rapazes
disputam a histeria ruidosa
com as moças.
E se sobressaem brilhantemente.
Atravessar a nado
o Lago Paranoá.
Pedir socorro e abrigo
aos monges beneditinos
ou às irmãs carmelitas.
Poder calar e descansar
para ouvir o mais fundo
do meu coração.
 
A LIMPEZA DA CAPITAL..
 
No frio seco da manhã,
em meio a nuvens
do vento empoeirado.
Lá estão elas…
Lá estão eles…
Tentam agasalhar-se,
e a se proteger
como podem.
De longe, percebo
o alaranjado movimento
do azul de seus casacos.
Vassouras, pás,
sacos de lixo,
baldes e carrinhos…
Estou confortavelmente
congelada dentro
do carro.
Olhos admirados
e agradecidos.
— Cenário típico e
aburguesado.
Tento acompanhar
o grupo por um instante
para adivinhar-lhes
os sonhos…
As cuidadoras
e os cuidadores da cidade
transpiram cansaço.
Da vida
Das viagens
Das madrugadas
Dos ônibus
mal cuidados
em direção
ao Plano Piloto.
Do almoço dormido
em suas marmitas.
E da volta pra casa,
que não termina nunca…
Preservam o bom humor,
apesar de tudo.
Será que todos sabem
que há muita sujeira
espalhada pela cidade
que o seu trabalho
nunca vencerá?
Abençoai-as, abençoai-os,
Ó Senhora Padroeira
da mais bela catedral do país!
E também a nossa cidade,
porque Brasília
está carente de bênçãos
e de luz.

Joana Eleuterio, poetisa mineira, natural de Bom Despacho.

De onde Brasília surgiu?

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De onde Brasília surgiu?

Em “Registro de uma vivência”, sua autobiografia, Lúcio Costa responde:

1º. – “Conquanto criação original, nativa, brasileira, Brasília – com seus eixos, suas perspectivas, sua ordonnance – é de filiação intelectual francesa. Inconsciente embora, a lembrança amorosa de Paris esteve sempre presente.

2º. – Os imensos gramados ingleses, os lawns da minha meninice, – é daí que os verdes de Brasília provém.

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Bem no fundo

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Bem no fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
 
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela – silêncio perpétuo
 
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
 
mas problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski, poeta paranaense.

Ode ao Lago Paranoá

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Às margens do nosso Lago Azul – o Paranoá,
Ao entardecer de um domingo de Sol,
Paisagem mais deslumbrante, certamente não há,
Pela variedade das cores do arrebol.
Há os voos dos patos selvagens,
Recolhendo-se apressados para os ninhos.
Avesinhas aquáticas levantam-se das margens,
Também em busca dos seus caminhos
Às vezes, inesperadamente nos aparece,
Num voo sinuoso, soturno e lento,
Uma garça branca, assustada, linda, agreste,
A procura de um peixinho como alimento.
Pousa no píer onde encostam as lanchas,
Ostentando um porte airoso, enquanto sonda,
Se por ventura vem como estranhas manchas,
Algum crustáceo na crista da onda.
Interessantes são as garças que em bando,
De plumagem branca como a neve,
Em uma perna só, se equilibrando,
Por horas, a fio, como estátua leve.
Em evoluções coreográficas, as andorinhas,
Fazem nos céus, sinuosas evoluções;
Enquanto canários, pardais e rolinhas,
Fogem da perseguição dos gaviões.
Na despedida nostálgica do sol poente,
Singram os barcos solitários para o norte,
Aos sons de acordes ou de música dolente,
Com as velas infladas pelo vento forte.
O sol, por fim, mansamente desaparece,
Deixando uma rástea de luz brilhante,
Refletindo no espelho das águas, que parece
A imagem de um brazeiro crepitante.
Amontoado de nuvens, lentamente vem cobrir,
Como um enorme e desmedido manto,
Deixando, ás vezes, de alguma fenda surgir,
A argêntea luz da Lua, de suave encanto.
Casais no enlevo dos amores, enamorados,
Despertados pela suave claridade lunar,
Agarram-se na confissão de apaixonados,
Ao entregaram-se no gesto de se beijar.
E assim os ditosos momentos agradáveis,
Essencialmente escolhido para descansar,
Nos deixa na mente, lembranças memoráveis,
Oferecidas pelo “Lago Azul,” – o nosso mar!…
 
Sidney Almeida
Morador do Lago Sul
Poema transcrito do Correio Braziliense, 12 de agosto de 2013.

Garota do Parque

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas, Converse com os Poetas Sem Comentários

Toda vez que
estou no parque
e você passa
no seu compasso de garça
todo parque se disfarça
em farta passarela
tudo pira tudo paira
a tua espera
do pedalar da sandália
ao coração da donzela
 
sopra o verde
sopra o parque
sopra o tempo
só para ela
toda ves que você parque,
Já era…

Luis Turiba, poeta carioca-brasiliense.

EXALTAÇÃO A BRASÍLIA

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Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Foste sonho e ideal de tantos.
Pelas mãos pioneiras, candangas.
Integrando-o de Norte a Sul
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Niemeyer, os teus palácios,
Israel te deu forma e força,
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Onde cabem raças e credos.
E as noites frescas e de estrelas.
E de Dom Bosco, predição;
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Da grande síntese desponta
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Construtora de um novo tempo,
De amor, energia e consciência.
Fruto do esforço brasileiro,
Dos novos tempos, edifício,
Aurora de um novo Brasil.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
Dos Três Poderes, tens a Praça,
Mais a Ermida e bela Esplanada,
As Quadras, Eixos, Avenidas
E também Águas Emendadas.
Teus panoramas deslumbrantes
De chão, de luz e de horizontes,
Lembras família, pátria, Deus.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!
A vida que ofertas a todos,
Assim no Plano e nas Satélites,
De ânimo à ação, ao trabalho,
Um homem síntese criaste,
De cores e costumes pátrios,
De um forte Brasil, alicerce.
Brasília da minha esperança,
Minha terra, meu céu, meu mar!

Post Adirson Vasconcelos, poeta cearense.

Cidade em frascos

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Deitado no espelho do asfalto
em tons de ametista
safira, topázio e rubi

o céu desdobra o horizonte
alvorado algemado
à paisagem da cidade.

Quem vem dos confins
de um país recém-inaugurado
jamais é o mesmo após adotado.

O batismo é de pedras
e o olhar se perde
pelos rastos

vazios sob arranha-céus
tontos na multidão
exaustos em procissão
rumo ao nada.

Siamesas
ela e eu
somos hoje

nervosos bordados
na trama
do tempo volátil.

Angélica Torres Lima, poetisa goiana.
Poema transcrito do livro “Luzidianas”, Coleção Oi Poema.

CONCLUSÕES DE UM NÁUFRAGO – A PARTIR DE UM DOMINGO ERMO

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Tem razão aqueles para quem Bras-Ilha até hoje pouco difere de um grande descampado, arte-finalizado e traduzido por um silêncio eloquente. O domingo que passou reforça a intuição que os canaviais e réveillon desertos já ensejavam: que Brasília é uma cidade alugada. Algo como o oposto daqueles municípios de regiões me-tropolitanas, batizados de cidades-dormitórios, que dão à luz, diariamente, um exército para trabalhar na respectiva capital – exercito que retorna à origem, moribundo e desfalcado, toda santa noite. Assim, por oposição, esta urbe inaugura a categoria cidade-escritório.
Arrisco uma imagem: Brasília é um sitio alugado para trabalho, para um seminário interno, de planejamento estratégico, com duração de quatro anos. Ao fim do período, conclui-se também o contrato de aluguel. Mas ele é eventualmente renovável.
na praça dos três poderes
existe um buraco, pequeno e raso,
formado pela falta de uma pedra,
dessas portuguesas, brancas,
de calçadas
 
o buraco fica perto do meio-fio
que dá  pro palácio
 
buraco que celebro neste poema
 

*
eu
teu eterno ex-poeta oficial
com estátua falsa
nome errado
pedestal caído
e sem placa
na praça-do-buriti-morto-
duas-vezes-favela

 
Pedro Biondi, poeta natural de São Paulo.
Poema transcrito do livro “50 anos em seis: Brasília, prosa e poesia”

BICICLETA PRA BRASILIA DO CERRADO

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Na praça a trança
Voa no vento quente do Cerrado
Seco do Planalto de Brasília
Praças grandes traziam armadas amar aradas
Flores amaralindas
Folhas amarlindadas
Alguns beija-flores são azuis, brilhantes delicados
Aveludadas flores cachos casas rosas amareladas casas
Terra traço e grafite brilho e sol
Chapéus botas d’águas longe das catedrais
Praça porque pára praça porque pára parque
Cidades sitiadas armadas amarradas
Via bicicleta não precisa ser atleta
 
*
 
Bicicleteiro Corre
Pedal companheiro
Não poluente
Avenida pela frente
Vento na gente
 
*

Bic Prado, poetisa brasiliense.
Poema transcrito do livro “Poemas de um livro verde”, Coleção Oi Poema

Márcio Catunda

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Márcio Catunda, diplomata, por onde vai conduz Brasília, sempre, em seu interior. São vários os seus poemas que, atentos, ternos e minuciosos, ocupam-se de sua paisagem física e humana. “Instante em Brasília” faz apologia de “…frondosas árvores”, “sombra fraterna”, “aconchego dos mangueirais”, “(…) pássaros que se embriagam de vento”. No “Entre o Conjunto Nacional e o Conic”, o poeta acompanha o “gado humano” que “pasce” entre os dois pontos tradicionais da Capital. “Passa gente de todo espectro”. De aspecto viário: “mendigos, operários, burocratas”.

Transitam também os “que vão sobre a redoma celeste”, sedentos de Deus não raro tangidos e sugados pelos abomináveis profissionais da fé. Os vendedores ambulantes, o “sanfoneiro cego”, o “aleijadinho”, o “policial esgalgo”, o “Brasil de passo inconsciente” que se insere nas noites “da Ceilândia, de Taguatinga, de Samambaia”, um mundo imenso…O poeta comenta, em “Fuga sentimental”: “O sol inventa flores na festa do dia”, “o sol realiza o colorido das nuvens”, “os lírios reverenciam a luz de Deus”, “Azul é o corpo de Deus”. Tudo isso enquanto respira “na companhia de eucaliptos” e “nas vastidões altiplanas, e o circulo expansivo invade os horizontes”. O Lago Paranoá tem feito jus a muitos cantares. Márcio Catunda não o deixa à margem de seus encômios. “Repousa o lago – manso fluir de dorso espiritual,//leito azul-esverdeado na tarde…”//”Repousa o lago entre fulgores”, “Densidade obscura e translúcida…”. E encerra (poema “Crepúsculo sobre o Lago Paranoá”): “Perplexidade, quietude, harmonia,/suave claridade”. Em flash, os edifícios são contemplados: “(…) desenham uma muralha…” e também “árvores (…) de um verde vertiginoso”. “Manhã de vapor liquido pelos arredores de Brasília” é mais um cenário destacado. Nele, o “Horizonte além dos blocos e do cerrado”.

Transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, seção “Esses poetas, esses poemas”, de Joanyr de Oliveira.

Nova espécie urbana

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Por Conceição Freitas

Talvez nenhuma outra cidade no mundo, salvo as que se transformaram em ruínas, precise de uma iniciação para ser compreendida e só então aceita. Brasília pede uma cartilha que pegue o visitante pela mão e o ajude a decifrar sua racionalidade tão evidente, porém tão intrincada e perturbadora.

É preciso esquecer toda a experiência anterior de cidade, ou pelo menos renunciar a comparações, para só assim conseguir se aproximar desse estranho jeito de formatar um lugar urbano pra se viver. Em Brasília, até a relação corpórea com o espaço físico é singular. Aqui, um passo não tem as mesmas dimensões de um passo no Rio, em São Paulo ou em Goiânia ou em qualquer outra capital brasileira – ou estrangeira, das que tenho notícias.

O espaço brasiliense tem um vácuo interestelar. Em Brasília, não existe o ‘logo ali’. A topografia calma, serena e majestosa, como escreveu o botânico Auguste Glaziou, estica a molécula das distâncias e nos transforma em formiguinhas num planeta de dimensões astronômicas. De tão longe que tudo é, ficamos perigosamente próximos da solidão.

Em Brasília, somos todos solitários. Há entre mim e você, entre aquele e aquele outro, uma distância oceânica. E não é apenas a imposição topográfica de um extenso vale circundado de chapadas – imensidão envolta em imensidão. Os brasilienses ainda somos estrangeiros, porque mesmo os aqui nascidos são filhos de outras regiões e de outras culturas.

O que nos une é o que nos separa – a experiência de viver numa cidade que já nasceu em extinção, porque não haverá nenhuma outra para lhe fazer par. Será única desde o principio até o fim dos tempos. Quem desenhou esse lugar não quis repetir a fórmula milenar de aglomerados urbanos feito de proximidades e de misturas. Quem desenhou Brasília quis inventar um novo homem e novo corpo para o homem.

A cidade não nos sufoca, não nos cerca, não nos dá encosto. Ela nos deixa soltos no ar, com a ilusão de que estamos pousados na Terra. Que nada. Demasiada imensidão despojada de obstáculos faz do brasiliense um ser humano alado. Mesmo nos congestionamentos, sufocados pelas mazelas das metrópoles (nisso somos iguais), nos é oferecida uma perspectiva única no modo de vida urbano: a totalidade do céu, as chapadas faiscantes de luzes, as rodovias como pedras preciosas de uma joia infinda.
O brasiliense tem um corpo fechado em si mesmo. Mais do que em qualquer outro lugar habitável, em Brasília o ser humano é uma ilha. É um insulamento arbitrário, que nos constitui, como se fôssemos as primeiras gerações de uma nova espécie urbana.

Transcrito do Correio Braziliense, 5/5/2013 – “Crônica da Cidade”


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