Árvores-relógios

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

Árvores-relógios
 
Cá existem espécies que são relógios não são árvores.
Flores são cronômetros, copas, mostruários.
Marcam assim o tempo, a vida em frações,
Dividem a nossa existência em exatas estações.
 
Se é outono, são bromélias, camélias, azaléias, dálias;
Se é inverno, quaresmeiras, ipês (roxos, brancos, amarelos), jasmins;
Se é primavera, cajueiros, jenipapos, laranjas, mangueiras, amoras;
Se é verão, fogo ardente, flamboyants, radiantes, carmins.
 
Despem-se, vestem-se, escolhem novas roupagens;
Umas engordam, outras emagrecem, mudam de manequim;
Estilistas, passarelas, desfiles, lançamentos de ramagens.
Outras ainda se enchem de frutos num torneio de abundância;
São por demais generosas, tanto faz, para você ou para mim;
Entregam-se com  fartura, doçura, formosura e elegância.
 
Luís Martins da Silva, poeta cearense, nasceu em Nova Russas.
"Poemas para Brasília", antologia de Joanyr de Oliveira.

 


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