Arte e Poesia nas paradas de ônibus

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília, Posts Sem Comentários

por Guilherme Pera
 
As paradas de ônibus da W3 Norte são acompanhadas de livros há quase uma década, com as Estações Culturais, idealizadas e promovidas pelo proprietário do Açougue Cultural T-Bone, Luiz Amorim. Nos últimos tempos, uma mudança é visível: as páginas, agora, estão acompanhadas pelos versos de Vicente Sá e as ilustrações de Ribamar Fonseca.

Inspirados na iniciativa do açougueiro e agitador cultural, o poeta e o ilustrador unem os trabalhos e os colocam em paradas da cidade. Até agora, foram três edições do projeto “Poesia de Quinta” (como o nome sugere, sempre às quintas-feiras), sendo a última na semana passada, entre 707 e a 709 Norte. Hoje, amanhecem estilizados os pontos de ônibus da L2 Norte, perto do Hospital Universitário de Brasília (HUB), entre a 405 e 407 Norte.
A ideia é simples: levar a arte ao espaço público, convidar as pessoas do Plano Piloto, habituadas a viverem ilhadas em carros, a andarem pela cidade, verem que há vida nas ruas da capital. É, segundo Vicente Sá, um projeto “de presente” para a paisagem urbana, que, na visão do artista, carece disso.

O poeta lembra casos como do Café da Rua 8, fechado por não poder tocar música, e cita o bloco carnavalesco Galinho de Brasília, impedido de ter o ponto de partida na 405 Sul. “Alguns moradores estão impedindo as pessoas de ocupar a cidade”, afirma. “A capital deve ser de quem anda pelas ruas e não dos que ficam trancados em casa vendo novela”, dispara.

A vontade da dupla é ocupar as paradas de ônibus toda semana. Após 10 edições, Vicente Sá pensa em fazer algo maior. “Quero guardar o material que produzirmos para fazer uma exposição nas paredes do Buraco do Tatu. Em um domingo de manhã, vamos chamar os artistas da cidade e, por ali, aumentar a ocupação das ruas”, explica.

Texto transcrito do Correio Braziliense, de 22 de fevereiro de 2014.

Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …