APONTAMENTOS PARA UMA POÉTICA CANDANGA

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

APONTAMENTOS PARA UMA POÉTICA CANDANGA

Esqueça o adjetivo brasiliense.
É algo mais inventado que a própria cidade.
Não considere nada que seja mais
artificial que Brasília. É parte do inexistente.

O céu em Brasília: o Corcovado no Rio.
O concreto de Brasília: o ferro de Itabira.

O avião não decola em seu próprio céu.
Tesourinhas: uma ideia, uma estética
apoética.

Bebe Behr. Planta Marx. Pensa nos ladrilhos de Bulcão,
somente então, rima. O apostolado de Athos.
Niemeyer não morreu.

(entrequadras nas entrelinhas)

Brasília só é possível de óculos escuros.
O branco ofuscante, o fogo invernal.

Há de se tomar cuidado com o nome
Brasília. É traiçoeiro: Sugere
coisas demais, a rima tosca, a ilha,
a agudeza de um acento, o feminino de um país.
Brasília é um homem que trocou de sexo.
Sem gênero, sui generis.

Post poeta Matheus Gregório Vinhal e Silva
Poema transcrito da coletânea “Concurso Nacional de Poesias”

 


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