ABSURDO TEMPO ARTEIRO

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Absurdo perfil que contorna
tua sombra, meu pai,
cansada de tua morte
exijo teu retorno,
regressa ao menino eterno
guardado em segredo trêmulo
incolor razão
que abriga minha inocência.
 
Tempo ímpio
transgressor de minha impotência
te afastou das bordas
de minha essência
sem me permitir aprofundar
o gesto em tua presença.
 
Arteiro eco
empenhado em transcrever
os sons do olvido
em tua partida tão latente
desfazendo-se em reflexos
de vingança,
a ausência
de teu espectro contundente.
 
Sofia Vivo, poetisa uruguaia, natural de Montevideo
Tradução de Anderson Braga Horta

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