A UM SOLITÁRIO

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

A UM SOLITÁRIO
 
Habitante da noite, espantos ladras
e à lua-cheia angústias fundas uivas.
Os altos risos das estrelas ruivas
no torvo olhar de solitário enquadras.
 
Mas, por mais que as dianteiras patas juntes,
não te socorrem no atrevido intento
nem os anjos senis no firmamento
nem na terra os estúpidos transeuntes.
 
Ninguém te entende os íntimos arcanos;
mas, se o tentam acaso alguns insanos,
ninguém te estende as mãos que lhas não mordas.
 
E contrafeito comes – ou deliras ? –
tua ração de raiva enquanto atiras
o magro olhar para as estrelas gordas.
 
Anderson Braga Horta, poeta mineiro, natural de Carangola.
"Poetas Mineiros em Brasília", de Ronaldo Cagiano

 


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