A Torre

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Poemas para Brasília Sem Comentários

A Torre

A torre espia
as pontas dos vôos.
Desde os túneis do sono
ao império das luzes;
da mudez matutina
aos compassos da sombra.
A torre equilibra
as retinas da insônia,
as mímicas, os corpos,
os palácios e as ruas.

No norte da asa
os claros doloridos.
(A torre silencia: o ofício
da torre não vai longe.)
Na outra margem do mundo
apinham-se os corpos
em afagos, em lutas,
em soluços, em sonhos.
Sim, a torre espia
do mais puro silêncio.
(Seu oficio é o segredo.)

Joanyr de Oliveira, poeta mineiro, natural de Aimorés.
Poema transcrito da antologia "Poemas para Brasília", de Joanyr de Oliveira.

 


Trackback do seu site.

Deixe um comentário


Leia também:

A passagem de Tom Jobim e Vinícius de Moraes pelo Catetinho

O texto de Antônio Carlos Jobim Setembro, sertão no estio. Frio seco. Altitude aproximada: 1.200 metros. Ar transparente, céu azul profundo, primavera e pássaros se namorando. Campos gerais, chapadões dos gerais. Cerrado e estirões de mata à beira dos rios.…

Alvorada de Espelhos

Alvorada de Espelhos Por Clemente Luz O imenso louva-a-deus traçado no papel, antes promessa da presença da cidade, já tem forma e base sólida no chão do planalto. No local mesmo onde a visão do profeta viu “que se formava…

Bernardo Sayão

Da morte emerges, Bernardo Sayão, e com que pureza! Assim te revemos, os que nunca te vimos, e não há em nós nenhuma surpresa. Assim te revemos, sertanejo tranqüilo, no retrato que te faz surgir num descampado, o olhar firme, …