A poesia é um dos meus nervos

Escrito por Brasília Poética em . Postado em Converse com os Poetas Sem Comentários

A poesia é um dos meus nervos
aquele mais sensível
que move as minhas demais mãos
os demais passos de meus pés
Move as lâminas com as quais derroto
os arrotos dos Hades do tédio
com os quais não dou sais
às cinzas dos rancores e das tragédias

Dos veios dos vales, das fêmeas?
Quem não veio das heranças do sol?

Ainda são as retinas, as tiras de cor
Há o miosótis, a pele, o espelho de chuva
a seiva reluzente nas frondes humanas
Com a poesia desponto do escuro
embarco sem os grumos das ausências
Fervo o sangue com os braços da poesia
e com os nervos quentes das palavras
Remo os barcos às margens dos homens

Mostrou os brotos de verdes extremos?
Quem ainda não retesou os nervos?

Salomão Sousa, poeta goiano, nasceu em Silvânia.
"Deste Planalto Central: Poetas de Brasília"
Antologia de Salomão Sousa.

 


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