A Catedral

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A Catedral
Muda, espalmada,
                    reiterativa como um terço
                    em cada hora, a Catedral é outra:
                    furtiva,
                    confessionária,
                                        passante e pia.
 
A luz da Catedral de Brasília
                    não é luz mística.
                    São caldeiras:
                    as fornalhas das máquinas,
                    o pequeno inferno
                    dos pecadores
                                       que ilumina cada igreja.
 
Assim, crua,
                    na linha dissidente
                    do horizonte,
                    a Catedral não é obra de arquitetura
                     nem templo
                                       nem casa de oração.
 
A Catedral, na Esplanada dos Ministérios,
                    é apenas repartição pública,
                    prédio burocrático,
                                       Sé das almas expedientes.
 
Ronaldo Costa Fernandes, poeta maranhense, natural de São Luís do Maranhão.
Poema transcrito da antologia “Poemas para Brasília”, de Joanyr de Oliveira.

 


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