11 de novembro de 1956

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários

Sayão se muda para Brasília – No dia (10/11/1956) da inauguração do Catetinho, JK pede a Sayão que se mude para a área, onde não havia ainda moradias. "Que dia o senhor quer que eu esteja aqui?", perguntou Sayão. "Ontem", respondeu JK. Sayão despede-se e vai embora. No dia seguinte, 11 de novembro de 1956, às seis horas da manhã, um caminhão chega ao Catetinho. É Sayão com a mulher e duas filhas. Encontra-se com JK: "Pronto, chefe, aqui estou para cumprir suas ordens". JK pergunta aonde vai se instalar com a mulher e as duas meninas: "Primeiro, debaixo daquela árvore e, depois, armarei uma barraca". Uma de suas filhas – Lia Sayão conta: "Chegamos em novembro de 56. Foi a primeira família de engenheiro a vir. Meu pai era diretor-administrativo da Novacap. Chegamos no começo de tudo. Moramos numa casinha pré-fabricada, de eucatex. Em menos de mês fizeram a casa inteira. Mas quando a gente chegou, ainda não estava pronta. A nossa terminou com a família dentro. Era ali onde hoje é a Candangolândia, na rua do Sossego. Meu pai gostava muito de estrada, de construir estradas. Vocação, eu acho. Primeiro fez a ligação de Goiânia a Brasília. Foi a primeira obra. Os trechos que haviam eram de estrada de terra. Faltava muita coisa, inclusive as pontes. A do Rio Areias foi a que demorou mais. Depois asfaltou tudo, ficou ótimo. Ele achava que o material para Brasília precisava vir de mais perto. A comida, tudo. Mas ele também olhava Brasília inteira em 1957 e parte de 1958. Não parava. De manhã, tinha sempre muita gente lá em casa. No começo, mesmo com distribuição de lotes, ninguém queria vir. Meu pai trouxe muita gente que trabalhou com ele na criação da Colônia Agrícola de Ceres (Marcha para o Oeste, de Getúlio Vargas). E também de Anápolis e Goiânia. Era para Brasília funcionar"

 


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