02 de outubro de 1956

Escrito por Brasília Poética em . Postado em O dia-a-dia da Construção Sem Comentários


JK em sua primeira viagem ao local onde seria erguida a nova capital
Foto: Arquivo Público do DF

Primeira viagem de JK ao local da futura capital: "Uma aventura. Não havia acesso ao local. E a Presidência não dispõe de helicóptero. A viagem tem que ser de avião, mas não existe pista de pouso. A solução é mesmo o veterano Douglas DC-3.

Lento, barulhento, desconfortável, mas com capacidade para dezenas de passageiros, econômico e seguro. Um grande jipe alado. O mais recomendável é seguir, via Goiânia, situada a cerca de duzentos quilômetros do local. Depois, voar de teco-teco até Planaltina, pegar um jipe e seguir trilha aberta no cerrado até o destino.

Mas JK resolve ir direto, aterrisar numa fita de terra desbastada no cerrado bruto pelo engenheiro Bernardo Sayão, na época vice-governador de Goiás. Uma pista com formigueiros e praticamente nivelada.

O DC-3 decola do aeroporto Santos Dumont às 07:45 do dia 02 de outubro de 1956. Além do presidente, leva o general Teixeira Lott, ministro da Guerra; o almirante Lucio Martins Meira, ministro da Viação e Obras Públicas; o governador Antonio Balbino, da Bahia; o general Nelson de Melo, chefe da Casa Militar; o brigadeiro Araripe Machado; Israel Pinheiro, presidente da Novacap; Oscar Niemeyer; Régis Bittencourt, diretor do DNER; o coronel Dilermando Silva; o doutor Ernesto Silva e Octávio Dias Carneiro. Quatro horas de vôo.

Na chegada, JK avalia o cenário. Conclui que é chato e amplo. Um descampado sem fim, com suaves ondulações, que não ultrapassam duzentos metros. Ele vê a cruz fincada pelo marechal José Pessoa no ponto mais alto e, pouco depois, a fita de terra vermelha improvisada por Bernardo Sayão (onde hoje está a Rodoferroviária).

Octávio Dias Carneiro preocupado, pergunta a JK se é mesmo ali que vão pousar. Denso silêncio. O avião se posiciona, dá uma guinada e inicia a descida. Pancada dos pneus batendo no chão àspero, muita poeira, corações disparados, taxiamento e pronto. Alguns trêmulos, mas todos salvos. JK sorridente e entusiasmado. Descem e vêem pendurada num pau fincado ao lado da pista precária, tabuleta em que algum brincalhão ou exagerado escreveu: Aeroporto Vera Cruz. São 11:40 e o sol bate forte, fortíssimo. Calor de estalar mamona e luminosidade de apertar os olhos. O céu é indescritivelmente lindo

O governador goiano José Ludovico de Almeida, Bernardo Sayão, Altamiro Pacheco e outras autoridades levam a comitiva para um toldo de lona. Numa rústica mesa de madeira, o presidente JK assina o primeiro ato oficial de Brasília: a nomeação do novo ministro da Agricultura, Mário Meneghetti"

(Depoimento extraído do livro "Brasília Kubitschek de Oliveira", Ronaldo Costa Couto, 2006)

 


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